Angola: UNITA quer limpar imagem de Savimbi ″denegrida pela história do MPLA″ | Angola | DW | 23.02.2019
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Angola

Angola: UNITA quer limpar imagem de Savimbi "denegrida pela história do MPLA"

O maior partido da oposição angolana disse, este sábado (23.02), que quer que se conte e analise a "verdadeira" história sobre o co-fundador do partido, para que este possa ser elevado ao estatuto de herói nacional.

Ao discursar no final da I Conferência Nacional sobre o Ano da Consagração da Memória de Jonas Malheiro Savimbi, que decorreu, este sábado (23.02) em Talatona, na zona sul de Luanda, o líder da UNITA, Isaías Samakuva, lamentou a "deturpação" e o "denegrir" da imagem com que a "história do MPLA" tratou o fundador da UNITA que foi, a seu ver, "um nacionalista implacável" que sempre defendeu a unidade de Angola e "nunca traiu a pátria ou se deixou corromper".

"O presidente fundador da UNITA nunca se vergou aos interesses hegemónicos de nenhuma potência estrangeira, nem de nenhum grupo nacional.

Angola Isaias Samakuva Präsident der National Union for the Total Independence of Angola (Getty Images/AFP/S. de Sakutin)

Isaías Samakuva, UNITA

Comandou exércitos, venceu batalhas, administrou territórios, conquistou poder e geriu milhões de dólares, mas nunca traiu a Pátria, nunca hipotecou o futuro do país, nunca utilizou os recursos públicos para enriquecimento pessoal ou dos seus filhos, nunca desviou dinheiro de Angola para o estrangeiro", sublinhou Samakuva.

Sobre as exéquias fúnebres de Savimbi, que foi morto em combate a 22 de fevereiro de 2002, e cujo corpo foi exumado a 31 de janeiro último para vir a ser sepultado na aldeia natal de Munhusse, no Andulo (Bié), Samakuva considerou um ato "justo" para que este possa "descansar eternamente no local da sua própria escolha".

Estatuto de "herói nacional"

No encontro deste sábado, o secretário-geral da UNITA, Franco Marcolino Nhany, apresentou o ciclo de atividades alusivas às exéquias fúnebres de Jonas Malheiro Savimbi. Foi neste contexto que, este responsável deu conta que a UNITA quer que se conte e analise a "verdadeira" história sobre o cofundador do partido, morto em combate em 2002, para que este possa ser elevado ao estatuto de herói nacional.

Segundo o cronograma apresentado, o maior partido da oposição angolana vai realizar mais duas conferências nacionais antes das cerimónias fúnebres, com a segunda marcada para 13 de março e a terceira para 28 do mesmo mês, para que possa dar a conhecer a "verdadeira dimensão" de Jonas Savimbi.

Jonas Savimbi Rebellenführer Angola SW (AP)

Jonas Savimbi foi morto em combate a 22 de fevereiro de 2002.

Franco Nhany salientou que se pretende mostrar Jonas Savimbi como "estratega, político, diplomata, humanista, homem de letras e de cultura, patriota, promotor da valorização da mulher e da juventude e ainda como pai e homem de família", temas que serão abordados ao longo das conferências. "Os adversários continuam a denegrir e a ofuscar [a imagem de Jonas Savimbi] para manipular a História. Mas a postura e o legado está a ser compreendido por todos os angolanos e é já uma fonte de inspiração, pois marcou a História da luta pela independência e pela democracia", sublinhou.

Combate à corrupção está "incompleto", disse Samakuva

Na mesma ocasião, o presidente da UNITA criticou as medidas governamentais relacionadas com a justiça, defendendo que o combate à corrupção em Angola está "incompleto" e "mal direcionado", não se esgotando na detenção de "alguns tubarões".

"A luta que hoje se faz contra a corrupção está mal direcionada. A verdadeira luta contra a corrupção sistémica não pode ser dirigida para satisfação de objetivos políticos pessoais ou de grupos, mas sim contra o sistema corruptor, montado e dirigido pelo MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola - MPLA]", disse Isaías Samakuva.

Na sua intervenção de 45 minutos, o líder da UNITA exigiu a revisão da Constituição de 2010, que dá plenos poderes ao Presidente da República,alterações na lei e na composição da Comissão Nacional Eleitoral, para a transformar numa entidade "independente", e a mudança de regime.

Portugal Joao Lourenco angolanischer Präsident (DW/J. Carlos)

O Presidente João Lourenço prometeu pôr fim à corrupção em Angola durante o seu governo.

"O objetivo [da luta contra a corrupção] não deve ser o branqueamento da imagem de um partido, mas sim o resgate da pátria e a libertação do Estado das garras da oligarquia, o que implica a mudança de regime, do sistema no seu todo e a efetivação real da transição democrática acordada em Bicesse", a 31 de maio de 1991, que selou o acordo de paz entre MPLA e UNITA e levou à realização de eleições gerais em 1992, disse Samakuva.

Nesse sentido, o líder do partido do "Galo Negro" insistiu na questão do combate à corrupção, salientando que há ainda "muito por fazer" . "A luta é seletiva porque parece dirigir-se apenas contra certas pessoas do sistema e não contra o sistema em si, que está montado para a sobrevivência do 'partido-estado' com a corrupção. Todos sabem que ministros, governadores e outros dirigentes são utilizados para roubar o Estado e financiar o 'partido-estado'", acusou.

Fim das fraudes, pede UNITA

Para Samakuva, a liderança do MPLA, partido dirigido por João Lourenço, "reconheceu alguns dos atos de corrupção que cometeu" ao longo da História de Angola, com particular ênfase no próprio passado do partido.

"A fraude sobre a data da sua criação, a fraude sobre a identidade do seu fundador, a fraude sobre os seus presidentes, a fraude sobre o genocídio contra os seus dissidentes [27 de maio de 1977] e as fraudes eleitorais [em 1992, 2008, 2012 e 2017]. É chegado o momento de se fazerem as correções necessárias à Constituição e às leis para que Angola termine de vez com as fraudes institucionalizadas e continuadas", disse.

 

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