Angola: Cidadãos do Cuito sem acesso a jornais privados | Angola | DW | 11.08.2017

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Angola

Angola: Cidadãos do Cuito sem acesso a jornais privados

Na capital da província angolana do Bié, não se vêem ardinas nas ruas, nem jornais privados. O pluralismo de informação é um direito garantido na Constituição de Angola, difícil de exercer no interior do país.

Ardina em Luanda

Ardina em Luanda

Quem circula pelo interior de Angola fica com a sensação de que o direito à informação plural é um privilégio de uma minoria que reside nas grandes cidades. Após três dias a percorrer as ruas da cidade do Cuito, a capital da província angolana do Bié, a DW não encontrou um único ardina, nem nenhum ponto de venda de jornais.

Segundo alguns habitantes, só chegam com alguma regularidade ao Cuito o "Jornal de Angola" e outras publicações do mesmo grupo estatal, como o "Jornal dos Desportos" e "Economia e Negócios" - jornais que só é possível comprar na sede da empresa.

António Armando ist Sekretär der Partido de Renovação Social (PRS, Partei der sozialen Erneuerung) in Bié Provinz Angolas

António Armando, secretário do PRS no Bié

Semanários privados publicados na capital, Luanda, não se encontram e ninguém sabe explicar os motivos.

Para o estudante universitário Martins Sachilulu, a falta de jornais na província impede os cidadãos de saberem o que se passa, o que constitui uma violação do direito à informação. "O cidadão que reside na cidade do Cuito pode informar-se, mas não se informa do que necessita ou de acordo com as suas expetativas. Há muitos factos que têm sido ocultados", considera.

O funcionário público Fernando Caongo concorda e faz um pedido: "Nós queremos que o Executivo e outras entidades que trabalham no setor façam o melhor para termos informação a tempo e horas", apela.

Críticas da oposição

Do lado da oposição, também há críticas. O secretário do Partido de Renovação Social (PRS) no Bié, António Armando, diz que se trata de uma estratégia para impedir que os cidadãos tenham acesso à informação.

"Não é possível que, depois de quinze anos de paz efetiva, até hoje, a sociedade biéna viva como tem vivido. Para os partidos políticos, é um caso sério. Estamos num ponto em que a nossa sociedade não se informa e não é informada sobre os seus deveres e direitos", critica.

Ouvir o áudio 02:45

Angola: Cidadãos do Cuito sem acesso a jornais privados

A Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), também da oposição, diz que o regime receia que os cidadãos tomem conhecimento de factos não abonatórios ao partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

"Nunca houve, no sentido próprio da palavra, liberdade de expressão. Os jornais privados sempre encontraram alguma dificuldade para chegarem cá, porque o regime sente algum receio - porque o jornal informa, esclarece e abre a mente. E tudo aquilo que não é a favor, o regime procura barrar para que não chegue à população", avalia o secretário para a informação da CASA-CE, Leonardo de Sousa.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o principal partido da oposição angolana, também aponta o dedo ao Governo. O secretário para os assuntos eleitorais, Inok Severino, diz que "não há interesse por parte do Governo" em garantir o direito constitucional à informação.

"Os que vendiam estes jornais pararam. Penso que estão sujeitos a uma grande restrição, porque tínhamos alguns locais onde se vendiam jornais, mas hoje já não encontramos nenhum jornal na rua. Tem que se ir a Luanda ou quem está em Luanda tem que nos enviar os jornais", relata.

A DW tentou ouvir o Governo angolano, sem sucesso.

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