Bibi Titi Mohamed: A ″Mãe da Nação″ da Tanzânia | História de África - Raízes Africanas | DW | 17.01.2020
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História de África

Bibi Titi Mohamed: A "Mãe da Nação" da Tanzânia

Quando a Tanzânia se tornou um estado independente, Julius Nyerere foi aclamado como o pai da nação. No entanto, nada teria sido possível sem o poder mobilizador de Bibi Titi Mohamed. Conheça a sua história controversa.

Nascimento: Bibi Titi Mohamed nasceu em 1926, no centro de Dar es Salaam, no seio de uma família muçulmana. Como muitos dos seus pares que não receberam educação formal, aprendeu muito com os seus pais e familiares. Na década de 1950, Bibi Titi Mohamed foi uma das impulsionadoras da independência do Tanganica do domínio britânico ao lado de Julius Nyerere, sob a égide da União Nacional Africana da Tanzânia (TANU).

Curiosidade: Quando Bibi Mohamed se tornou uma figura pública, ela recebeu o nome "Titi" em alusão ao seu peito grande.

Reconhecida por: Bibi Titi Mohamed foi das primeiras mulheres a participar na luta pela independência do Tanganica. E no início da sua carreira política, convenceu um grande número de mulheres a juntar-se à luta. Como líder da ala feminina da União Nacional Africana da Tanzânia, foi a responsável por recrutar mulheres e convencê-las a apoiar as ideias e políticas do partido.

Criticada porApós a independência do Tanganica e nos primeiros anos da Tanzânia, formada após a união do Tanganica com Zanzibar, Bibi Titi ocupou diferentes cargos ministeriais no governo do Presidente Julius Nyerere. Mas a sua carreira terminou abruptamente quando começou a discurdar da ideologia socialista de Nyerere. Em 1969, juntamente com outras seis pessoas, entre as quais o ministro do Trabalho, Michael Kamaliza, e oficiais do exército, foi presa, acusada de conspirar para derrubar o governo. Bibi Titi  esteve entre os primeiros tanzanianos que enfrentaram acusações de traição. Após 127 dias de julgamento, Bibi Mohamed foi condenada a prisão perpétua. No entanto, foi libertada em abril de 1977 após receber um indulto presidencial. Depois disso, viveu isolada da sua família e dos seus antigos amigos do partido.

Legado: Depois de se afastar de Julius Nyerere, a informação acerca de Bibi Titi é escassa, pois durante muito tempo, o governo não deu qualquer informação acerca a seu respeito. Esta falta de reconhecimento da contribuição de Bibi Titi Mohamed para a luta de libertação do Tanganica acaba por refletir-se na falta de reconhecimento da contribuição das mulheres nesta luta.

No entanto, as coisas mudaram ligeiramente em 1991. No âmbito da comemoração do 30º aniversário da indepedência do país, Bibi Titi foi mencionada numa publicação do partidocomo "uma heroína da luta pela liberdade". Hoje, uma das principais ruas de Dar es Salaam tem o seu nome. Muitos tanzanianos recordam-na como a "Mãe da Nação".

DW African Roots | Bibi Titi Mohamed

Bibi Titi Mohamed mobilizou milhares de mulheres para a luta de libertação

Passaram-se mais de 50 anos desde que Bibi Titi Mohamed foi presa, em 1969. No entanto, ela continua a ser lembrada nas ruas de Dar es Salaam. Em entrevista à DW, o tanzaniano Pendo Magambo, lembra que Bibi Titi era "conselheira de Mwalimu Nyerere". "Aconselhava-o em muitas coisas. Por exemplo, sugeriu-lhe que aprendesse suaíli para que pudesse ter uma boa comunicação com o povo do Tanganica", diz.

Por seu lado, Kennedy Moses lembra que, "atualmente estamos a testemunhar casos de outras mulheres políticas como Halima Mdee e Esther Matiko que enfrentam a mesma situação, mas que se mantêm mulheres fortes na política".

Bibi Titi Mohamed continua a ser uma referência quando se fala de figuras que sacrificaram muito para libertar o Tanganica do domínio britânico.

Nascida em Dar es Salaam em 1926, Bibi Mohamed casou aos 14 anos de idade, com um homem mais velho, mas ela ambicionava mais do que apenas as lides domésticas. Francis Daud, historiador e professor na Escola Memorial Mwalimu Nyerere, recorda a entrada de Bibi Titi Mohamed na política: "Ela pode não ter tido acesso à educação formal, mas entrou naquilo a que chamamos de danças tradicionais e essas danças tradicionais deram-lhe a oportunidade de se juntar a uma ala política. Mais tarde, conheceu Julius Nyerere, que era, na altura - 1954 - um líder do nacionalismo africano, e que ficou muito impressionado com a sua coragem e determinação".

Ouvir o áudio 04:19

Bibi Titi Mohamed: A "Mãe da Nação" da Tanzânia

Bibi Titi Mohamed mostrou uma capacidade impressionante de mobilizar mulheres, em parte devido à sua proximidade com grupos de dança feminina. 

Cinco mil mulheres em três meses

Apercebendo-se do seu potencial para mobilizar as massas, Julius Nyerere fez dela a líder da União para Mulheres do Tanganica. Em apenas três meses, Bibi Titi conseguiu que mais de cinco mil mulheres se inscrevessem como membros da União Nacional Africana na Tanzânia (TANU).

A carreira política de Bibi Titi atingiu o seu auge quando, em 1961, já depois da independência do Tanganica, foi nomeada ministra das Mulheres e Assuntos Sociais. No entanto, e pouco tempo depois, após discordar da ideologia socialista de Nyerere. Bibi Titi foi acusada de conspiração para derrubar o governo. Foi julgada e condenada a prisão perpétua.

No entanto, no entender do historiador Daud, esta é uma história que precisa de ser recontada. "Como historiadores, consideramos Bibi Titi um exemplo da participação das mulheres na luta pela independência neste país", diz Daud, admitindo, no entanto, que "nos livros de História, o papel desempenhado pelas mulheres" foi esquecido. Ainda assim, acrescenta, "nas instituições de ensino superior, quando falamos aos estudantes sobre a luta de libertação, usamos Bibi Titi como um símbolo de como as mulheres foram parte dessa luta".

Bibi Titi saiu da prisão em 1977, após receber perdão presidencial. Mas nessa altura, a sua popularidade política já havia decrescido consideravelmente. Muitos amigos, e até o seu marido, abandonaram-na depois do julgamento. Bibi Titi acabou por seguir a sua vida discretamente, e longe da política, tendo morrido na África do Sul em novembro de 2000.

O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.

Assistir ao vídeo 02:03

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