Bento Kangamba e o repatriamento de capitais: ″Não há motivo para se preocuparem comigo″ | NOTÍCIAS | DW | 12.03.2018
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Bento Kangamba e o repatriamento de capitais: "Não há motivo para se preocuparem comigo"

O general angolano volta a opor-se ao repatriamento de capitais e diz que o Governo deve preocupar-se "com aqueles que prejudicaram os cofres do Estado".

O general Bento dos Santos "Kangamba", sobrinho por afinidade do ex-Presidente de Angola e líder do MPLA, o partido no poder, José Eduardo dos Santos, volta a opor-se à política de repatriamento de capitais empreendida pelo atual Presidente da República, João Lourenço.

Para o general e empresário angolano, do círculo mais restrito do antigo Presidente, mais do que legislar sobre o repatriamento de capitais é urgente acabar com as negociatas entre os membros do Governo e seus familiares.

O também secretário para a organização e mobilização periférica e rural do Comité Provincial do MPLA, em Luanda, diz que a lei em discussão no Parlamento não pode abranger aqueles cujas fortunas depositadas no estrangeiro não foram feitas com base em desvio do erário público. "Sou contra e continuo a dizer isso. Qualquer cidadão que tenha a sua vida e conseguiu guardar o seu dinheiro lá fora, não se sabe onde guardou, não temos que obrigar a que esse dinheiro volte para aqui, porque aquilo é dele”, considera Kangamba.

"Um Bento Kangamba que nunca trabalhou no Governo, que sempre assumiu o que tem, não há motivo para se preocuparem comigo. Têm de se preocupar com aqueles que se meteram em situações que prejudicaram os cofres do Estado", acrescenta.

Um projeto "sensível”

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Bento Kangamba: "Não há motivo para se preocuparem comigo"

Bento Kangamba é um dos poucos dirigentes do MPLA que têm tido a coragem de se opor à lei do repatriamento de capitais, um tema que incomoda muitos dirigentes no país. Um deputado da bancada parlamentar do MPLA, que falou à DW África na condição de anonimato, classificou o projeto-lei como "bastante sensível", já que se está a legislar sobre uma matéria que irá afetar os próprios parlamentares que nas vestes de membros do Governo adquiriram grandes propriedades e depositaram avultadas somas em bancos no estrangeiro.

Figura sempre mencionada em vários escândalos de corrupção, fuga ao fisco, ou ainda a tráfico internacional de mulheres para prostituição, que acabou mais tarde por ser ilibado pela justiça brasileira, Bento Kangamba é descrito como o "Abramovich angolano", sendo dono de um clube de futebol local, o Kabuscorp do Palanca, e financia dois clubes em Portugal, o Vitória de Setúbal e o Vitória de Guimarães.

Sucessão a JES "está a ser bem feita”

ANGOLA Verteidigungsminister João Lourenço (L) und Präsident Santos (C)

João Lourenço e José Eduardo dos Santos durante uma reunião do Comité Central do MPLA, em fevereiro de 2017

Questionado sobre se José Eduardo dos Santos deveria imediatamente abandonar a liderança do partido ainda este ano, tal como havia prometido, o general Kangamba afirmou que a promessa é para cumprir, acrescentando mesmo que José Eduardo dos Santos não é Samakuva, numa referência ao recuo do líder do maior partido na oposição, a UNITA, que se mantém na liderança, depois de ter prometido que abandonaria.  "Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O Samukuva é líder de um partido que nunca governou, Zé Eduardo é líder de um partido que governa há bastante tempo", afirma.

Para Bento Kangamba, a sucessão do Presidente José Eduardo do Santos está ser bem feita: "Já começou, no Governo da República, e agora vamos esperar que se faça também no partido. Já há uma indicação de alguém que está a liderar o país e resta agora esperar para ele [João Lourenço] ficar também como presidente do MPLA".

Olhando para a governação de João Lourenço, o dirigente do MPLA diz esperar que se corrija com urgência a impunidade e os negócios entre governantes e seus familiares. E exemplifica: "Às vezes, quando me nomeiam administrador, tenho de nomear também a minha filha ou a minha esposa também tem de ser secretária. Às vezes, se é nomeado ministro, depois criam-se duas empresas para prestar serviços ao ministério e é a empresa da minha filha. Essas coisas é que têm de se corrigir para o país estar bem".

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