Apoio popular à imprensa livre cai para menos de metade em África | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 03.05.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Apoio popular à imprensa livre cai para menos de metade em África

Há menos pessoas a apoiar uma imprensa livre em África. É a conclusão de um estudo do Afrobarómetro divulgado no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala esta sexta-feira.

Protesto a pedir liberdade de imprensa no Uganda, em maio de 2013

Protesto a pedir liberdade de imprensa no Uganda, em maio de 2013

Cabo Verde, com uma diminuição de 27%, é o segundo país, atrás da Tanzânia, a registar a maior queda no apoio popular à liberdade de imprensa, desde que começou a ser seguido pelo Afrobarómetro, em 2011. Também em Moçambique o apoio à comunicação social livre caiu 15 pontos percentuais.

Os dados, baseados em inquéritos realizados em 34 países, revelam que os apoiantes de uma imprensa sem restrições são agora menos (47%) do que aqueles que acreditam que os governos devem ter o direito de proibir publicações que considerem prejudiciais (49%).

Assistir ao vídeo 01:59

Gâmbia: liberdade de imprensa está de regresso

A própria qualidade do jornalismo pode ser uma das razões por trás deste recuo, segundo Jeff Conroy-Krutz, que liderou o estudo da rede de investigação pan-africana: "Muitos meios de comunicação são tendenciosos, apresentam perspetivas muito limitadas", refere.

"Há preocupação quanto à queda da qualidade do jornalismo à medida que o número de atores nos média aumenta. Também há o aumento do discurso de ódio em muitos países e toda a atenção dada à desinformação - as 'fake news'. As pessoas podem não estar a reagir bem ao que vêem na comunicação social", comenta Conroy-Krutz.

Os ataques políticos à imprensa, diz o autor do estudo, podem também ter um papel relevante na queda do apoio popular à liberdade da comunicação social.

"Cada vez mais políticos poderosos, dirigentes africanos, mas também em todo o mundo, estão a atacar a imprensa, porque se sentem ameaçados por esta comunicação social com um novo fôlego. Os cidadãos podem estar a responder a estes ataques, a assumir posições mais negativas em relação aos média, e estão mais dispostos a apoiar as restrições governamentais", acrescenta.

Suspensos por falarem sobre opositor

Em destaque no relatório do Afrobarómetro, ao lado de Cabo Verde, surge também o Uganda, com um declínio significativo (21%) no número de apoiantes da imprensa livre.

Assistir ao vídeo 02:42

Bobi Wine sonha com a liberdade no Uganda

Este é um dado divulgado numa altura em que os jornalistas ugandeses ameaçam sair à rua em protesto ou mesmo recorrer ao Tribunal Constitucional depois da suspensão de dezenas de profissionais de várias rádios e canais de televisão pela cobertura do caso do músico e líder da oposição Bobi Wine.

A estrela da pop ugandesa foi libertada esta quinta-feira (02.05) sob fiança depois de passar três dias numa prisão de segurança máxima, acusado de organizar protestos ilegais.

Vários jornalistas que cobriram o caso foram suspensos pela Comissão de Comunicações do Uganda. Outros dizem estar a ser alvo de ameaças e intimidações.

"Os jornalistas estão a ser acusados de promover a oposição e a receber chamadas telefónicas", denuncia o diretor da Rede de Direitos Humanos para os Jornalistas do Uganda, Robert Sempala.

Ouvir o áudio 03:40

Apoio popular à imprensa livre cai para menos de metade

"É um desenvolvimento lamentável para semear o medo entre os meios de comunicação social e impedi-los de fazerem uma cobertura justa e objetiva da oposição e visões dissidentes", afirma.

Bobi Wine deverá ser julgado pela organização de um protesto, em julho passado, contra o imposto cobrado para a utilização das redes sociais, uma lei aprovada pelo Governo do Uganda em 2018 que o Afrobarómetro aponta como exemplo das crescentes medidas de restrição das liberdades e do acesso aos média adotadas no continente africano - medidas que muitos acreditam servir, sobretudo, para silenciar mensagens anti-Governo e pró-oposição, refere o relatório divulgado pela rede pan-africana.

Ainda assim, o estudo diz que, globalmente, há mais africanos a considerarem que a liberdade de imprensa para investigar e criticar os governos está a aumentar. Mas aponta um "paradoxo preocupante": os resultados revelam que aqueles que referem um aumento da liberdade de imprensa têm uma maior tendência para apoiar as restrições do Governo aos média.

Noutras palavras, a maioria dos africanos inquiridos pelo Afrobarómetro parece olhar para o aumento da liberdade de imprensa como um desenvolvimento negativo, dizem os autores.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados