Angola: ″Estudantes andam atrás do canudo e não de competência″ | Angola | DW | 30.08.2018

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Angola

Angola: "Estudantes andam atrás do canudo e não de competência"

A competência adquirida por alguns licenciados está a ser posta em causa por muitos internautas. Analistas ouvidos pela DW África em Angola também questionam a qualidade dos récem-formados.

Universidade Agostinho Neto, Angola. Foto ilustrativa

Universidade Agostinho Neto, Angola. Foto ilustrativa

A polémica começou quando alguns dos recém-formados decidiram escrever frases na rede social Facebook sobre as dificuldades enfrentadas durante o seu percurso académico e fazer agradecimentos.

Um das licenciadas, por exemplo, escreveu "foi dificio, mas consigui". Esta expressão foi motivo de duras críticas por parte de internautas, entre eles académicos, jornalistas e políticos.

Muitos destes estudantes depois de concluir o curso compram projetos de monografia aos professores universitários em diferentes estabelecimentos de ensino.

Certificado a qualquer preço

Face à situação, Agostinho Sicatu, diretor do Centro de Debates e Estudos Académicos de Angola, considera que se "criou um celeuma em que as pessoas andam atrás do canudo, atrás do certificado e não da competência."

E o diretor prossegue: "Mesmo nas empresas o tratamento era e é este até hoje. Tem melhor salário aquele que tem maior nível académico e nunca um melhor salário para quem tem melhor qualificação ou melhor competência".

Já, Francisco Teixeira, presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), diz que o problema começa no ensino de base.

Ouvir o áudio 02:21

Angola: "Estudantes andam atrás do canudo e não da competência"

Em Angola ainda há alunos a estudar debaixo das árvores e escolas sem carteiras. O líder associativo sublinha que, "associa-se a esta realidade, a má qualidade de alguns professores e o pouco empenho de muitos estudantes".

Para Francisco Teixeira "isso tudo faz com que os estudantes tenham dificuldades básicas quando passam para o ensino superior. No fundo é uma faca de dois gumes."

Qual é o papel do Estado?

E o presidente do MEA pede ações para por termo a situação: "O Estado também devia envergonhar-se disso. Seria bom se houvesse por parte do Estado reflexões profundas, que criasse melhores condições e que avaliasse, por exemplo, o material didático para os alunos.”

Agostinho Sicatu defende uma aposta "séria" no setor da educação em Angola sob pena de o país ficar na cauda da lista dos países africanos com boa qualidade de ensino.

"As universidades precisam investir um pouco mais porque universidade não é para qualquer um, universidade não é para ir trabalhar. Universidade é para fazer ciência. Para não sermos ultrapassados pelos outros países precisamos fazer um investimento sério na formação", finaliza o diretor do Centro de Debates e Estudos Académicos de Angola.

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