Angola: Que caminhos para a consolidação da paz? | Angola | DW | 04.04.2019
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Angola

Angola: Que caminhos para a consolidação da paz?

Em Angola, celebra-se esta quinta-feira, 4 de abril, o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional. Entretanto, MPLA e UNITA, 17 anos depois da guerra civil, ainda discutem os caminhos para a consolidação da paz no país.

Na província do Cuanza Sul, restos de tanques da guerra civil angolana (2012)

Na província do Cuanza Sul, restos de tanques da guerra civil angolana (2012)

A guerra civil angolana terminou em 2002, mas o processo de paz e reconciliação nacional ainda é longo. Esta quarta-feira (03.04), em Luanda, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), principais protagonistas da guerra civil, apontaram caminhos sobre o processo num debate promovido pelo projeto "Oficina do Conhecimento".

Para Mário Pinto de Andrade, do partido no poder, o Ruanda seria um bom exemplo a seguir para a consolidação da paz angolana, uma vez que, se conseguiu erguer após o genocídio de 1994, no qual extremistas hutus levaram a cabo um massacre contra tutsis e hutus moderados, que deixou cerca de 800 mil mortos.

Angola Friedensgespräche MPLA und UNITA in Luanda

Debate promovido em Luanda

"O Ruanda hoje é um exemplo de estabilidade política, económica e social do continente africano e tem ganhado vários prémios. O Ruanda é um exemplo para o mundo, exemplo de reconciliação, democracia e crescimento económico", considerou Andrade.

Mas, Marchal Dachala mostra-se reticente. O dirigente da UNITA acusa Luanda de fugir ao diálogo e defende debates fora da Assembleia Nacional. "No Ruanda dialoga-se muito, em Luanda dialoga-se pouco. Significa dizer o seguinte: queremos levar todo o nosso diálogo para o Parlamento. Eu entendo que os consensos devem ser feitos fora do Parlamento".

Apelo

Luís Domingos é um dos jornalistas angolanos que cobriram o conflito armado. Para ele, a paz e reconciliação nacional ainda não são um facto e deixa um apelo: "A nossa paz ainda é frágil, o nosso processo de reconciliação nacional também é frágil. Precisamos conversar mais, precisamos aproximar as nossas diferenças. Temos que resolver isso o mais depressa possível", disse o jornalista que afirma ter visto "feridos e militares a serem abandonados e sem assistência médica" durante a guerra.

Bürgerkrieg Angola 1993

Combatentes da guerra civil angolana (1993)

A guerra civil angolana fez mais de quatro milhões de deslocados internos e milhares de vítimas mortais. Alguns presentes ao debate exigiram dos protagonistas um pedido de desculpas a sociedade. 

Mário Pinto de Andrade revela que "o MPLA tem orgulho da sua história, mas não tem orgulhos dos seus erros, nem pode ter". Segundo o Andrade, o partido no poder tem uma "palavra de ordem": "corrigir o que está mal e melhorar o que está bem".

Mas, Marchal Dachala, da UNITA quer o que chama de um verdadeiro "monumento da reconciliação nacional" e o "pedido geral de desculpa".

"Se concordarmos em erguer um momento à reconciliação, até tenho ideias de como devia ser. No dia em que for inaugurado esse monumento, se a sociedade angolana vier a concordar, deveremos pedir perdão, um perdão geral por todos os males que aconteceram, simbolizando assim um o abrir de um novo capitulo da nossa história", defendeu.

Avanços

Ouvir o áudio 03:22

Angola: Que caminhos para a consolidação da paz?

O professor universitário Osvaldo Mboco, um dos mentores do debate desta quarta-feira, vê avanços no processo de paz e reconciliação nacional.

"A paz em si foi um passo significativo para a reconciliação nacional e a reconciliação nacional é um elemento que faz parte do nosso dia-a-dia, com as nossas ações e atos. Há grandes exemplos de reconciliação nacional nas Forças Armadas, no próprio Parlamento, que é o epicentro dos debates, e cada vez mais as pessoas vão se reconciliando, se aproximando", considerou Mboco.

Mas também diz que o processo deve sair dos meandros políticos e estender-se a toda sociedade angolana. "Penso que estamos a sarar as nossas dificuldades e estamos a caminhar para uma paz que é consolidada todos os dias e para um processo de reconciliação nacional que todos nós angolanos devemos participar".

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