António Venâncio: Eleição no MPLA manchada por ″fracasso″ | Angola | DW | 10.11.2021

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Angola

António Venâncio: Eleição no MPLA manchada por "fracasso"

Eleição no MPLA está manchada "pelo fracasso da não implementação das múltiplas candidaturas". É o que diz António Venâncio, após o partido confirmar apenas João Lourenço na corrida e não estender prazo de candidaturas.

António Venâncio reagiu após confirmação de João Lourenço como candidato único à liderança do MPLA

António Venâncio reagiu após confirmação de João Lourenço como candidato único à liderança do MPLA

A informação da nulidade da candidatura de António Venâncio à presidência do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) caiu como uma bomba, esta terça-feira (09.11), nas hostes do oponente de João Lourenço.

Venâncio está a trabalhar no interior de Angola, mas assegurou que a resposta da missiva que solicitou a extensão do prazo de candidatura à subcomissão se encontra em Luanda e garante que dará uma conferência de imprensa para falar do processo esta quarta-feira (10.11). 

Em entrevista exclusiva à DW, António Venâncio mostrou-se desiludido e defendeu que o não avanço da sua candidatura é um fracasso do MPLA, porque as múltiplas candidaturas foram decididas aquando da realização do sétimo congresso ordinário em 2016.

"O nosso mandato está manchado por esse fracasso da não implementação das múltiplas candidaturas aos níveis intermédios e aos níveis mais altos", disse Venâncio à DW, acrescentando que a situação fragiliza o partido no "espetro político nacional". 

Prorrogação de candidaturas é "impraticável"

A subcomissão de candidaturas da Comissão Nacional Preparatória do VIII congresso ordinário do partido no poder confirmou esta terça-feira que João Lourenço é o único candidato na corrida à liderança do MPLA e que a candidatura de Venâncio não foi apresentada no período estipulado – entre 20 de outubro e 5 de novembro. 

Citado pela agência de notícias Lusa, Joaquim Miguéis, membro da subcomissão de candidaturas da Comissão Nacional Preparatória do VIII congresso, que se realiza entre 9 e 11 de dezembro, considerou que o pedido de prorrogação de prazo para apresentação da sua candidatura, por força das normas estatutárias, é "impraticável".

De acordo com Joaquim Miguéis, o processo seguirá a sua marcha com a realização da campanha eleitoral, cuja duração será de 15 dias, estimando-se o seu início em 23 de novembro e o desfecho a 7 de dezembro.

Angola Luanda Kongress MPLA

VIII Congresso do MPLA realiza-se entre 9 e 11 de dezembro

Despesas

Para o politólogo Manuel Gonga, do Kwanza Norte, a cúpula do MPLA está a ser infeliz por impedir a progressão de António Venâncio.

De acordo com Gonga, se já se soubesse que João Lourenço seria o candidato único à presidência do partido, evitar-se-ia as despesas enormes para a realização das conferências provinciais e do congresso.

"Então, mas um único candidato vai mais concorrer com quem? É preciso votar! Com certeza, era só declarar que 'nós apoiamos este candidato' e pronto. Agora, ir à conferência, [com] gastos daqui, consumismo dali. Acho desperdício de valores, o próprio MPLA devia aproveitar e encaminhar os valores que vai gastando nesse processo e apoiar a população que está a enfrentar problemas sérios", defende o politólogo. 

"Nada de estranhar"

Já o cidadão Israel da Silva, na província de Malanje, aplaude a determinação de António Venâncio, que conta com 48 anos de militância no partido dos camaradas. 

"Nada de estranhar. Tínhamos a noção de que valia verdadeiramente a intervenção do senhor António Venâncio em querer disputar esse cadeirão pela primeira vez, o resto nada é novo", diz Israel da Silva, que continuou: "Mas seria bom se houvesse [a candidatura de Venâncio], porque demonstraria para o mundo e em Angola em geral de que o MPLA está a se democratizar". 

Em Luanda, o ativista dos direitos humanos Joaquim Lutambi também diz que não se surpreendeu com a nulidade da candidatura de António Venâncio. "Este é um posicionamento que nós não tínhamos tanta expetativa, na medida em que o MPLA é uma ditadura das piores do século 21. É uma pena, porque devia servir este processo de democratização interna do próprio MPLA", conclui Lutambi. 

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