Angola: Presidente JLO visita Malanje num clima de contestação ao governador local | Angola | DW | 21.05.2019
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Angola

Angola: Presidente JLO visita Malanje num clima de contestação ao governador local

Presidente João Lourenço visita província de Malanje (norte de Angola), numa altura em que a população, principalmente os jovens, exige a exoneração do governador Norberto dos Santos "kwata Kanawa".

Malanje Flughafen (DW/G. C. da Silva)

Aeroporto de Malanje

No seu primeiro dia da visita de trabalho (21.05.) à província de Malanje, o Presidente angolano João Lourenço, orientou a primeira reunião deste ano do Conselho da Governação Local, um órgão auxiliar e colegial da Presidência da República para a formulação e acompanhamento da execução das políticas de governação e administração do Estado a nível local.

Temas como "ponto de situação dos programas de reforço da desconcentração administrativa, desenvolvimento integrado dos municípios, balanço de implementação do regime de financiamento local" entre outros foram debatidos.

Mais energia e água potável

Norberto dos Santos "kwata Kanawa", governador de Malanje aproveitou a deslocação à província do Presidente angolano para anunciar a extensão de energia eléctrica e água potável a todos os municípios da região.

Angola Kalandula-Fälle Malanje (DW/G. C. Silva)

Quedas de água de Kalandula (Malanje)

"Estender a energia para os restantes municípios particularmente viradas para as áreas em que nós queremos produzir, refiro-me à região de Songo que com a asfaltagem dos três municípios (Luquembo, Cambundo Catembo e Quirima) poderemos iniciar a produção do arroz que no passado era muito forte na província de Malanje. Iniciou já a transportação de energia de Cacuso para Kalandula e depois vai sair daqui de Malanje para Kangandala".

Protesto contra o governador

De notar que o governador de Malanje é fortemente contestado por um número considerável da população local sobretudo os jovens, que preparam um novo protesto para o dia 25 deste mês.

Recorde-se, que em abril de 2018, três jovens foram presos e condenados dias depois por exigirem a emissão de Norberto dos Santos, durante a cerimónia de comemoração do Dia da Paz cerimónia que foi orientada pelo vice-presidente da República Bornito de Sousa.

Para o jornalista angolano Ilídio Manuel, os jovens locais protestam contra a governação por não encontrarem soluções para os seus problemas.

"Os jovens de Malanje estão numa situação, à semelhança daquilo que se regista um pouco por todo país. E depois há uma outra questão: é uma província onde não se regista a concentração monetária, e onde praticamente os jovens fazem a sua formação académica ou profissional mas depois não encontram mercado de trabalho".

Ouvir o áudio 02:48

Angola: Presidente JLO visita Malanje num clima de contestação ao governador local

Antes do termo da sua visita de 24 horas a Malanje, o Presidente angolano vai desenvolver outras atividades como a constatação do grau de execução de algumas obras sociais e conceder audiências a membros da sociedade civil preocupados com a situação na sua província.

De recordar que de acordo com o relatório mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE) angolano sobre o comportamento da inflação, divulgado recentemente, Malanje, foi uma das cinco províncias juntamente com Uíge, Cuanza Sul, Cuanza Norte e Moxico que registaram maior aumento.

Desemprego e delinquência

Entretanto, uma reportagem publicada esta terça-feira pelo Jornal de Angola intitulada "Malanje clama por soluções urgentes para os problemas", espelha o alto nível de desemprego, da delinquência e do "velho problema de energia elétrica e água potável".

A nova governação liderada por João Lourenço deve resolver os problemas de forma concreta, diz Ilídio Manuel.

"Penso que a visita de João Lourenço será mais ou menos um paliativo no sentido de poder esbater, diminuir as tensões, mas que não vai resolver o problema fundamental. O MPLA, tem que dar respostas concretas e não renovar as promessas. Isso de não resolver problema nenhum antes pelo contrário só adia as crises", concluiu Ilídio Manuel.

 

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