Angola avalia Angosat-1 e já pensa em Angosat-2 | Angola | DW | 22.04.2018
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Angola

Angola avalia Angosat-1 e já pensa em Angosat-2

Angosat-1 é avaliado esta segunda-feira (23.04) pelo Governo angolano e autoridades russas. Pairam dúvidas sobre sua situação, mas Governo garante que não terá prejuízos. Circulam notícias sobre construção do Angosat-2.

Start des ESA-Satelits Sentinel-1A (ESA – S. Corvaja)

Foto ilustrativa

"Onde está o primeiro satélite angolano?" perguntam muitos cidadãos. "Angosat-1, não sabemos onde anda", escreveu na sua conta do Facebook o cidadão Mateque Matari. 

José Carvalho da Rocha, ministro das Telecomunicações e Tecnologias da Informação, responde que o aparelho está em órbita e que o seu desempenho será avaliado, esta segunda-feira (23.04), entre as autoridades angolanas e russas que já se encontram no país desde o fim de semana.    

"O que eu posso dizer é que o satélite está em órbita e nós vamos avaliar o estado de saúde do satélite no dia 23 com a outra parte russa. Portanto, é importante que verifiquem que nós estamos a queimar diferentes etapas. [Para a conclusão de todo o processo referente ao] satélite, são 14 etapas. Nós estamos na 13a etapa e vamos fazer avaliação, no dia 23 [de abril], desta última etapa", relata.

O primeiro satélite angolano corresponde a um investimento do Estado de 269,6 milhões de euros. O seu tempo de duração seria de 15 anos. 

"Este contrato tem seguro, esse contrato tem garantia. Os seguros foram feitos etapa a etapa. Por exemplo, só o satelite custa 120 milhões de dólares, há um seguro neste valor. O veículo que leva o satélite, o lançador, custa 100 milhões [de dólares], há um contrato neste valor. Só o transporte de Moscovo até a base tem um [outro] seguro", garante Carvalho da Rocha.

Assistir ao vídeo 01:05

Agricultura através de satélite e telemóvel no Uganda

Falta de informação e dúvidas

O Angosat-1 foi lançado, a 26 de dezembro de 2017 e comemorado com fogo-de-artificio em Luanda. Mas foi sol de pouca dura, porque um dia depois do seu lançamento as autoridades russas anunciavam a perda de contato com o aparelho.

Em fevereiro deste ano, a vigilância espacial da Força Aérea dos Estados Unidos alertou que o tanque do propulsor do Angosat-1 tinha explodido.

A existência ou o funcionamento do satélite têm sido postos em causa por muitos angolanos. Alguns chegam inclusive afirmar que se trata de "mais uma mentira do Governo angolano".   

Claudio Fortuna, investigador da Universidade Católica de Angola, entende que a falta de informação dá asas à especulação.

"24 horas depois [do lançamento], a comunicação social estampou a notícia, segundo a qual o Angosat tinha alguns problemas de funcionamento. Mas as autoridades locais asseguraram que não era bem verdade. O que é facto é que, volvido esse tempo todo, parece que a especulação que surgiu depois do seu parto tem razão de ser, porque o Angosat não está a corresponder exatamente às espectativas", avalia.

André Kivuandiga jornalista angolano do jornal Nova Gazeta comunga da mesma opinião.  

"Ainda continuamos a ter aquelas dúvidas, que têm surgido na imprensa russa, de que o Angosat às vezes desaparece e o Governo aqui fica apenas a desmentir, nunca dá informação correta. Isso levanta algumas suspensões. As pessoas questionam se isso é mesmo real", considera.

Ouvir o áudio 03:48

Angola avalia Angosat-1 e já pensa em Angosat-2

Angosat-2 a caminho?

Avaliação desta segunda-feira acontece numa altura em que a imprensa russa voltou a noticiar que persiste a ausência de comunicação com o Angosat-1, estando as autoridades dos dois países a negociar a construção de um novo satélite. Já a edição do Jornal de Angola, deste domingo, 22.04, noticia que, segundo o ministro das Telecomunicações, o Angosat-2 começa a ser construido na próxima terça-feira (24.04).

"Como será construido um Angosat-2 a custo zero?" interroga-se Claudio Fortuna.

"Na medida em que esse seguro é apenas de 120 milhões de dólares e o custo global é de 320 milhões de dólares, há uma diferença abismal. Não sei como será feita essa correção", acrescenta.

Uma correção também deve ser feita na forma como o Governo presta informação aos cidadãos.

"Nós temos um problema que se resume no facto de haver incertezas no que toca a comunicação", conclui o investigador.

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