Angola: Estudantes fazem vigília contra propinas nas universidades públicas | Angola | DW | 12.01.2020
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Angola

Angola: Estudantes fazem vigília contra propinas nas universidades públicas

"Movimento Propinas Not" realizou, este sábado em Luanda, vigília contra intenção do Governo de implementar propinas no ensino universitário público. Estudantes dizem que vão pressionar até que Executivo desista.

Angola | Luanda | Movimento Propinas Not (DW/M. Luamba)

Estudantes participam de vigília contra propinas nas universidades públicas

Foram pouco menos de três dezenas de estudantes presentes na vigília deste sábado (11.01), no Largo das Heroínas, no centro de Luanda. O objetivo era único: impedir que o Presidente angolano, João Lourenço, assine um decreto que obrigue os estudantes do ensino universitário público a pagar propinas neste ano letivo.

Faustino Quarta, estudante no Instituto Superior de Educação Física e Desportos, é um dos descontentes com a intenção de implementação de cobrança nas universidades públicas.

"Não é oportuno que o Governo de Angola implemente propinas nesta fase. Nós não temos condições e as próprias universidades não apresentam condições. Seja qual for o valor que o Governo venha adoptar, nós não estamos em condições. Por esta razão é que eu estou aqui para dizer ‘propinas nas universidades públicas não", argumenta.

Quem também diz "não" à intenção do Governo é Adilson Manuel, estudante de sociologia da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.

"Nós somos desempregados e estamos aqui para reivindicar contra a implementação de propinas no ensino universitário público e isso vai aumentar ainda mais as dificuldades dos estudantes no sistema de ensino universitário", descreve.

Angola | Luanda | Movimento Propinas Not (DW/M. Luamba)

Caixão usado na vigília simboliza "morte prematura dos estudantes"

"Morte prematura"

Na vigília foram usados vários dizeres como "não fomos nós que esvaziamos os cofres do Estado", mas também um caixão feito de material reciclável como papelão e esferovite.

"O caixão, na verdade, simboliza o sofrimento que o estudante passa. Inúmeros estudantes já têm muitas dificuldades para dar sequência aos estudos. Isto simboliza a morte prematura dos estudantes. Com a implementação das propinas, os estudantes do ensino universitário público serão literalmente mortos e enterrados neste caixão", explica Adilson Manuel.

Segundo este estudante, não é a primeira vez que se usa um caixão em protestos.

"Em 2001, estudantes do ESCED de Luanda, também marcharam com um caixão para exigir melhorias. Hoje, nós fazemos a mesma coisa para mostrar que as coisas não andam bem", afirma.

Representação feminina

O género feminino é o que mais cresce nas universidades angolanas, quer públicas como privadas. Mas, neste sábado, apenas duas mulheres estiveram entre as quase trinta pessoas presentes na vigília. Uma delas é Teresa "Luther King". Ela explica as razões da ausência de senhoras no ato.

"Falta de interesse, porque muitas não se revêm na causa. Por outro lado, o exercício de cidadania por parte de algumas mulheres ainda é um tabu, por causa dos últimos acontecimentos ocorridos na era José Eduardo dos Santos, onde as manifestações eram reprimidas", considera.

Outra mulher presente é Súria Cambinda, estudante de psicologia. Quanto questionada sobre a ausência de outras senhoras, responde:

"Como a minha colega disse, o exercício da cidadania ainda é um tabu e as pessoas têm medo de ser reprimidas".

Angola | Luanda | Movimento Propinas Not (DW/M. Luamba)

Arante Kivuvu

Resultados e reações

Em relação aos resultados da vigília sobre se o Governo vai recuar da sua intenção de implementar a cobrança das propinas, Súria afirma lacónica: "toda ação tem uma reação".

Arante Kivuvu é o coordenador do "Movimento Propinas Not". O activista explica à DW África os motivos da realização de eventos contra a implementação de propinas nas universidades públicas.

"As propinas poderão criar uma barreira ao estudante, porque as famílias angolanas estão economicamente vulneráveis", diz.

Questionado sobre qual seria a reação do movimento caso o decreto seja implementado, Arante fala em consulta pública aos estudantes.

"Vamos procurar conversar com os vários estudantes das diferentes unidades académicas e o resultado que obtivermos é que será a nossa reação", conclui.

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