Adversários contestam anúncio de vantagem de Keita no Mali | MEDIATECA | DW | 31.07.2013
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MEDIATECA

Adversários contestam anúncio de vantagem de Keita no Mali

O ex-primeiro-ministro maliano Ibrahim Boubacar Keita tem boas possibilidades de ser o novo Presidente do Mali, segundo revelou um responsável do governo interino. Um polémico anúncio já questionado pelos adversários.

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Em Bamaco, a capital do Mali, muitos jovens saíram à rua na noite de segunda-feira (29.07) empunhando cartazes e gritando IBK, as iniciais do candidato presidencial Ibrahim Boubacar Keita. Tudo isso aconteceu momentos depois do coronel Moussa Sinko Coulibaly, ministro da Administração Territorial, anunciar os primeiros resultados provisórios. "Já se desenham algumas tendências. O candidato Ibrahim Keita tem uma boa vantagem sobre os restantes", declarou.

Para os apoiantes de Ibrahim Boubacar Keita, agora tudo está claro: ele já venceu este pleito. No entanto, o anúncio dos primeiros resultados foi considerado muito confuso.

Numa conferência de imprensa, o coronel Coulibaly não divulgou os dados sobre a percentagem de votos obtidos por Keita e os outros candidatos nem sobre o número de votos apurados até aquele momento. "Digo que há um avanço confortável. Se isso se confirmar não haverá necessidade para uma segunda volta", explicou.

Talvez não haja lugar para uma segunda volta, mas por enquanto nada está ainda confirmado. Moussa Coulibaly precisou de forma clara que os resultados, por enquanto, são referentes a apenas um terço dos boletins já contados e, por isso, recusou entrar em detalhes.

Oposição preocupada com o processo

Observadores notam que o anúncio, da forma como foi feito, alimenta em parte as especulações vindas da oposição que, já no domingo, logo após o fim da votação, mostrou-se muito preocupada com o desenrolar do processo.

Inna Maïga, que participou na campanha do ex-ministro das Finanças e candidato presidencial Soumaila Cissé, agora na segunda posição após o anúncio dos resultados preliminares, diz que este continua a ser o favorito. "Não estamos de acordo com o que aconteceu, com o ministro a anunciar os resultados. Pedimos ao ministro que divulgasse as percentagens, mas ele simplesmente recusou. Isso cria problemas", afirma com um certo descontentamento.

Na verdade, analistas consideram que um anúncio precipitado dos resultados pode ferir susceptibilidades e provocar desentendimentos. Cristopher Fomunyoh, diretor do Intituto para a África do Instituto Nacional para a Democracia (NDI), afirma que o importante para os malianos é a transparência nas eleições. "Se o processo for considerado transparente, credível e justo, então os resultados serão validados. Mas quando surgem desconfianças e alguém é declarado imediatamente vencedor, então os malianos ficam descontentes", explica.

Por isso, Inna Maïga, apoiante do candidato Cissé, não aceita de forma nenhuma os resultados preliminares. "Discordamos completamente e nunca vamos estar de acordo. Se for necessário vamos para as ruas para protestar contra esta atitude", garante.

Alguns adversários de Ibrahim Boubacar Keita já apelaram à demissão do ministro encarregue da organização do escrutínio. Defendem também a criação de uma comissão internacional para proceder à contagem na hipótese da realização de uma segunda volta eleitoral.

No entanto, para o candidato Soumaia Cissé, é "indispensável e inevitável" a realização de uma segunda volta. "Conhecemos este país e conhecemos as forças políticas neste país desde 1992", lembra.

Participação supera expetativas

Entretanto, apesar de discussões à volta dos números e das percentagens, na verdade já existe um verdadeiro vencedor: o Mali. As eleições terão ultrapassado as expetativas em termos de participação, que terá ficado acima dos 53%, e também pela forma como decorreram sem grandes falhas ou obstáculos.

Um processo que já recebeu muitos elogios da comunidade internacional, nomeadamente da União Europeia (UE) como disse aos jornalistas Richard Zink, chefe da delegação da UE em Bamaco. "Só a participação já foi um grande sucesso", tal como o próprio processo eleitoral, sublinhou. "Como muitos malianos já afirmam, temos os nossos destinos nas nossas próprias mãos e agora queremos um novo começo", acrescentou Zink.

Essas eleições foram desde sempre consideradas cruciais para o futuro do Mali, porque foram as primeiras depois do golpe de Estado de 22 de março de 2012 e da ocupação do norte do país pelos islamitas e o Movimento Nacional de Libertação da Azawad (MNLA). Por isso, a própria comunidade internacional considerou o pleito como um passo importante no sentido da restauração da paz e da democracia naquele país da África Ocidental.