Alemanha: Neonazi admite em tribunal ter matado autarca alemão por “falsas ideologias” | NOTÍCIAS | DW | 05.08.2020
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Alemanha: Neonazi admite em tribunal ter matado autarca alemão por “falsas ideologias”

Neonazi alemão confessou quarta-feira (05.08) ter matado o autarca Walter Lübcke em 2019, que defendia o acolhimento de refugiados. O homicídio fez ressurgir o debate sobre a violência de extrema-direita na Alemanha.

Durchsuchungen wegen Hasskommentaren im Fall Lübcke (AFP/S. Pförtner)

Walter Lübcke

Um homem de 46 anos, ligado a grupos de neonazis, confessou nesta quarta-feira (05.08) ter matado Walter Lübcke no dia 1 de julho de 2019. O político assassinado era ex-presidente da região administrativa de Kassel, no centro da Alemanha, e integrante da União Democrata-Cristã (CDU), partido da chanceler do país, Angela Merkel.

"Eu disparei" sobre Walter Lübcke, admitiu Stephan Ernst, segundo uma declaração lida pela defesa num julgamento realizado no tribunal de Frankfurt.

Ernst é acusado de ter abatido o autarca com um tiro na cabeça disparado a curta distância quando este fumava um cigarro na varanda da sua própria casa em Kassel, no estado federado de Hesse (centro).

Cadastro "neonazi"

Após duas semanas de investigação, a polícia deteve Stephan Ernst, com ligações ao movimento neonazi e cadastro por crimes contra migrantes.

Luebcke Murder Trial Resumes In Frankfurt (Getty Images)

Stephan Ernst, acusado de assassinar Lübcke, durante o seu julgamento

A polícia encontrou em casa do suspeito uma arma branca que Ernst usou em janeiro de 2016 para esfaquear um requerente de asilo iraquiano, que sofreu lesões na coluna vertebral, e várias armas ilegais, incluindo três revólveres, duas pistolas, duas espingardas, uma pistola-metralhadora e 1.400 munições.

O Ministério Público alemão acusou-o de homicídio agravado, tentativa de homicídio agravada, lesões corporais graves e posse de armas de fogo ilegais, crimes pelos quais pode ser condenado a prisão perpétua.

Arrependimento por "falsas ideologias"

O réu pediu desculpas para a família de Lübcke, sobre o que classificou como um "erro indescritível", que foi cometido por impulso de "falsas ideologias".

"O que fizemos, não tem e não terá desculpas", afirmou Ernst, que apontou a participação de outro réu, identificado como Markus H., que está a ser acusado como cúmplice e como o responsável por fornecer a arma do crime ao autor.

O autor confesso e o suposto cúmplice, em outubro de 2015, participaram de um ato em que a vítima defendeu a linha de Merkel sobre o acolhimento de refugiados, segundo o Ministério Público local. A partir disso, Lübcke sofreu diversas ameaças até ser morto.

Assistir ao vídeo 01:35

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Lübcke defendia refugiados

Lübcke destacou-se pela defesa do acolhimento de refugiados, enquanto cresciam as críticas, mesmo entre aliados conservadores de Merkel, a fechar as fronteiras do país durante a crise migratória de 2015.

A morte do ex-presidente da região administrativa de Kassel gerou um alerta sobre a violência dos grupos de extrema-direita, num ano que tinha crescido em 20% o número de crimes com motivação política na Alemanha.

O homicídio de Walter Lübcke reavivou a ameaça de terrorismo de extrema-direita na Alemanha, que muitos consideram ter sido subestimada pelas autoridades nos anos 2000, apesar dos homicídios de oito imigrantes turcos e um grego e de uma polícia alemã por um pequeno grupo neonazi.

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