Angola: UNITA reafirma negociações com MPLA sobre transição | Angola | DW | 02.08.2022

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Angola

Angola: UNITA reafirma negociações com MPLA sobre transição

Líder da UNITA reitera ter mantido encontros com dirigentes do MPLA para abordar eventual transição pós-eleitoral e critica os adversários por defender ilegalidades e ameaçar com instabilidade para se manter no poder.

Adalberto Costa Júnior comentava, em declarações à Lusa, a conferência de imprensa de segunda-feira (01.08), em que o secretário do MPLA para os assuntos políticos e eleitorais, João "Jú" Martins, em que desmentia a existência de negociações e apelidou o líder da UNITA de "lunático" por pensar em vencer as eleições.

"Agora vem dizer que não abordamos nada disto? Então falamos de quê durante três horas e meia", questionou, referindo-se ao encontro que manteve com dirigentes da UNITA no qual, segundo João Martins, não foi abordado o tema da transição.

Para Costa Júnior, a reação do MPLA deveu-se aos contactos que manteve no sábado no Cazenga, um dos municípios mais populosos e densamente povoados de Luanda, depois da UNITA e outros partidos da oposição angolana serem forçados a cancelar uma marcha a favor da transparência e legalidade do processo eleitoral por recomendação do governo provincial de Luanda.

"Sentiram-se expostos", disse o dirigente do partido do Galo Negro, manifestando-se "feliz pela intervenção de João Martins.

Durante o seu contacto com a população, segundo o seu relato, AdalbertO Costa Júnior defendeu o cumprimento das leis eleitorais, insistiu na existência de dolo devido às irregularidades dos cadernos eleitorais e reafirmou ter havido contactos para negociar a transição com o MPLA.

Arranque da campanha eleitoral da UNITA em Benguela

Arranque da campanha eleitoral da UNITA em Benguela

UNITA aberta ao diálogo

"Eu quis partilhar com os angolanos que do lado da direção da UNITA tem havido pontes para a transição, pontes para o diálogo", sublinhou.

"Penso que quantos mais encontros, quanto mais diálogos houver, melhor para o país, numa democracia as alternâncias ocorrem", salientou, exortando o MPLA a "sair desse pensamento, por que Angola não é uma propriedade privada do MPLA".

Lamentou ainda que João Martins tenha dito que algumas das ações que a UNITA estava a organizar teriam um "caráter subversivo" e que a "subversão foi vencida a 22 de fevereiro de 2002", numa alusão à morte em combate de Jonas Savimbi, fundador daquele partido, o maior da oposição angolana e que durante quase 30 anos travou uma guerra contra as forças governamentais apoiadas pelo MPLA.

Registo eleitoral: "Angola não aprende com os erros"

"Os atos de campanha de um partido não são atentados contra a segurança do Estado", respondeu Adalberto da Costa Júnior, considerando que ao considerar que os atos do presidente da UNITA são um atentado contra a democracia, o dirigente do MPLA "ajudou as pessoas a perceber que está na altura de o MPLA ir para casa, com urgência".

Adalberto Costa Júnior acusou ainda o partido que governa Angola desde a independência, em 1975, de querer manter o poder a qualquer custo.

"Ele (Jú Martins) disse que enquanto estivessem aqui não iríamos ganhar por que foram eles que ganharam a guerra. Então o problema não é com a UNITA, não é com Adalberto, é com o povo", afirmou, sublinhando que "o povo está atento e está maduro".

O presidente da UNITA disse à Lusa que "o MPLA defende ilegalidades para ficar no poder e ameaça com instabilidade".

"Não vou dar troco às cascas de banana"

Questionado sobre se sentiu ameaçado, diz que está preparado para isso. "Não vou dar troco às cascas de banana. O MPLA tem tido ao longo dos anos o hábito de provocar, mas não vai ter resposta com atos de violência e, por  isso, estão a ficar nervosos", considerou o dirigente político.

"Assim o povo fica a saber que o MPLA tem um programa de manutenção do poder a qualquer custo", realçou.

João Martins disse, na segunda-feira, que foi abordado pelo presidente do grupo parlamentar do MPLA, no sentido de se disponibilizar para um encontro com o presidente da UNITA, do qual deu nota ao presidente do partido - João Lourenço, também Presidente da República de Angola e que se recandidata ao cargo - e que se realizou em 27 de maio, num hotel de Luanda.

Ao longo de três horas e meia, falou-se de problemas do momento político atual, nomeadamente as listas dos eleitores e o tratamento da base de dados, bem como visibilidade dada pela imprensa pública à UNITA, mas não se abordaram questões relativas à transição.

Líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior

Líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior

"Qual transição?"

"Qual transição, qual negócio", sublinhou Martins, acrescentando que, para tratar de assuntos dessa natureza, teriam de ser mandatados pela direção do partido, e não apenas pelo seu líder, já que "o poder se conquista, não se negoceia".

No encontro, foi também transmitido ao presidente da UNITA que algumas das ações que estava a organizar poderiam ter "um caráter subversivo" e que "a subversão foi vencida a 22 de fevereiro de 2002 [quando o líder e fundador da UNITA, Jonas Savimbi foi morto em combate pelo exército angolano] e foi vencida pelo Estado angolano".

"Por isso, alertámos que não era avisado ele deixar que algum tipo de ações pudesse ter esse cunho, porque aí não era o MPLA que iria contender com a UNITA, e sim o Estado angolano com as suas instituições", frisou.

"Como o fez em fevereiro de 2002, também o faria agora se continuarem a ser realizadas ações que perigam a estabilidade, a ordem pública, fora da matriz da contenda política", vincou o mesmo responsável.

Angola realiza as suas quintas eleições gerais em 24 de agosto (depois de 1992, 2008, 2012, 2017, todas ganhas pelo MPLA) decorrendo a campanha eleitoral com oito forças políticas concorrentes.

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