Angola: Será 2019 o ano em que Angola sai da crise económica? | Angola | DW | 24.11.2018
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Angola

Angola: Será 2019 o ano em que Angola sai da crise económica?

Analistas ouvidos pela DW África não acreditam nesta possibilidade. "Os desafios e perspectivas económicas, políticas e sociais de Angola  2017-2022" foram debatidos, este sábado (24.11), em Luanda. 

Angola Luanda Debatte Mediateca Ze Du (DW/M. Luamba)

Painel de discussão sobre a economia angolana

Em declarações à DW África, Nfuka Musemba ex-deputado da UNITA, um dos preletores da mesa redonda, realizada na Mediateca Zé Du, em Luanda, não acredita que Angola venha a sair da crise económica e financeira já em 2019. O jovem político, entende que a baixa do preço do petróleo no mercado internacional não é a única causa da crise.  

"Porquanto a crise que nós vivemos, para além de ser uma crise que teve um impacto internacional também é resultado das práticas da nossa política nacional - no que diz respeito a má gestão da coisa pública, o saque do erário público e o índice elevado da corrupção que tiveram um peso enorme nas contas públicas", avalia.

Angola Luanda Debatte Mediateca Ze Du (DW/M. Luamba)

Entrada da Mediateca Zé Dú

"Também estamos com uma dívida insustentável na ordem dos 70 mil milhões de dólares que perfaz parte dos 80% do nosso PIB. Com as exigências da nossa dívida, tudo quanto o Estado deverá ganhar para pensar estabilizar a economia será para pagar a dívida. Basta ver o que o próprio presidente da República fez com o diferencial do petróleo, na ordem dos 4, 5 mil milhões de dólares, que deveria servir para canalizar para alavancar outros setores do investimento público e foi usado para pagarmos dívida", acrescenta.

Por sua vez, Walter Ferreira responsável da Plataforma Juvenil para a Cidadania, também não acredita na recuperação da economia angolana em 2019.

"Vai ser difícil, se continuarmos com a mesma lógica. Eu penso que podemos sair desta crise, se o Executivo mudar a lógica do Orçamento Geral do Estado e, aqui, vai ter que apostar em áreas fundamentais para que possamos sair da crise", considera.

"O petróleo já não deu, está em decadência, mas se o Executivo apostar, ou seja, se implementar a diversificação da economia e se corresponder com a economia de mercado. Também vai ser fundamental se apostar no setor privado para mais emprego", explica.

Nfuka Musemba prevê o agravar da situação social nos próximos anos, em parte por causa da dívida externa de Angola. Também desconfia que o desemprego vai aumentar, se o Governo de Luanda avançar com a privatização das empresas públicas.

Berlin Joao Lourenco Präsident Angola (DW/Cristiane Vieira Teixeira)

João Lourenço

"Pelo andar das coisas, eu acho que vamos ter um ano de 2019 mais difícil. Veja que o Estado aumentou os impostos e, de alguma forma, a tendência de privatização das empresas públicas também será um meio que lançará no desemprego milhares de angolanos. Porque as pessoas que comprarem essas participações nas empresas públicas no seu processo de reestruturarão vão lançar muita gente para o mundo do desemprego e isso vai fazer com que as famílias fiquem mais pobres, com mais fome, menos rendimento", receia.

Passos para acabar com a crise

Já Nuno Carnaval, deputado do MPLA, também presente na reflexão, acredita que o Governo angolano está a adotar e a implementar um conjunto de medidas para se inverter o atual quadro - como, por exemplo, a redução do nível da inflação.

"Os programas e ações do Executivo concorrem naturalmente para se ir resolvendo e minimizando o impacto da crise nos próximos dois anos. Há uma visão, há seriedade, há atitude do Executivo para que possamos reduzir nossa inflação de dois para um dígito", defende.

"Também há um conjunto de medidas que visam sobretudo inverter a posição da nossa economia para que tenhamos a elevação da nossa produção interna não petrolífera, que haja sobretudo uma maior produtividade no país e que se possa alavancar a nossa indústria nacional", acrescenta.

Ölproduktion in Angola (MARTIN BUREAU/AFP/Getty Images)

Exploração do petróleo continua a ser a base da economia angolana

Por isso, acredita que "esta via tem um efeito multiplicador muito grande, porque é uma via de geração de emprego jovem. A industria é um fato. Já no período depois do alcance da paz, foram construídas muitas infraestruturas. Agumas estão paralisadas, vão ser dinamizadas", realça.

"MPLA não está em crise"

A troca de "mimos" entre o anterior Presidente, José Eduardo dos Santos, e o atual, João Lourenço, sobre o alegado vazio nos cofres do Estado continua a gerar debate. Em Angola, já se fala, inclusive, numa crise interna no MPLA e, consequentemente, no próprio Estado.

É pelo menos essa a visão de Walter Ferreira.

"Hoje, essa questão que se não quer discutir de forma acérrima - que é a questão da discussão entre o anterior Presidente da República e o actual, João Lourenço - é uma crise que deve ser discutida e tem implicações no Estado", sublinha.

Mas Nuno Carnaval, deputado do MPLA, minimiza.

"Não existe, não há crise no seio do MPLA. O MPLA mantém-se unido e coeso e está a preparar-se para os seus grandes objetivos de concorrer para as eleições autárquicas e, em 2022, eleições gerais", garante.

Angola Luanda Osvaldo Mboco Universitätsprofessor (DW/M. Luamba)

Osvaldo Mboco

Projecto para as comunidades

O tema "Os desafios e perspectivas económicas, políticas e sociais de Angola  2017-2022", gerou caloroso debate. Trata-se de uma iniciativa do projeto Oficina do Conhecimento, idealizado pelo professor universitário Osvaldo Mboco que, em parceria com outros jovens, decidiu materializar o pensamento.

"A 'Oficina do Conhecimento' é um projecto criado em 2018 por jovens académicos de diferentes áreas do saber. Na altura da criação, achamos que havia necessidade de se discutir os diferentes problemas que o país enfrenta", recorda.

"Queremos, com esse projeto, ajudar as pessoas a refletir, a estruturar ideias que possam servir também de sugestões para o Executivo, e não só. É um projeto muito mais virado para a comunidade, tendo em conta que entendemos que a falta de conhecimento torna o normal anormal e o fácil difícil. Então, queremos com este projeto contribuir para o conhecimento das pessoas", pondera.

"Felizmente temos tido boa adesão por parte dos jovens e também temos tido a colaboração por parte dos preletores que veem para cá e partilham os seus conhecimentos de forma gratuita, até porque a natureza do nosso projecto é filantrópico", finaliza.

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