Argélia exige a Paris o ″respeito total do Estado argelino″ | NOTÍCIAS | DW | 11.10.2021

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NOTÍCIAS

Argélia exige a Paris o "respeito total do Estado argelino"

São as primeiras declarações do Presidente Abdelmadjid Tebboune, desde a crise diplomática desencadeada pelo seu homólogo francês. Macron questionou a existência da "nação argelina antes da colonização francesa".

O regresso do embaixador argelino em França, chamado no início deste mês a Argel após observações críticas do Presidente francês, Emmanuel Macron, está "condicionado ao respeito total do Estado argelino" por Paris, disse este domingo (10.10) o Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune.

O eventual regresso do embaixador da Argélia em França "está condicionado ao respeito da Argélia, ao respeito total do Estado argelino", afirmou Tebboune à comunicação social argelina, na primeira declaração pública em reação às observações do seu homólogo francês.

"Esquecemos que [a Argélia] foi uma colónia francesa (...). A história não deve ser falsificada", acrescentou.

O Presidente Tebboune, que é também comandante supremo das forças armadas e ministro da Defesa, sublinhou que "o Estado está de pé com todos os seus pilares, com o seu poder, o poder do seu exército e do seu povo valente".

Algerien - Präsident Macron in Algiers

Emmanuel Macron em Argel, em dezembro de 2017.

Objetivos eleitorais escondidos?

O chefe de Estado sublinhou ainda, em relação à história argelina e à colonização francesa, que "não se pode fingir que nada aconteceu". Quanto ao "resto, são assuntos internos deles", afirmou, sugerindo a existência de eventuais objetivos eleitorais escondidos nas observações críticas de Macron.

Macron desencadeou uma crise diplomática com Argel através de comentários relatados no dia 2 de outubro, pelo jornal francês Le Monde, em que terá descrito o país como um "sistema político-militar" com uma "história oficial reescrita", durante um encontro com descendentes de figuras proeminentes da guerra de independência argelina. 

De acordo com o Le Monde, o Presidente francês terá ainda declarado que "a construção da Argélia como nação é um fenómeno a ser observado". 

"Havia uma nação argelina antes da colonização francesa? Esta é a questão (...)", afirmou Macron. Esta foi uma das passagens que mais ofendeu a opinião pública e oficial argelina. 

A 2 de outubro, Argel decidiu chamar de "imediato" o seu embaixador em Paris e proibiu os aviões militares franceses da operação Barkhane - uma operação anti-insurgência radical islâmica no Sahel, constituída por forças francesas - de sobrevoarem o seu território.

Na terça-feira passada, o Presidente Emmanuel Macron afirmou a intenção de "apaziguar" o tema da memória entre a França e a Argélia e apelou a Argel para que "avance junto" com Paris e "reconheça todas as memórias".

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