Biden quer a imunização de 70% da população global em um ano | NOTÍCIAS | DW | 23.09.2021

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NOTÍCIAS

Biden quer a imunização de 70% da população global em um ano

Parceria entre EUA e UE quer doar 500 milhões de vacinas para imunizar 70% da população mundial em um ano. Secretário-geral da ONU indigna-se com disparidade na oferta de vacinas para ricos e pobres: "Uma obscenidade".

Os Estados Unidos vão comprar mais 500 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 para doar aos países mais pobres.

O anúncio foi feito esta quarta-feira (22.03) pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, numa cimeira organizada pela Casa Branca à margem da Assembleia Geral da ONU a decorrer em Nova Iorque com vista a aumentar as taxas de vacinação globais.

Numa altura em que aumenta a pressão sobre os países ricos para partilharem as vacinas contra a Covid-19, os Estados Unidos querem dar o exemplo. O Governo americano considera o anúncio como "mais um compromisso histórico". As doses serão compradas dos desenvolvedores Pfizer-BioNTech.

"Terão sido todas enviadas por esta altura no próximo ano e elevam o nosso compromisso total para 1,1 mil milhões de vacinas doadas", disse o Presidente norte-americano.

Serbien spendet Covid-19 Impfungen an Bosnien und Herzegowina

Disparidade na oferta de vacinas será combatida

"Compromisso de doar"

O encontro virtual de quatro horas juntou líderes de vários países, incluindo da África do Sul e do Reino Unido, bem como da Organização Mundial de Saúde. Durante o anúncio, Biden frisou que esta é uma crise global e, por isso, é preciso honrar compromissos.       

"Precisamos que os países mais riscos cumpram as suas promessas ambiciosas de doação de vacinas. É por isso que lançamos hoje uma parceria entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, para expandir as parcerias globais", explica.

Biden defendeu que o é necessário união "no compromisso de doar, não vender doses aos países de baixo rendimento" para que os imunizantes cheguem "sem intenções políticas" e para o apoio à COVAX como o principal distribuidor.

A nova parceria estabelecida entre os EUA e a UE visa atingir uma taxa global de vacinação de 70% até setembro de 2022, aquando da Assembleia Geral das Nações Unidas do próximo ano.

Pfizer-BioNTech COVID-19 Impfflaschen

Vacinas da Pfizer-BioNTech serão usadas para imunização em massa

Dúvidas quanto à sustentabilidade

De acordo com a contagem do OurWorldInData, 43,5% da população mundial recebeu pelo menos uma dose da vacina. Esse número, puxado pela corrida da vacinação nos países desenvolvidos, esconde desigualdades gigantescas, já que a proporção cai para apenas 2% nos países mais pobres.

Mas, apesar das aparentes boas intenções para dar a volta a este cenário, a caridade não pode ser a solução. Candice Sehoma, da organização Médicos Sem Fronteiras não acredita na sustentabilidade do modelo atual de doações.

"Precisamos de uma abordagem mais sustentável, que permita aos países produzir vacinas para responder às necessidades atuais. Tendo em conta que há muito açambarcamento de vacinas, a abordagem atual não ajuda", explica Sehoma.

A título de exemplo das desigualdades globais, até agora, foram administradas em todo o continente africano 135 milhões de doses de vacinas. A UE, com um terço da população africana, administrou quatro vezes mais doses.

Washington | Global Covid Summit | Präsident Joe Biden

Guterres classificou disparidade como "obscena"

"Uma obscenidade"

Já estão a ser aplicadas doses de reforço nos países mais ricos - os próprios Estados Unidos aprovaram a terceira dose da vacina Pfizer-BioNTech para pessoas com mais de 65 anos e grupos de pessoas com comorbidades.

Ao mesmo tempo, o prazo de validade de milhões de vacinas em armazéns termina no final do ano, segundo a consultora farmacêutica Airfinity.

"Um excedente em alguns países, prateleiras vazias noutros. A maioria do mundo mais rico vacinada, mais de 90% dos africanos ainda à espera da primeira dose. Isto é uma acusação moral do estado do nosso mundo. É uma obscenidade. Passámos no teste da ciência, mas recebemos negativa em ética", indigna-se o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Assistir ao vídeo 02:27

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