Boubacar Keita segue como favorito na segunda volta das eleições no Mali | MEDIATECA | DW | 07.08.2013
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Boubacar Keita segue como favorito na segunda volta das eleições no Mali

Dois candidatos estão na corrida para a segunda volta da eleição presidencial no Mali no próximo domingo: Ibrahim Boubacar Keita e Soumaïla Cissé. Observadores dizem que Keita é o favorito.

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O ex-primeiro-ministro Ibrahim Boubacar Keita já se posiciona como um estadista equilibrado. Há duas décadas, ele faz parte da elite política maliana, tendo se candidatado duas vezes para eleições presidenciais. Trata-se de um político com bastante experiência e participação no diálogo internacional.

Seus apoiantes se referem a ele como IBK, as iniciais do seu nome. Eles tiveram de esperar uma semana após a primeira volta das eleições, realizadas em 28 de julho, para aplaudi-lo novamente.

Em um discurso a partidários, ele reafirmou que quer ser o novo presidente e transmitiu confiança a seus apoiantes, do partido União para o Mali (RPM, na sigla em francês). "Caros compatriotas! Apelo hoje aos filhos e filhas do Mali. No dia 11 de agosto, peço-vos para votarem em maior número ainda. Peço-vos uma clara maioria. Uma maioria indiscutível", disse.

O currículo

Para alguns observadores, o político de 68 anos de idade, que estudou história, ciências políticas e relações internacionais em Dacar e Paris, tem grandes possibilidades de ser o novo presidente do Mali.
Keita trabalhou para a ONG (Organização Não Governamental) de amplitude global "Terre des Hommes". Venceu a primeira volta da eleição com 39% dos votos, enquanto o seu adversário mais próximo, Soumaila Cissé, obteve 19%.

Apesar da sua idade, IBK consegue seduzir o eleitorado jovem principalmente na capital Bamaco e no Sul do país. Os jovens insistem em considerá-lo honesto, justo e muito trabalhador, como confirma Hamidou Konaté, diretor da rádio Jamana, na capital maliana. Para Konaté, as pessoas pensam que IBK é o nome ideal diante da crise.

Keita foi primeiro-ministro do Mali de 1994 a 2000, sob a presidência de Alpha Oumar Konaré. De 2002 até 2007, foi presidente do parlamento maliano.

Bom trânsito no exterior

"É um senhor que inspira confiança e mesmo a sua estatura física inspira segurança. Isso é importante na nossa cultura", disse o diretor da rádio Jamana. Hamidou Konaté diz que quem conhece a trajetória de IBK na administração, "sabe que se trata de alguém digno de confiança."

No início da campanha, muitos dos vários motoristas de taxi em Bamaco colaram o cartaz da candidatura de IBK nos seus carros. O taxista Issa Konaté mostra orgulhosamente o cartaz com o rosto do seu candidato favorito. "Sim votei em IBK porque ele é para mim uma esperança. Tenho confiança nele e que ele está empenhado para o desenvolvimento do Mali", diz o taxista.
A experiência adquirida com os cargos exercidos no passado faz de Ibrahim Boubacar Keita um político que pode inovar e desenvolver o país. Ele conta com credibilidade no exterior.

Para Richard Zink, que dirige a delegação da União Europeia (UE) em Bamaco, Keita é um homem de contatos importantes. "Os doadores conhecem-no porque sempre dialogou conosco", diz. Para o representante da UE, um dos desafios de IBK será "constituir uma equipa sólida, rever a constituição, as estruturas e tomar decisões importantes sem muita demora", avalia.

Desafios

A tarefa mais urgente do próximo presidente do Mali será negociar a paz duradoura com a rebelião tuargue do Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA). Depois dos ataques ocorridos há duas semanas, a cidade de Kidal, anteriormente ocupada, está calma. Todos dizem, porém, que se trata de uma paz frágil.

Alguns analistas pensam que, caso IBK seja eleito, outra prioridade seria reforçar a presença dos militares malianos na região Norte do país. O jornalista Hamidou Konaté confirma esta tese. "Sim, ele é próximo do exército mas todos os outros são ou foram próximos das forças armadas".

Konaté acha que Keita não se posicionou de forma clara em relação ao golpe de Estado. "Ele diz que condenou o ato, mas também visitou a junta militar logo nas primeiras horas a seguir ao golpe."

Ibrahim Boubacar Keita tem ainda alguns dias para convencer os seus concidadãos de que o Mali será liberto dos problemas de corrupção e de imobilismo na sua administração. Um fardo político que é considerado herança do presidente deposto, Amadou Toumani Touré.

IBK também terá de garantir que está em melhor posição para negociar uma paz perene com os tuaregues. Ambos os desafios não parecem ser muito fáceis para um país tão dividido como o Mali.