Argélia: Manifestantes não desistem até derrubar clã Bouteflika | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 06.04.2019
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Internacional

Argélia: Manifestantes não desistem até derrubar clã Bouteflika

Milhares de pessoas saíram às ruas, em Argel, pela sétima sexta-feira consecutiva, e a primeira após a demissão do Presidente do país. Exigem demissão do primeiro-ministro e outros aliados do ex-chefe de Estado.

Milhares de argelinos concentraram-se, esta sexta-feira (05.04), na capital para a primeira manifestação após a demissão do Presidente Abdelaziz Bouteflika, no início desta semana, e exigem agora a saída dos restantes dirigentes, com o apoio assumido do exército. Esta foi a sétima sexta-feira desde 22 de fevereiro, em que os argelinos se manifestaram contra a liderança política, que consideram "corrupta e repressiva". 

Na manhã deste sábado (06.04), e depois da enorme afluência dos protestos de sexta-feira, os primeiros após a saída de Bouteflika, entra em campo a "operação limpeza". Uma parte fundamental para os organizadores do movimento à frente destas manifestações. Vários voluntários, juntamente com equipas de limpeza, recolhem as garrafas, papéis e todo o tipo de lixo que foram largados nas ruas, por ocasião dos protestos. O objetivo é claro: mostrar que estes protestos são diferentes, e acima de tudo, pacíficos.

Demissão dos "3B”

Após a saída de Bouteflika, os milhares de manifestantes querem agora a demissão do primeiro-ministo Noureddine Bedoui, do presidente do Conselho Constitucional Tayeb Belaiz, e do presidente da Câmara Alta do Parlamento, Abdelkader Bensalah, que designam por "3B" e a quem consideram serem membros "da máfia do poder" criada por Bouteflika.

"[A demissão de Bouteflika] é uma pequena vitória, mas os outros [dirigentes] devem sair também", afirmou Salim Mehdi à agência Associated Press, um manifestante de 40 anos que se dirigia com os restantes para o emblemático edifício dos correios, perto da sede do Governo no centro de Argel, capital da Argélia. Mehdi explicou que participava no protesto para mostrar a sua frustração perante um "sistema podre e corrupto", onde as mesmas caras estão no poder há demasiado tempo, e considerou ainda que as oportunidades económicas são limitadas fora das elites políticas, razão pela qual ainda vive com os pais e nunca se casou.

De regresso a casa...

Segundo a AFP, são vários os argelinos que têm regressado ao país nos últimos dias. "Tirei licença para estar aqui fisicamente", disse Chahrazade Kaci, que chegou de Londres poucos dias antes do presidente Abdelaziz Bouteflika se demitir. Para esta jovem, que passou quase metade da sua vida na capital britânica, estar, neste momento, na Argélia, "é um dever".

A partida de Bouteflika foi "apenas o começo", considera Kaci, afirmando que ainda "está para vir a partida do resto do 'bando' e a construção de uma segunda República".

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