Bissau: Infeções com HIV aumentam em tempo de pandemia | Guiné-Bissau | DW | 01.12.2020

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Guiné-Bissau

Bissau: Infeções com HIV aumentam em tempo de pandemia

Estima-se que, todos os dias, cerca de seis pessoas sejam infetadas com HIV na Guiné-Bissau. Organizações pedem mais envolvimento das autoridades para combater a doença.

Fotografia ilustrativa

Fotografia ilustrativa

Em Bissau, o Dia Mundial da Luta Contra a SIDA, que se assinala esta terça-feira, 1 de dezembro ficou marcado por uma marcha desportiva, da rotunda do Aeroporto Osvaldo Vieira à Praça dos Heróis Nacionais, sob o lema "Pratique Sexo Seguro."

Falando na ocasião, a Secretária Executiva de Luta contra a SIDA da Guiné-Bissau, Fatoumata Diarye Diallo, informou que "a taxa de prevalência de HIV/SIDA, da Guiné-Bissau é das mais altas da África Ocidental", acrescentando que "este é um dos maiores problemas de saúde pública, rodando os 5,3%, na faixa etária entre os 15 e os 49 anos de idade."

De acordo com dados da ONU SIDA, há mais de 44 mil pessoas infetadas com HIV no país. As mulheres, sobretudo as grávidas, são as mais afetadas, estando a maioria delas a viver na zona leste, nas regiões de Bafatá e Gabú, seguidas das regiões de Oio, Biombo (no norte) e nas ilhas de Bolama/Bijagós.

Números disparam com pandemia

Segundo o Secretado Nacional de Luta Contra a Sida (SNLS), com o confinamento, por causa da prevenção à Covid-19, houve um aumento do número de infeções com HIV. Em julho, o SNLS falava em cerca de seis infeções por dia, mas João Gomes Correia, presidente da "Sabunhima", uma das organizações de doentes com HIV/SIDA, teme que o número seja maior.

HIV / AIDS in Guinea-Bissau

Marcha contra o preconceito em dezembro de 2018

"Antes do confinamento, era mais de que isso. Imagine agora no confinamento. A relação sexual na Guiné-Bissau é desprotegida. Muitas pessoas que vivem com HIV estão nas ruas a levar a vida como podem." 

O dirigente mostra-se igualmente preocupado com o facto de muitos doentes mudarem constantemente de centro de tratamento. "Uma pessoa muda de um centro para outro, porque talvez alguém possa conhecê-la e acha que tem que ir ao centro mais longe", lamenta.

Estigma

Segundo João Gomes Correia, o estigma ainda é grande. Para ele, não há quaisquer motivos para celebrar neste Dia Mundial da Luta Contra a SIDA.

"Ainda há discriminação e estigmatização das pessoas e há milhares de mulheres que perdem casamento porque o marido descobriu que é seropositiva e vive com HIV", relata.

As organizações que trabalham com doentes com HIV/SIDA pedem ao Governo mais apoios. Segundo o SNLS, só estão garantidas 30% das necessidades do plano de combate à doença na Guiné-Bissau. Esses recursos são disponibilizados pelo Fundo Global de Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária.

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