Angola: Operadora de telefonia Africell promete grandes investimentos | Angola | DW | 20.07.2020

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Angola

Angola: Operadora de telefonia Africell promete grandes investimentos

Africell pretende investir "centenas de milhões de dólares" em Angola, onde venceu o concurso público para se tornar na quarta operadora de telecomunicações, e começar o serviço em meados de 2021, adiantou a operadora.

Social Media-Nutzung in Afrika

Foto simbólica

O diretor de investimentos da Africell, Ian Paterson, revelou à agência Lusa: "Estamos a prever fazer uma entrada muito relevante no mercado, vamos investir centenas de milhões de dólares em Angola. Estamos em discussões avançadas com vários dos nossos parceiros de financiamento para estruturá-lo adequadamente".

A operdora de telefonia móvel, criada no Líbano mas atualmente dirigida a partir da capital britânica, angariou nos últimos cinco anos 324 milhões de euros de entidades como a agência de investimento norte-americana US International Development Finance Corporation (USIDFC), dos fundos Gemcorp e Helios Investment Partners e da International Financial Corporation, que faz parte do Banco Mundial.

A dimensão do investimento planeado pela operadora pan-africana reflete a convicção no potencial do mercado angolano, o qual explodiu durante os anos de crescimento económico, mas tem vindo a descrever desde 2014, acompanhando a queda do preço do petróleo que arrastou Angola para uma crise económica. 

"O mercado de telecomunicações é muito atrativo"

Afrika Angola Unitel in Luanda

Um balcão da UNITEL em Luanda, Angola

De acordo com o Instituto Angolano das Comunicações (INACOM), em 2019 o número de subscritores de serviços de telemóvel recuperou pela primeira vez em cinco anos, aumentando 12% relativamente a 2018, para 14,8 milhões, enquanto que a taxa de penetração passou de 45% para 49%.

A Unitel domina o mercado, com cerca de 80%, à frente da Movicel, que tem cerca de 20%, enquanto que a Angola Telecom (empresa estatal em processo de privatização) possui apenas uma posição residual.

"O mercado de telecomunicações [angolano] é muito atrativo porque há muito pouca concorrência verdadeira", reconhece Paterson.

E o gestor acrescenta: "A Unitel é um agente dominante no mercado e os clientes sofreram como resultado disso porque não receberam o melhor em termos de preço, valor e serviço que teriam se existisse uma concorrência verdadeira e o dinamismo que isso traz".

As promessas da Africell

A relação custo-benefício será uma componente importante da estratégia da Africell para romper no mercado angolano, procurando chegar a utilizadores que ainda não estejam a usar serviços 'premium' com planos de preços e aparelhos mais sofisticados, mas de custo mais acessível.

"Planeamos introduzir planos de preços muito mais criativos e flexíveis. Vamos ter mais soluções de alta velocidade, mais serviços de valor acrescentado. Em particular, coisas como pagamentos móveis e conteúdos, que não foram bem integrados no produto principal de comunicação, vão fazer parte da nossa solução", adiantou Paterson.

A Africell prevê criar 6.000 postos de trabalho diretos e indiretos nos próximos três a cinco anos, aproveitando ou formando recursos humanos locais, com o recrutamento a começar em breve. 

 Em termos de cobertura, pretende também aproveitar as infraestruturas já existentes, usando os cabos de fibra ótica e as torres de telecomunicações da concorrência para evitar "investimento duplicado desnecessário", mas essa questão depende do regulador. 

 "A nossa proposta é baseada no pressuposto que os regulamentos que o Governo gastou um esforço considerável a elaborar de partilha de infraestruturas e partilha de recursos de forma mais ampla serão implementados e cumpridos", vincou Paterson.

 A empresa espera concluir as negociações com o Governo angolano e começar a operar em meados de 2021.

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