Cabo Delgado: ″Se tivesse medo não seria bispo″ | Moçambique | DW | 11.02.2021

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Moçambique

Cabo Delgado: "Se tivesse medo não seria bispo"

Novo bispo destacado para a diocese de Pemba, António Juliasse Sandramo, elogia o trabalho do seu antecessor, Luiz Fernando Lisboa. E diz que a prioridade é "avançar mais" no campo humanitário.

Ataques em Cabo Delgado já fizeram mais de 560 mil deslocados. Situação humanitária será o foco do novo bispo

Ataques em Cabo Delgado já fizeram mais de 560 mil deslocados. Situação humanitária será o foco do novo bispo

O Papa Francisco nomeou o bispo auxiliar da diocese de Maputo, Dom António Juliasse Sandramo, para o cargo de administrador apostólico da diocese de Pemba, em substituição de Dom Luiz Fernando Lisboa, que vai ser transferido para o Brasil.

Dom Luiz era tido como uma das vozes mais ativas na denúncia da deterioração da situação humanitária em Cabo Delgado, norte de Moçambique. Em entrevista à DW África, Dom António Juliasse refere que não leva nada na bagagem para Pemba, a não ser uma grande vontade de trabalhar e ajudar as dezenas de milhares de pessoas deslocadas, devido à violência na província.

DW África: Será um desafio substituir uma das vozes mais sonoras sobre os ataques em Cabo Delgado?

Dom António Juliasse (AJ): Os bispos de Moçambique [sempre] tomaram uma posição colegial em relação ao que acontece em Pemba. A voz que mais se fazia ouvir era a de Dom Luiz, porque está no lugar. Ele era o pastor do seu povo, dominava a realidade, tinha de dar a sua voz.

DW África: Que bagagem leva para Cabo Delgado?

AJ: Agora, creio que o trabalho é de ver como ajudar as pessoas em sofrimento e como avançar mais no campo humanitário, sobretudo para que o povo que está naquelas situações encontre novamente caminhos de esperança e acredite na possibilidade de melhorar as suas vidas e tomar um rumo novo, caminhando em frente. Se calhar, serei também uma "mão" ou "pedra" nessa perspetiva.

Assistir ao vídeo 03:00

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DW África: Daquilo que conversou com Dom Luiz Fernando Lisboa, qual é neste momento o cenário na província?

AJ: Os refugiados continuam [a chegar], não em grande número, como no passado, mas há pessoas que continuam a chegar em busca de auxílio. É preciso consolidar os acampamentos de refugiados. É verdade que há muita mão solidária, ao nível nacional e internacional. [Mas] a situação ainda é complexa e [só] estando no terreno é que poderemos tirar uma radiografia para a intervenção.

DW África: A Conferência Episcopal de Moçambique sempre teve uma voz ativa, denunciando as atrocidades em Cabo Delgado. É um papel que continuará a desempenhar?

AJ: A Conferência Episcopal de Moçambique escreveu cartas mostrando a sua grande preocupação com a situação de Cabo Delgado e, em tempos de certos mal-entendidos, a Conferência Episcopal ficou claramente ao lado de Dom Luiz, e encorajou sempre que ele fosse a voz daquele povo. E essa parte já está feita.

DW África: Acha que esses mal-entendidos foram intencionais, para manchar o nome da Igreja Católica?

AJ: O importante não é realçarmos os mal-entendidos, o importante é esclarecer a verdade.

DW África: Dom Luiz Fernando Lisboa foi substituído por causa das denúncias que fazia em relação aos ataques em Cabo Delgado?

AJ: Há uma diocese no Brasil que ficou sem bispo, desde 2018, e o Santo Padre achou que neste momento quem pode ser pastor daquela diocese é Dom Luiz. A Igreja não toma decisões pelo que as pessoas acham.

DW África: Teme que em algum momento as pessoas também o possam interpretar mal se eventualmente tiver de levantar a voz?

AJ: Não, não tenho medo nenhum. Se tivesse medo, não seria bispo.

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