Cabo Delgado: Quando o coração é maior que a casa, cabe sempre mais um deslocado | Moçambique | DW | 13.11.2020

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Moçambique

Cabo Delgado: Quando o coração é maior que a casa, cabe sempre mais um deslocado

"Ter amor ao próximo" é tudo o que faz Awage Afido ao abrir as portas da sua casa a 20 deslocados que nunca viu antes. Esta é apenas uma entre centenas de pessoas bondosas de Pemba. E os hóspedes não escondem a gratidão.

Awage Afido: Passamos a refeição todos juntos

Awage Afido: "Passamos a refeição todos juntos"

Chegaram à praia de Paquitequete aos milhares, hoje chegam menos. Os deslocados internos que fogem das atrocidades dos terroristas desembarcam desnorteados e desprovidos de quase tudo. Mas aqui os espera um abraço caloroso, um prato de comida, roupa e até um teto.

"Ter amor ao próximo. Recebê-los aqui é uma ajuda, amanhã pode acontecer o mesmo connosco. O que a gente consegue é o que partilha. E somos mais de 20 pessoas nesta casa", diz a jovem Awage Afido, que abriu as portas da sua casa aos deslocados.

"São família"

Consegue acomodar tanta gente porque a casa dos pais é grande, conta. Mas, pelo gesto, percebe-se que o coração é maior que a casa. Dão significado ao adágio popular "onde come um comem dois".

"Passamos a refeição todos juntos que nem [família], cozinhamos numa única panela", conta.

A hospitalidade é uma das marcas de Paquitequete, bairro onde vive Awage. Quem conhece Pemba, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, sabe que os seus residentes praticamente nasceram de braços abertos. Contam que aqui as portas não se trancam, um gesto que merece gratidão de Zainaba, uma das hóspedes de Awage.

Deslocados em Cabo Delgado pedem apoio

A deslocada proveniente de Matemwe não esconde: "Sinto-me muito bem aqui e estou grata, agradeço pela hospitalidade e agradeço a Deus por ter conseguido chegar até aqui"

Paquitequete, um novo lar

Em Paquitequete, muitos são da etnia Kimwani, tal como muitos deslocados que chegam. Awage e Zainaba são Kimwanis. E a afitriã de 27 anos garante que o ambiente é de harmonia em sua casa, afinal os deslocados são "família", como diz. Na conversa com a DW, nunca os trata como estranhos.

Garantir o pão a mais de 20 pessoas não é fácil. Mas a solidariedade é algo que em Pemba não para de florir: "Como trabalho na praia como ativista, há parceiros que fazem contribuição, porque lá na praia há pessoas que dormem ao relento. É [uma situação] muito triste, estamos a receber mortos, pessoas doentes."

Awage é ativista da Kuendeleya, o coração de um amigo solidário, associação ainda em formação. Um gesto de humanismo que nasceu de um grupo de jovens no Whatsapp face à crise humanitária. O terrorismo, que começou em outubro de 2017, já fez aproximadamente 435 mil deslocados, empurrando-os para a miséria.

"Há pessoas que estão a doar roupas, porque há crianças que chegam sem roupinhas, as mães contam que queimaram-lhes tudo e não têm nada para vestir. Mas há pessoas de bom coração que ajudam essas pessoas", revela ainda a ativista.

"Não gostaria de depender de ajuda"

Tal como a própria Awage, um poço de generosidade. Apesar de usufrir dela e estar grata à sua anfitriã, Zainaba, quer a sua independência e continuar a correr atrás dos seus sonhos:

"Gostaria de ter o meu próprio teto e para a minha família e não gostaria de depender constantemente de apoios e mendigar apoios. Gostaria de voltar a ter o meu negócio, como antigamente."

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