Alemanha aumenta presença militar no Mali | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 27.01.2017
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Internacional

Alemanha aumenta presença militar no Mali

O Parlamento alemão aprovou esta quinta-feira (26.01) o aumento da presença militar no Mali, que passa a contar com cerca de mil soldados da Bundeswehr. Integram a missão da ONU, atualmente com mais de 12 mil militares.

Ursula von der Leyen, ministra da Defesa da Alemanha, visitou as tropas no Mali em dezembro de 2016

Ursula von der Leyen, ministra da Defesa da Alemanha, visitou as tropas no Mali em dezembro de 2016

A MINUSMA, a missão das Nações Unidas responsável por garantir a paz no norte do Mali, onde grupos rebeldes e o Governo travam uma longa luta pelo controlo da região, é considerada uma das mais perigosas missões.

"Em termos de vítimas mortais, é a mais perigosa operação das Nações Unidas no mundo", confirma o especialista Paul Melly, do instituto britânico de relações internacionais Chatham House, em Londres.

Na semana passada, mais de 70 pessoas morreram num ataque a um acampamento de forças de segurança locais e antigos rebeldes na cidade de Gao. As forças de manutenção da paz na região têm sido também um alvo dos extremistas.

Operação necessária

A missão da ONU, integrada por mais de 12 mil soldados, sobretudo de África, vai passar a contar com cerca de mil soldados da Bundeswehr- até agora, o limite era de 650 soldados. Os países europeus - França, Holanda e Alemanha - forneceram grande parte do material, como drones e helicópteros.

Para além do aumento do número de soldados, o Parlamento alemão aprovou também o envio de oito helicópteros adicionais para o Mali - metade de salvamento e outra metade de combate. O primeiro é enviado para o país já esta sexta-feira (27.01).

UN-Fahrzeug im Zentrum von Gao Mali

A MINUSMA é considerada a mais perigosa operação da ONU no mundo

Antes da votação no Parlamento, membros da coligação do Governo alemão CDU/CSU - a União Cristã-Democrata da chanceler Angela Merkel (CDU) e a União Cristã-Social (CSU), o partido-irmão bávaro - e o Partido Social Democrata (SPD) sublinharam o perigo da intervenção no Mali.

Ainda assim, o deputado Henning Otte, da CDU, admitiu que esta é uma operação necessária. Segundo o parlamentar, o colapso do Mali significaria "reacções em cadeia" com "consequências imprevisíveis" para a Europa.

"Por isso, temos de garantir a estabilidade do país, para impedir movimentos migratórios, para combater o terrorismo. E o exército alemão é uma componente essencial", sublinhou.

Missão impossível?

O Mali está em crise desde 2012. Depois da revolta dos tuaregues, rebeldes e extremistas islâmicos passaram a controlar várias zonas do país. As tropas francesas travaram o avanço para a capital, Bamako.

Em 2015, Governo e grupos rebeldes assinaram um acordo de paz. As tropas da ONU tentam assegurar a trégua no terreno, mas a região ainda é palco de violência.

Ouvir o áudio 03:44

Alemanha aumenta presença militar no Mali

Dos partidos de esquerda chegaram argumentos contra o alargamento da missão alemã no Mali. Niema Movassat, deputado do partido Die Linke, defendeu o combate às causas sociais do terrorismo em vez do envio de mais soldados para todo o mundo, lembrando o caso do Afeganistão.

"As semelhanças com a operação falhada no Afeganistão são assustadoras", salientou. "De acordo com a Comissão de Defesa, a missão no Mali é tão perigosa como os tempos da campanha da NATO contra os talibã".

Já Agnieszka Brugger, dos Verdes, rejeita comparações com o Afeganistão: "Não podemos classificar como 'guerra' uma missão de paz das Nações Unidas, sob liderança civil, com elementos civis, cuja missão é monitorizar a implementação de um acordo de paz e acompanhar o processo de reconciliação".

A participação alemã na missão no Mali promete continuar a dar que falar. Mesmo no seio do exército alemão, a questão é controversa: a última edição da revista da associação dos membros do exército na reserva pergunta mesmo se esta é uma "missão impossível".

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