Avaliação da FAO gera críticas em Angola | MEDIATECA | DW | 13.06.2013
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MEDIATECA

Avaliação da FAO gera críticas em Angola

Angola e São Tomé e Príncipe são dois dos 38 países que conseguiram bons resultados na luta contra a fome, diz a FAO. Paradoxalmente em Angola atualmente milhares de pessoas vivem uma crise alimentar.

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De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, 20 países já cumpriram o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio número 1 (ODM-1), reduzindo para a metade a proporção de pessoas que sofre de fome.

Angola e Brasil fazem parte dos bem sucedidos, o país africano conseguiu diminuir em 57% o número de pessoas sujeitas a fome desde 1990-92, passando dos 63% da população para os 27%.

Entretanto, a notícia colide com a crise alimentar que atinge as regiões centro e sul do país, nomeadamente Huíla, Cunene e Namibe, onde mais de um milhão de pessoas estão afectadas.

O padre Jacinto Wakussanga, responsável pela Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Gambos na província da Huíla, e que acompanha de perto o caso, interroga-se:" não sei qual é a base de seriedade académica onde esse relatório da FAO se baseou ou quais são os critérios que levaram a FAO a concluir que até 2015 Angola estará perto de erradicar a fome. Infelizmente os dados que nós temos, não só da Huíla, mas de todo o país não sustentam a afirmação da FAO".

"Fim da fome em Angola está longe"

Para o padre Jacinto Wakussanga também as calamidades naturais mostram que o fim da fome ainda não está a vista, pois elas ameaçam muitas comunidades, porque há enchentes que danificam as culturas.

Face a esta contradição entre o sucesso e a existência de focos de fome a DW África ouviu também a FAO. O economista da organização, Andre Croppenstedt, explica: "o sucesso por parte de Angola nos objectivos Cimeira Mundial sobre a Alimentação devem-se a uma medida tomada em 1992, tendo diminuído a proporção de pessoas que estão sujeitas a fome. Cerca de 65 mil pessoas sofrem de má nutrição, houve um decrescimo de pessoas sujeitas a fome, portanto há melhorias. Não é todo o país que tem problemas, no que se refere a zonas específicas é verdade que há sérios problemas."

O progresso dos países foi medido entre 1990-1992 e 2010-2012, em relação ao estabelecido pela comunidade internacional na Assembleia Geral das NaçõesUnidas no ano 2000. De acordo com o FAO os resultados antingidos pelos países antecipam assim o prazo fixado para 2015.

Mesmo assim o padre Jacinto Wakussanga não acredita que a fome estará extinta até essa altura.

São Tomé e Príncipe é considerado exemplar

Para além do ODM 1, há outro objectivo estipulado pela mesma cimeira, e considerado mais exigente, denominado CMA, Cimeira Mundial sobre a Alimentação, que visa reduzir para metade em números absolutos de pessoas com fome entre 1990-1992 e 2010-2012. São Tomé e Príncipe, é um dos que conseguiu também ultrapassar a meta e por isso considerado um exemplo, para além de ter cumprido o ODM 1. O país reduziu em 66% a proporção de pessoas com fome desde 1990-1992, passando dos 23% para os 8%, ou seja, de cerca de 19 mil para as cinco mil pessoas. Segundo um estudo da FAO, "O estado da insegurança alimentar no mundo - 2012", a grande maioria das vítimas de fome, 852 milhões, vive em países em desenvolvimento - cerca de 15% da sua população - e cerca de 16 milhões de pessoas vivem com fome nos países desenvolvidos.