Angola: Enfermeiros denunciam cotidiano de agressões e condições precárias de trabalho | Angola | DW | 21.01.2021

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Angola

Angola: Enfermeiros denunciam cotidiano de agressões e condições precárias de trabalho

Enfermeiros revelam que falta de recursos médicos causa conflitos com familiares de pacientes. Classe faz lista de reivindicações para discutir com o governo e ameaça greve em fevereiro: "Somos os mais desvalorizados".

Angola Arbeitsbedingungen von Krankenpflegern

Secretário-geral do Sindicato dos Enfermeiros, Afonso Kileba

Ana Neto é enfermeira há 16 anos. Atualmente está colocada num Centro Materno infantil localizado no bairro Catinton, uma área na capital angolana onde vivem várias famílias carentes.

No seu local de trabalho, não há medicamentos para prestar assistência aos pacientes. Neto diz que enfermeiros chegam a comprar medicamentos para dar aos doentes.

'Às vezes quando falta dipirona, mobilizamo-nos entre colegas para uma contribuição. Sacudimos as pastas e tiramos  100 ou 200 kwanzas para ajudar o paciente".

Enfermeiros da província de Luanda dizem que trabalham em péssimas condições, principalmente nos hospitais estatais. No ambiente de trabalho, convive-se com a escassez. Segundo os profissionais, falta medicamentos e até água nos centros de saúde da província de Luanda.

Angola Arbeitsbedingungen von Krankenpflegern

Hospital Josina Machel é um dos mais importantes do país

Frustração e baixos salários

A falta de condições de trabalho não é a única preocupação dos enfermeiros. Os baixos salários e assistência médica também inquietam estes profissionais. Uma profissional que se identificou para a DW África como Maria diz que perdeu a paixão pela profissão que exerce há 18 anos devido à falta de valorização de quadros.

Maria diz que não aconselharia a própria filha a fazer o curso de saúde: "Isso é desgraça”. A enfermeira diz que se trata de uma profissão de amor e humanidade, mas não considera isso suficiente.

"Para tratarmos da nossa saúde, temos que girar. Mesmo no nosso hospital temos que pedir favor aos nossos colegas médicos. O meu salário não chega para fazer uma boa consulta num cardiologista. Não temos seguro de saúde. Você tem que andar atrás do médico para ele lhe atender", desabafou.

O que exigem os enfermeiros

Esta quarta-feira (20.01), o Sindicato dos Técnicos de Enfermagem de Luanda reuniu os associados para analisar a situação da classe. Os profissionais ameaçam realizar greve em fevereiro se o Governo não atender os 16 pontos do caderno de reivindicações.

Angola Arbeitsbedingungen von Krankenpflegern

Assembleia de enfermeiros para discutir a situação da classe

Entre os itens exigidos destaca-se a implementação dos subsídios de horas extras, o regulamento da carreira de enfermagem, a criação de condições para assistência médica e medicamentosa dos profissionais de enfermagem e dos seus familiares e reabastecimento regular de fármacos, materiais gastáveis e de biossegurança em todas as unidades sanitárias da capital angolana.

Os enfermeiros exigem a realização de concurso público interno ou uma readequação da categoria à demanda do sistema, além do cumprimento obrigatório de 36 horas semanais e não 44 horas com está a ocorrer. Em declarações à DW, o secretário-geral do sindicato, Afonso Kileba, disse que se a entidade patronal não atender as preocupações será convocada greve para o dia 15 de fevereiro.

"A vontade da maioria não é a greve. A vontade da maioria é que os problemas sejam resolvidos para beneficiar os próprios profissionais e a população. É inadmissível eu estar diante de um paciente, que sei que posso fazer algo para salvar a vida dele, e por falta de um bem que essa unidade  pode oferecer-me para atender o paciente, a pessoa acaba de sucumbir na minha frente",  afirma Kileba.

O Governo diz que há medicamentos e materiais gastáveis nos hospitais. Mas, quando os utentes se dirigem às unidades, não encontram luvas, seringas nem ligaduras. A escassez resulta em agressões físicas contra os técnicos de saúde, segundo Afonso Kileba. "Não estou na  superestrutura, estou na base para atender os pacientes. Eu vivo essa realidade e não é uma realidade contada por terceiros. Eu vivo isso  porque sou um dos alvos destas agressões" frisa o sindicalista.

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