Angola: João Lourenço admite concorrer a segundo mandato | Angola | DW | 05.03.2019
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Angola

Angola: João Lourenço admite concorrer a segundo mandato

O chefe de Estado angolano, João Lourenço, mostra-se disponível para concorrer a um segundo e último mandato. Em entrevista à televisão pública portuguesa, Lourenço diz ainda que a impunidade é coisa do passado.

João Lourenço diz que "ainda é cedo para se falar" numa possível recandidatura à Presidência angolana, em 2022. No entanto, admite: "Se até lá estiver de boa saúde, em princípio vou concorrer".

O chefe de Estado angolano sucedeu no cargo a José Eduardo dos Santos, depois das eleições de agosto de 2017. Foi eleito com 61% dos votos.

Em entrevista à televisão pública portuguesa RTP, esta segunda-feira (04.03), Lourenço voltou a dizer que, quando tomou posse, há um ano e meio, "o país não tinha saúde financeira". E defendeu que, de lá para cá, tem tentado impulsionar a diversificação da economia angolana, bastante dependente das exportações de petróleo.

"O caminho é este. O ambiente propício ao investimento está aí, foi criado em tempo recorde. Em pouco mais de um ano, combatemos os monopólios, estamos a fomentar a concorrência entre as empresas e com este novo ambiente temos a garantia de que é uma questão de tempo, vamos aumentar a quota do setor não petrolífero na economia nacional", afirmou João Lourenço.

O Presidente angolano acrescentou ainda que a agricultura, a indústria, as pescas e o turismo são "prioridades" nos esforços de diversificação.

Portugal Staatsbesuch angolanischer Präsident Joao Lourenco

Presidente angolano, João Lourenço, com homólogo português Marcelo Rebelo de Sousa em Lisboa, em novembro de 2018

Relações Angola-Portugal

Lourenço concedeu a entrevista à RTP na véspera da chegada a Luanda do chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, que visita o país até ao próximo sábado (09.03).

Rebelo de Sousa participa esta terça-feira no jantar do 65º aniversário de João Lourenço. "Juntamos o útil ao agradável", diz Lourenço a propósito da presença do Presidente português no jantar. "As relações são boas e procuramos cultivar cada vez mais."

Também as relações diplomáticas entre Portugal e Angola estão atualmente "no pico da montanha", refere Lourenço. E a investigação em Portugal contra Manuel Vicente, por suspeitas de corrupção, enquanto presidente da petrolífera estatal Sonangol, "não deixou sequelas", garante.

"Para Angola, essa questão foi relevante porque nós estávamos perante um incumprimento de um acordo entre dois Estados - e dois Estados que se querem bem - e havia a necessidade de uma das partes recordar à outra parte que tínhamos um acordo que precisa de ser cumprido. Felizmente, o bom senso acabou por vencer e esse momento difícil passou rapidamente e não deixou sequelas", disse João Lourenço à RTP, em Luanda.

Assistir ao vídeo 04:49

Em Berlim, João Lourenço fala sobre corrupção e a RDC

Combate à corrupção

Na entrevista, o Presidente angolano reassegurou que o tempo da impunidade em Angola ficou "para trás", deixando "de haver intocáveis" no país.

"A prática está aí para confirmar essa minha afirmação. Porque há pessoas que hoje estão a contas com a Justiça e que há dois anos era impensável de falar-se sequer destes nomes estarem hoje com problemas com a Justiça", disse Lourenço.

Desde que tomou posse, João Lourenço afastou três filhos do ex-Presidente José Eduardo dos Santos de negócios com o Estado: Isabel dos Santos, exonerada do cargo de presidente do conselho de administração da petrolífera Sonangol, José Filomeno dos Santos, retirado da liderança do Fundo Soberano de Angola - e em prisão preventiva desde setembro -, e Welwitschea 'Tchizé' dos Santos, afastada da gestão dos canais estatais de televisão.

Isabel dos Santos

Empresária angolana Isabel dos Santos

Lourenço diz que não é perseguição: "Seria perseguição se os tocados fossem apenas eles, mas há outras individualidades, outras figuras de peso, ministros."

Na entrevista à RTP, João Lourenço defende também o caráter único da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas assinala que a organização tem feito "pouco" em "prol dos povos e dos países" que a integram.

Segundo João Lourenço, a CPLP tem "privilegiado questões, sobretudo, de ordem histórica, de ordem cultural, de ordem linguística e pouco de ordem de económica, sobretudo de cooperação económica".

"Esta é uma parte que está em falta, mas ainda vamos a tempo de prestar atenção a ela. Angola deve assumir a presidência [rotativa] dentro de um ano, depois de Cabo Verde, e vamos ver o que fazemos", remata.

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