Benguela: Ativistas denunciam intimidação e abusos durante detenção | Angola | DW | 08.07.2021

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Angola

Benguela: Ativistas denunciam intimidação e abusos durante detenção

Foram quatro dias atrás das grades em Benguela, no sul de Angola. Vinte e dois ativistas e um jornalista acusados de desobediência às autoridades falaram hoje sobre o período que passaram na cela e os abusos cometidos.

Os 23 ativistas detidos em manifestação no sábado foram absolvidos

Os 23 ativistas detidos em manifestação no sábado foram absolvidos

Os ativistas foram absolvidos pelo Tribunal de comarca provincial na terça-feira (06.07), depois de terem sido detidos no sábado (03.07), numa manifestação para pedir melhores condições de saúde em Angola.

Numa conferência de imprensa realizada hoje pela organização não-governamental OMUNGA sobre a detenção foi anunciado que houve violação dos direitos humanos.

João Malavindele, diretor executivo da OMUNGA, recordou que são recorrentes no país casos de intimidação de ativistas. E sublinhou que a prática do abuso de poder inviabiliza o processo de cidadania.

"Como estamos a falar de uma situação que é bastante recorrente, nos preocupa bastante, porque concluímos que pareceu ser um processo como uma forma de intimidar os ativistas e sobretudo limitar o exercício da cidadania em Angola.", disse.

Arbitrariedades e abuso de poder

"Entendemos que situações do género não podem voltar acontecer porque o direito de participação na gestão da vida pública é um direito constitucional. E mais na prática não é isso que nós assistimos, temos assistido a muitas arbitrariedades, até mesmo abuso de poder, que inviabilizam esse exercício", criticou ainda Malavindele.

Angola | Protest für bessere Gesundheit in Benguela

Manifestação ocorrida no último sábado em Benguela

Rafael Ulombe, jornalista da Rádio Despertar em Benguela, lamenta ter sido detido sem saber que crime cometeu. Conta que se identificou como jornalista, mas foi preso quando insistia por esclarecimentos ao comandante Filipe Cachota sobre a detenção dos ativistas.

"O comandante mandou-me prender, mas porque razão fui preso sem cometer nenhum crime?", questiona. "Insatisfeito com a situação que ocorreu, deixei claro ao tribunal quando fomos julgados - ele estava presente - que vou meter um processo contra o comandante Cachota. E também ao comandante da unidade de viação, que me deu um empurrão e até agora estou com dor de coluna", anunciou Rafael Ulombe.

"Fomos colocados numa casa de banho"

O jornalista deplorou também o tratamento a que os detidos foram sujeitos. "Chegados lá, não estivemos na cela, fomos colocados numa casa de banho. A minha roupa, que havia colocado, não consegui lavar porque estava cheio de fezes o casaco."

Florence Anfonso, de 16 anos de idade, considerada a ativista mais jovem de Angola, também contou à DW as intimidações que sofreram por parte dos agentes. "Os meus irmãos foram maltratados, começaram a ser chamados de frustados, liambeiros, essas coisas todas."

"A um dos nossos ativistas foi-lhe posto gás lacrimogéneo nos olhos simplesmente por estarmos a reclamar por um polícia nos estar a exibir a camisa do MPLA, dizendo votem no João Lourenço. E houve um polícia que disse: se vocês continuarem a fazer esse tipo de brincadeira vão ser aniquilados", recorda.

Avelino Cajamba Jos, secretário provincial adjunto da UNITA em Benguela, diz que as grandes cidades não podem ser dirigidas por pessoas com um nível de entendimento reduzido. "Benguela não pode continuar a depender das ordens do senhor Cachota. Quem lhe deu competência para comandante municipal tem de refletir sobre pena de manchar a imagem da corporação e sobretudo de quem lhe deu essa competência", criticou.

Assistir ao vídeo 01:21

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