Aumento no preço dos combustíveis ″asfixia″ moçambicanos | NOTÍCIAS | DW | 02.07.2022

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NOTÍCIAS

Aumento no preço dos combustíveis "asfixia" moçambicanos

Pela terceira vez desde o início do ano, os preços dos combustíveis voltaram a aumentar em Moçambique. Para economista, novos preços podem indicar "interesses económicos" de indivíduos que influenciam o poder político.

Symbolbild Tankstelle

Novos preços entram vigor hoje, mas cidadãos relatam insatisfação.

A Autoridade reguladora de Energia (Arene) de Moçambique anunciou ontem mais um aumento do preços dos combustíveis que passa a vigorar a partir deste sábado (02.07). 

Com o aumento, a gasolina, que em maio custava 83,30 meticais (cerca de 1,25 euros por litro), agora passa para para 86,97 meticais (cerca de 1,29 euros).

O gasóleo, de 78,97 meticais (1,18 euros) passa agora para 87,97 meticais (1,32 euros) e o gás de cozinha regista o maior aumento passando de 85,53 (1,27 euros) por quilograma para para 102,2 meticais (1,53 euros).

Prevê-se que, nos próximos dias, estes aumentos afetem o preço de outros produtos básicos- como o arroz, a farinha de milho, o óleo, o açúcar, o pão e os transportes.

Mosambik Inhambane Impression Stadt und Leute

Prevê-se que, nos próximos dias, estes aumentos afetem o preço de outros produtos básicos, como o pão (foto de arquivo).

 "Basta, a vida está cada vez mais difícil"

Se os últimos aumentos registados em meados de maio deste ano já asfixiavam a vida dos cidadãos, sobretudo de baixa renda, com os recentes aumentos a vida poderá ficar ainda "mais difícil".

Cidadãos ouvidos pela DW África neste sábado (02.07) - dia em que entram em vigor os novos preços - relatam que o custo de vida está "insustentável" para cidadãos que vivem com salário mínimo equivalente a cerca de 5.200 meticais (78 euros).

Sebastião Machava tem 50 anos, e cinco filhos. Ele trabalha com o carrinho de tração humana conhecido como "tchova" e o lucro diário não chega para arcar com despesas de comida, transporte para seus filhos e afirma.

"Está demais, 'basta'", desabafa. "Veja que com este 'tchova' só consigo fazer algumas vezes 100 meticais por dia, outras vezes 150, mas há vezes que nem isso consigo", queixa-se Machava.

Também o cidadão Florêncio Albano, de 38 anos, queixa-se. Vendedor de material de ferragem no maior mercado informal de Maputo, o "Xikeleni", ele afirma que não consegue fazer por semana o equivalente a 50 euros.

"Precisei refazer as contas e por causa disso [do aumento de preços] já não ando de chapa. Eu tenho que percorrer 15 quilómetros por dia para chegar aqui e começar a vender o material", disse. 

Um transportador semicoletivo de passageiros, que não quis ser identificado, refere que "os custos operacionais das suas viaturas estão aquém do desejado", e pede "aumento imediato do preço do transporte para o equivalente a 0,23 cêntimos".

Mosambik Nampula Tankstelle

Foto de arquivo.

Medidas para mitigar impactos

A economista do Centro de Integridade Pública (CPI), Estrela Charles, lembra, contudo, que o Governo de Moçambique anunciou um conjunto de medidas de mitigação com vista a atenuar o impacto do aumento dos preços dos combustíveis.

Das medidas anunciadas consta a redução das margens, tanto do distribuidor, como do retalhista, em 15% - o que até aqui não está a ser visto.

"As medidas de mitigação devem ser implementadas com urgência uma vez que o país já está a ressentir-se dos efeitos da subida do preço dos combustíveis à nível internacional. Em Maio de 2022 o preço de bens e serviços atingido 9,3%", disse ela.

A economista entende que a não implementação das referidas medidas de mitigação, associada ao aumento das margens dos distribuidores do combustível, "pode mostrar que, por um lado, há tendência do Governo de manter os lucros elevados para as empresas, em detrimento do cidadão" e, por outro lado, "a possível existência de interesses económicos no setor por parte de indivíduos com poder de influenciar o poder político", diz.

Estrela Charles entende ser urgente que o Ministério dos Recursos Minerais e Energia e a Autoridade Reguladora de Energia (Arene) revisem a estrutura de preços para "reduzir os itens que tornam o preço final do combustível mais elevado".

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