″Campanha de caju deste ano é das piores que ocorreram na Guiné-Bissau″ | Guiné-Bissau | DW | 30.07.2021

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Guiné-Bissau

"Campanha de caju deste ano é das piores que ocorreram na Guiné-Bissau"

O presidente da Associação Nacional de Agricultores (ANAG), Jaime Boles Gomes, afirmou que a campanha de comercialização da castanha de caju deste ano é "a pior" que ocorreu na Guiné-Bissau.

"Afirmamos que a campanha de caju deste ano é a pior que aconteceu nesta terra, porque não trouxe ganhos ou rendimentos que os produtores aguardavam com toda a expectativa", disse Jaime Boles Gomes.

Outra razão para a má campanha, apontada por Jaime Boles Gomes, é a pandemia de coronavírus.

"Mas é bom lembrar também que a campanha do ano passado correu em plena pandemia, por isso correu mal", disse esta sexta-feira (30.07) à Lusa, o presidente da associação de agricultores guineenses.

Jaime Boles Gomes explicou que a campanha da castanha de caju está dividida em três fases.

A primeira tem início com a limpeza dos pomares e é realizada entre os meses de novembro, dezembro por grupos de jovens recrutados pelos proprietários nas tabancas e que são pagos apenas no período da colheita da castanha.   

"Por causa da restrição, que impediu a aglomeração das pessoas, isso acabou por influenciar negativamente uma boa prestação do serviço em termos de limpeza", disse.

Impactos da pandemia

A segunda fase é a fase da colheita que é conhecida como a campanha de caju (colheita da castanha), onde se regista a deslocação das populações, em particular das mulheres, de uma região para a outra e se realizam contratos de prestação de serviços da colheita de castanha com os donos dos pomares.

Cashew-Kooperative in Guinea-Bissau

Agricultores da Guiné-Bissau querem campanha de caju gerida pelo Ministério da Agricultura

"Infelizmente, a pandemia de coronavírus não permitiu igualmente a deslocação das pessoas por causa das medidas de restrição impostas pelas autoridades sanitárias", referiu.

A terceira e a última fase é a de fixação do preço de referência pelo Governo, o anúncio de abertura da campanha e o controlo da operação da própria campanha de cajú.

Jaime Boles Gomes afirmou que o Governo anunciou este ano o preço de base da castanha quase no fim da colheita da castanha e que aquele preço "não foi implementado na prática".

O representante dos agricultores guineenses criticou o Governo por pouco ou nada ter feito para controlar ou fiscalizar a comercialização da castanha de caju, sobretudo a implementação do preço base de 360 francos CFA por quilograma (cerca de 0,54 euros).

Produtores sem castanha

Jaime Boles Gomes afirmou que os preços praticados rondaram os 250 (cerca de 0,38 euros) e os 300 francos cfa (0,45 euros).

"Nenhum produtor conseguiu vender a sua castanha por mais de 360 francos CFA por quilograma. A gestão da campanha não nos favoreceu como produtores, porque as medidas que permitiriam que os agricultores beneficiassem de alguma coisa não foram cumpridas, sobretudo no que tem a ver com a compra da castanha pelo preço base anunciado", contou.

Questionado se ainda existe castanha nas matas, respondeu que neste momento não há castanha nas mãos dos produtores, acrescentando que apenas os intermediários é que têm castanha nos armazéns.

Campanha de caju gerida pelo Ministério da Agricultura

"Vamos fazer um documento por escrito e enviá-lo brevemente ao primeiro-ministro, no qual pediremos que a gestão da campanha de caju seja passada para o Ministério da Agricultura", afirmou Jaime Boles Gomes.

Guinea-Bissau Ministerrat der Regierung von Nuno Gomes Nabiam

"O caju é considerado como o nosso ouro e o nosso petróleo, mas até hoje o Governo não conseguiu criar condições para o desenvolver"

Segundo o representante dos agricultores guineenses, o caju é um produto completamente agrícola, por isso deve deixar de ser gerida pelo Ministério do Comércio.

"Ao longo destes anos fomos prejudicados, por isso estamos a pedir que a gestão passe para o Ministério da Agricultura que tem técnicos competentes para lidar com o processo", disse à Lusa, o presidente da Associação Nacional de Agricultores da Guiné-Bissau (ANAG).

Outra razão que os levou os agricultores a avançar o pedido é o facto de a produção de castanha não ter registado melhorias significativas em termos de boas práticas de produção e de organização da fileira de caju, criando assim a degradação de pomares.

Para Jaime Boles Gomes, é necessário envolver o ministério da Agricultura no processo e, consequentemente, atribuir-lhe a responsabilidade de assumir a castanha de caju no seu todo, salientando que o cultivo de caju não pode continuar a ser feito de forma tradicional.

A Guiné-Bissau exportou em 2020 um total de 156 mil toneladas de castanha de caju. Este ano prevê-se a exportação de 175 mil toneladas, mas de acordo com informações do Ministério do Comércio já se conseguiu exportar até quinta-feira 76 mil toneladas.

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Guiné-Bissau: Combater a pobreza com caju

 

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