A nicotina ajuda a combater o novo coronavírus? | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 26.04.2020

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Internacional

A nicotina ajuda a combater o novo coronavírus?

Estudos científicos divergem sobre efeito da nicotina nos fumantes durante a pandemia da Covid-19. Um estudo francês sugere que quem fuma pode estar melhor protegido do novo coronavírus, mas há discordâncias.

Os fumantes são considerados um grupo de risco para infeções pelo novo coronavírus. De acordo com um estudo publicado pelo jornal científico Chinese Medical Journal, a doença apresenta mais complicações no caso de fumantes e é ainda mais fatal.

Por outro lado, investigadores franceses liderados por Jean-Pierre Changeaux, neurobiólogo do Instituto Pasteur, suspeitam que os adesivos de nicotina podem ajudar a prevenir a Covid-19.

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Contrariando o estudo chinês, os investigadores franceses dizem que há apenas um pequeno número de fumantes entre pacientes contaminados com a Covid-19. De 500 pacientes estudados com a doença, 350 foram hospitalizados e 150 tiveram efeitos leves da doença. Destes, apenas 5% eram fumantes, afirmou o líder do estudo, Zahir Amoura, à agência de notícias francesa AFP.

Um estudo anterior feito por investigadores liderados por Giuseppe Lippi, de Verona, na Itália, e publicado no European Journal of Internal Medicine, apresentou um resultado semelhante. O estudo também chegou à conclusão de que os fumantes apresentavam a Covid-19 com menos frequência do que os não-fumantes. 

Nicotina como proteção?

O estudo do Instituto Pasteur pressupõe que a nicotina pode proteger os fumantes contra o novo coronavírus. Isto baseia-se na hipótese de que "a nicotina adere aos receptores celulares [ACE2], que são usados pelo novo coronavírus, impedindo assim a adesão do vírus", explica o professor Jean-Pierre Changeux.

Os investigadores concluíram que, nestes casos, o vírus não pode penetrar na célula e, portanto, não pode espalhar-se pelo organismo. Esta conclusão vai ser analisada com mais pormenores no hospital La Pitié Salpêtrière, em Paris.

Os cientistas, entretanto, não concordam que os receptores ACE2 tenham um efeito bloqueador. Os neurologistas James L. Olds e Nadine Kabbani, de Fairfax, na Virgínia, nos Estados Unidos da América, já tinham publicado um estudo sobre o tema no The FEBS Journal, em 18 de março.

A análise pressupõe que a nicotina tende a estimular os receptores celulares. Os neurologistas suspeitam que os vírus tenham chances ainda melhores de penetrar nas células. Este facto poderia explicar porque os fumantes apresentam complicações da doença e, portanto, encontram-se no grupo de risco.

Fumar não é a solução

Se os cientistas franceses ou os norte-americanos têm razão, apenas o tempo vai dizer. Por outro lado, praticamente todos os médicos concordam que o tabagismo representa um risco adicional para quem está contaminado com a Covid-19.

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Os médicos recomendam que as pessoas parem de fumar o mais rápido possível, uma vez que o novo coronavírus afeta sobretudo os pulmões, que já são previamente danificados no caso dos fumantes. O cigarro ainda contém substâncias nocivas que podem causar o cancro.

Ainda são necessários numerosos testes com adesivos de nicotina com diferentes dosagens. Se o estudo francês estiver correto, a nicotina poderá até proteger as pessoas que têm contato com doentes do contágio pela Covid-19.

Entretanto, por ser uma toxina, a ingestão de nicotina não é segura em nenhuma hipótese. Ao fumar um cigarro, o fumante ingere de um a três miligramas de nicotina. Um cigarro contém cerca de 12 miligramas desta substância.

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