Angola: Ativistas voltam a denunciar ″detenções arbitrárias″ em Cabinda | Angola | DW | 16.12.2018
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Angola

Angola: Ativistas voltam a denunciar "detenções arbitrárias" em Cabinda

Nove ativistas terão sido detidos, este sábado (15.12), em Cabinda, quando se preparavam para participar numa manifestação por ocasião dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foram, entretanto, soltos.

Angola Aktivisten in Cabinda (Privat)

Manifestação da Associação para o Desenvolvimento da Cultura dos Direitos Humanos (ADCDH), a 16 de dezembro de 2017, em Cabinda

O ativista dos direitos humanos angolano José Marcos Mavungo denunciou, este sábado (15.12), em comunicado, a detenção, em Cabinda, de nove outros ativistas que se preparavam para participar numa manifestação no enclave por ocasião dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Entretanto, e numa nota publicada no seu Facebook, José Marcos Mavungo, deu conta da libertação dos nove detidos. Os ativistas "foram postos em liberdade esta noite (15.12), às 20:00, por ordem do Governador de Cabinda, Eugénio Laborinho", escreveu Mavungo, acrescentando que Eugénio Laborinho garantiu que, enquanto for Governador de Cabinda não permitirá manifestações nas ruas da cidade.

Nas redes sociais, outros ativistas denunciaram, nas últimas horas, que os detidos terão sido "agredidos" pela Polícia Nacional de Angola.

No comunicado enviado às redações, Marcos Mavungo explicou que a manifestação foi convocada "por causa do atual clima de interdições em Cabinda".

Menschenrechtler Marcos Mavungo (DW/J. Carlos)

Marcos Mavungo, ativista

"Segundo os organizadores, [a iniciativa] visa também protestar contra a criminalização de manifestações em Cabinda, contra o sequestro de cidadãos e a contra a tortura, exigindo o cumprimento da lei e do compromisso assumido para com a Declaração Universal dos Direitos Humanos", disse.

"Caça ao homem”, denuncia ativista

O ativista afirmou ainda que Cabinda é, "presentemente, o território com mais detenções arbitrárias". Segundo ele, "há, neste momento, uma verdadeira caça ao homem. A polícia está a deter todos os ativistas ligados à Associação para o Desenvolvimento da Cultura dos Direitos Humanos (ADCDH)".

"O atual Governador de Cabinda [Eugénio César Laborinho] recorre à habitual maquinaria de violência - controlo de consciências, repressão física ou psicológica, detenções arbitrárias, ameaças, espia e bufaria dos cidadãos para reprimir toda a contestação ou oposição. Desde a sua nomeação, foram reprimidas todas as tentativas de manifestação e detidos, pelo menos, 66 cidadãos de Cabinda", deu conta.

E as mudanças?

"Já ninguém se entende, não se chegando a compreender as mudanças que o novo Presidente de Angola, João Lourenço, está a operar. Só neste mês de dezembro foram impedidas duas manifestações e detidos pelo menos 12 ativistas dos direitos humanos e outros cidadãos", acrescentou.

Sete dos nove ativistas que foram, este sábado (15.12), detidos em Cabinda são membros da Associação para a Defesa e Cultura dos Direitos Humanos (ADCDH) - Alexandre Kwanga Nsito (presidente), Félix Ngonda Baveca, Celestino Manhito ("Artista"), João Muanda, José Hilário Gime, Marcos Lúbuca e Pedro Bumba -, e os restantes dois cidadãos que fotografavam as detenções.

A Lusa tentou contactar fontes policiais em Cabinda e o gabinete do Governador provincial, mas sem sucesso.

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