Angola: PGR ordena apreensão de edifícios de Carlos São Vicente | Angola | DW | 08.09.2020

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Angola

Angola: PGR ordena apreensão de edifícios de Carlos São Vicente

Em causa estão suspeitas de peculato e branqueamento de capitais. Por isso, a PGR ordenou a apreensão de vários edifícios do grupo AAA, pertencente ao empresário Carlos São Vicente, que está a ser investigado na Suíça.

Segundo um comunicado do Serviço Nacional de Recuperação de Ativos da PGR, foram apreendidos os edifícios AAA, os hotéis IU e IKA, localizados em todo o território nacional e o edifício IRCA, localizado na Rua Amílcar Cabral, em Luanda.

A PGR justifica a apreensão com indícios da prática de crimes de peculato, participação económica em negócio, tráfico de influência e branqueamento de capitais.

O AAA, liderado por Carlos São Vicente, casado com uma das filhas do primeiro Presidente angolano, Agostinho Neto, é um dos maiores grupos empresariais angolanos, e opera na área dos seguros e da hotelaria.

O empresário é também administrador não-executivo do Standard Bank de Angola e solicitou a sua suspensão imediata de funções até à conclusão do processo, anunciou na segunda-feira a instituição bancária.

Contas de Vicente congeladas na Suíça

O nome de Carlos São Vicente foi notícia na semana passada por suspeitas de lavagem de dinheiro na Suíça, divulgadas num blogue que acompanha questões judiciais naquele país.

Agostinho Neto Staatspräsident von Angola von 1975 bis 1979

A família de Agostinho Neto distancia-se do caso Vicente

De acordo com o blogue judicial suíço Gotham City, que cita o despacho do Ministério Público da Suíça, Carlos Manuel de São Vicente viu congeladas sete das suas contas, tendo sido libertados os fundos de seis e mantendo-se congelada uma conta que terá cerca de 900 milhões de dólares, o equivalente a mais de 752 milhões de euros.

Família Neto distancia-se

Numa nota, a família de António Agostinho Neto considerou "abusivo, calunioso e inamistoso o uso do nome de António Agostinho Neto a propósito do combate à corrupção que o país leva a cabo".

A família e a Fundação Dr. António Agostinho Neto lembram que o primeiro Presidente de Angola faleceu em setembro de 1979, seis anos antes do casamento da sua primeira filha, Irene Neto, em 1985, com Carlos Manuel de São Vicente.

Por isso, consideram "um absurdo associar o seu nome a processos judiciais em investigação".

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