A ligação de Nelson Mandela a Moçambique | MEDIATECA | DW | 19.07.2013

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MEDIATECA

A ligação de Nelson Mandela a Moçambique

No dia em que o mundo comemorou o 95º aniversário de Nelson Mandela, o moçambicano Abílio Soeiro lançou "Obrigado Madiba", um livro autobiográfico em que fala sobre as vivências de Mandela em Moçambique.

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Nelson Mandela deslocava-se frequentemente a Moçambique, país vizinho da África do Sul. Mandela fazia-se acompanhar da sua esposa, a moçambicana Graça Machel. Essas vivências de "Madiba" em Moçambique ocupam lugar de destaque no livro "Obrigado Madiba", uma autobiografia do autor moçambicano Abílio Soeiro. O livro foi lançado esta quinta-feira (18.07), dia em que o ex-presidente sul-africano completou 95 anos.

Segundo Abílio Soeiro, a amizade entre Nelson Mandela e Moçambique transmitia aos políticos uma mensagem de paz, mas também de muito amor: "Qualquer intervenção que ele fez cá, qualquer momento em que ele aparecia, era um reflexo daquilo que está dentro dele: a paz, a harmonia. Acredito que muitos dirigentes aprenderam com ele esta sua maneira de ser e de estar."

O poder de diálogo de Mandela, o carisma e as suas convicções fizeram do herói que combateu o regime segregacionista do apartheid na África do Sul um grande amigo de Moçambique, diz Soeiro. Segundo o autor, nas várias vezes que passou pelo país, Nelson Mandela deixou um legado de reconciliação que uniu sul-africanos e moçambicanos, mas "ninguém registou este legado que ele deixa em Moçambique".

A esposa de Mandela, Graça Machel

A obra "Obrigado Madiba" é publicada num momento particularmente difícil para Nelson Mandela. O ícone sul-africano está internado há seis semanas, vítima de uma infeção pulmonar.

"Acho que este é um momento para as pessoas refletirem mais e não se aproximarem", afirma Abílio Soeiro. "Acho que este é o momento em que apenas a família mais chegada deve estar ao pé dele."

E junto a ele está a sua esposa, a moçambicana Graça Machel.

A antropóloga Ana Piedade refere que o casamento entre Graça e Mandela suscitou muitas interpretações.

"Alguns olharam para o casamento como uma forma de fortalecimento de uma relação entre dois Estados de uma forma pacífica", diz. "Mas há também quem tenha olhado para a união como uma forma de oportunismo. 'Por que é que Graça Machel tinha de casar com Mandela e não casou com outra pessoa? Só porque ele é Presidente?', perguntavam… Não acredito que tenha sido isso".

A figura de Nelson Mandela transcende as fronteiras sul-africanas e a união com Graça Machel é um exemplo disso, comenta Ana Piedade.

"Mandela é um 'freedom fighter', um lutador mundial", diz. "O amor de Mandela transcende as fronteiras nacionais, razão pela qual todo o mundo gosta de Mandela, porque soube transpor-se a isto. Creio que Mandela olhou para Graça, viu uma mulher moçambicana, [mas] poderia ter sido uma mulher de um outro país."