Angola: PGR começa a ouvir empresário Carlos São Vicente | Angola | DW | 15.09.2020
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Angola: PGR começa a ouvir empresário Carlos São Vicente

O empresário angolano Carlos São Vicente começou a ser ouvido pela justiça de Angola, depois de ter sido constituído arguido na semana passada. É acusado dos crimes de peculato e branqueamento de capitais, entre outros.

A informação foi confirmada à agência de notícias Lusa por fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, que acrescentou que a sessão iniciada esta terça-feira (15.09) já foi suspensa, devendo ser retomada na próxima quinta-feira.

Em causa está o congelamento de uma conta bancária de Carlos São Vicente na Suíça, com cerca de 900 milhões de dólares, o equivalente a 752 milhões de euros, por suspeitas de branqueamento de capital, segundo divulgou um blogue suíço que acompanha questões judiciais naquele país, citando um despacho do Ministério Público da Suíça.

Segundo noticiou a rádio pública angolana, RNA, o empresário chegou à Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP), órgão da Procuradoria-Geral da República de Angola, antes das 10h e começou a ser ouvido 10 minutos depois. Acompanhado de dois advogados, Carlos São Vicente foi ouvido durante cerca de três horas, de acordo ainda com a mesma rádio.

Assistir ao vídeo 02:03

Mesmo com João Lourenço, angolanos não acreditam no fim da corrupção no país

Apreensão de edifícios

As autoridades judiciais angolanas ordenaram já a apreensão de vários edifícios do grupo AAA, pertencente ao empresário Carlos São Vicente, que está a ser investigado na Suíça por peculato e branqueamento de capitais.

Segundo um comunicado do Serviço Nacional de Recuperação de Ativos da Procuradoria-Geral da República emitido na semana passada, foram apreendidos os edifícios AAA, os hotéis IU e IKA, localizados em todo o território nacional e o edifício IRCA, localizado na Rua Amílcar Cabral, em Luanda.

A PGR justificou a apreensão com indícios da prática de crimes de peculato, participação económica em negócio, tráfico de influência e branqueamento de capitais, crimes pelos quais foi constituído arguido.

Depois dos edifícios, o Serviço Nacional de Recuperação de Ativos da PGR anunciou a apreensão da participação social minoritária de 49% da AAA Activos no Standard Bank Angola, onde o empresário é administrador não-executivo, tendo o mesmo solicitado suspensão das funções enquanto durar o processo.

Casos na Suíça

Na sexta-feira passada, a diretora do Serviço Nacional de Recuperação de Ativos da PGR, Eduarda Rodrigues Neto, abordou com as autoridades judiciais suíças, entre outros assuntos relativos à luta de Angola contra a corrupção, o processo que envolve Carlos São Vicente.

Na ocasião, Eduarda Rodrigues terá entregue uma carta rogatória às autoridades judiciais da Suíça. Os técnicos da PGR quiseram também inteirar-se de outros casos que envolvam figuras públicas angolanas, no âmbito do processo de recuperação de ativos obtidos ilicitamente.

O AAA, liderado por Carlos São Vicente, casado com uma das filhas do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, é um dos maiores grupos empresariais angolanos, operando na área dos seguros e da hotelaria.

Assistir ao vídeo 04:12

Luanda Leaks: União Europeia promete tolerância zero para "dinheiro sujo"

Leia mais