Cabo Verde: Extradição de Alex Saab teve ″muitas pressões″, diz PM | Moçambique | DW | 22.10.2021

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Moçambique

Cabo Verde: Extradição de Alex Saab teve "muitas pressões", diz PM

O primeiro-ministro disse que a extradição de Alex Saab para os EUA foi um processo "sujeito a muitas pressões". Ulisses Correia e Silva anunciou que vai participar na Cimeira para a Democracia, promovida por Joe Biden.

Alex Saab

Alex Saab ficou detido em Cabo Verde por mais de um ano

Numa mensagem na sua conta oficial na rede social Facebook, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, referiu que falou, por telefone, com o secretário de Estado norte-americano, na quinta-feira (21.10).

Na ocasião, Antony Blinken disse "que reconheceu a qualidade da democracia cabo-verdiana como uma referência em África e no mundo", no contexto das eleições presidenciais que elegeram José Maria Neves.

"Reafirmei que a estabilidade, a democracia e a confiança são os principais ativos de Cabo Verde, que fazemos questão de proteger, cuidar e aprimorar. Também confirmei a minha participação na Cimeira da Democracia, iniciativa do Presidente Biden que irá ter lugar em dezembro deste ano", anunciou.

A extradição de Alex Saab, ocorreu no passado sábado (16.10) após uma forte contestação nos tribunais por parte da defesa até à última decisão do Tribunal. O testa-de-ferro do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, estava detido em Cabo Verde desde junho de 2020.

"Sublinhei a nossa confiança na Justiça cabo-verdiana que decidiu um processo complexo sujeito a muitas pressões. O secretário de Estado garantiu o respeito pelo cumprimento das condições que garantem uma justiça justa e que tenha em conta os princípios constitucionais de Cabo Verde em matéria de extradição", afirmou Ulisses Correia e Silva.

Cooperação com os EUA

Na mesma mensagem divulgada hoje, o primeiro-ministro reafirmou "o interesse do Governo de Cabo Verde em afirmar uma cooperação sólida com os EUA em matéria segurança e defesa cooperativa e modernização da justiça".

"Assim como agradeci ao Governo dos EUA pela oferta de vacinas [contra a Covid-19]. O desempenho de Cabo Verde na gestão da pandemia e na vacinação foi considerado notável", escreveu.

"Brevemente receberemos as vacinas da Pfizer [doadas pelos Estados Unidos], o que permitirá a vacinação da população dos 12 aos 17 anos", acrescentou.

Tribunal nos EUA

Alex Saab foi apresentado a um tribunal assim que chegou aos EUA

Detenção

Alex Saab, 49 anos, foi detido pela Interpol e pelas autoridades cabo-verdianas em 12 de junho de 2020, durante uma escala técnica no Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, ilha do Sal, com base num mandado de captura internacional emitido pelos EUA, numa viagem para o Irão em representação da Venezuela, com passaporte diplomático, enquanto 'enviado especial' do Governo venezuelano.

A sua detenção colocou Cabo Verde no centro de uma disputa entre o regime de Maduro, que alega as suas funções diplomáticas aquando da detenção, e a Presidência norte-americana, bem como irregularidades no mandado de captura internacional e no processo de detenção.

Washington pediu a extradição, acusando Saab de branquear 350 milhões de dólares (295 milhões de euros) para pagar atos de corrupção do Presidente venezuelano, através do sistema financeiro norte-americano.

Alex Saab está agora a ser julgado nos EUA por sete acusações de lavagem de capitais e uma de conspiração para cometer o crime. A sua extradição por Cabo Verde, que a defesa e Caracas consideram como um "rapto", levou o Presidente da Venezuela a suspender o diálogo que estava em curso com a oposição.

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