Cabo Delgado: Detidos suspeitos de simulação de novos ataques em Ancuabe | Moçambique | DW | 26.06.2022

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Moçambique

Cabo Delgado: Detidos suspeitos de simulação de novos ataques em Ancuabe

A Polícia da República de Moçambique, em Cabo Delgado, deteve dois indivíduos suspeitos de incendiar residências na aldeia de Naputa, distrito de Ancuabe, simulando novos ataques terroristas.

O mês de junho tem sido marcado pela escalada da violência nos distritos de Ancuabe, Chiúre e Mecufi.

Após o ataque à aldeia de Nanduli, em Ancuabe - confirmado pelo Presidente da República -, vários outros episódios de alegadas incursões dos rebeldes têm provocado pânico e a fuga dos residentes.

Afinal, nem tudo são ataques terroristas, de acordo com a Polícia da República de Moçambique (PRM). Supostos ladrões estarão a aproveitar-se do medo instalado no seio da população para simular ataques com o objetivo de roubar bens.

Este domingo (26.06), dois suspeitos acusados de atuarem na aldeia de Naputa, também em Ancuabe, foram apresentados pelas autoridades.

"Estes indivíduos, aproveitando-se da fragilidade da população, instigaram um ambiente similar a um ataque terrorista na aldeia de Mesa na calada da noite. Afugentaram a população e incendiaram algumas casas fazendo-se passar por terroristas. Faziam os chamamentos com dizeres árabes, como se fossem mesmo os terroristas, com o intuito de afugentar a população para depois saquearem bens", conta Mário Adolfo, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado.

Mário Adolfo, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado

Mário Adolfo, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado

Decorrem investigações

Além dos dois detidos, um terceiro membro encontra-se foragido.

Apesar de não confirmar a ligação dos suspeitos com o grupo terrorista que protagoniza ataques em Cabo Delgado, a Polícia não descarta essa possibilidade e garante que estão a decorrer investigações.

Até este momento, a PRM contabiliza três episódios de simulação de ataques terroristas nos distritos de Ancuabe, Metuge e mais recentemente em Montepuez, que resultaram na carbonização de cerca de 50 habitações e duas viaturas.

"Vivemos esse caso em Mieze, onde uma residência e duas viaturas foram queimadas. Tivemos um caso também registado em Montepuez, de ontem para hoje [de sábado para domingo], onde já temos um cidadão detido. Nove casas foram lá incendiadas", acrescenta Mário Adolfo.

Suspeitos negam ligação com insurgentes

No caso do incêndio de residências em Naputa, distrito de Ancuabe, as detenções resultaram de denúncias da população, como explica o porta-voz da Polícia em Cabo Delgado. 

"A população quando se apercebeu do incêndio não se afugentou, permaneceu no local, e testemunharam que não se tratava de indivíduos armados. Com o auxílio da própria população foram neutralizados os indivíduos e estão agora a contas com as autoridades".

Os dois suspeitos negam qualquer envolvimento com os insurgentes assim como a participação nos ataques em Naputa. Um dos indiciados alega que foi "envolvido nessa teia", mas que desconhecia o plano criminoso de reduzir a cinzas habitações de populares.

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"Eu recebi na minha casa muitos familiares que se deslocaram por causa da guerra, uma delas é a minha irmã. Quando o meu cunhado veio, vimos que havia muita fome em casa e combinámos que ele devia voltar à aldeia para buscar milho. Eu fui ter com este homem [um taxista] para que transportasse o meu cunhado em busca de comida. Não sabia que lá haveria problemas", relata.

Desinformação

O porta-voz da PRM fez saber ainda que muitos casos que se têm verificado nos últimos tempos são resultantes de desinformação e não propriamente de ataques terroristas.

"Apelamos à vigilância. Mais uma vez vamos pedir a colaboração com as autoridades. Temos uma crise de desinformação na nossa província e temos também os supostos terroristas que, aproveitando-se da fragilidade da população, simulam um ataque".

Mário Adolfo acusa ainda alguns órgãos de comunicação social de fomentarem inverdades.

"Existem alguns media que têm vindo a adulterar imagens de casos que aconteceram há muito, fazendo-os passar de casos recentes. O que supomos é que os próprios malfeitores podem estar por detrás dessa desinformação porque o que eles querem é trazer o terror para a população", conclui.

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