A última visita de Angela Merkel aos EUA como chanceler da Alemanha | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 16.07.2021

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Internacional

A última visita de Angela Merkel aos EUA como chanceler da Alemanha

Deslocação de Angela Merkel aos Estados Unidos é ensombrada pelas devastadoras inundações na Alemanha que provocaram pelo menos 80 mortos. Depois de ser recebida por Biden, a chanceler garantiu todo o apoio aos afetados.

As primeiras palavras do Presidente dos EUA, na conferência de imprensa conjunta com a chanceler Angela Merkel, em Washington, na quinta-feira (15.07), foram para as vítimas das cheias na Alemanha. "É uma tragédia e os nossos corações estão com as famílias que perderam entes queridos", disse Joe Biden na Casa Branca.

"Foi um dia de medo, preocupação e desespero. Centenas de milhares de pessoas viram o seu ambiente quotidiano transformar-se de repente numa zona de catástrofe. Receio que só nos próximos dias veremos a dimensão total da catástrofe", disse a chanceler.

Angela Merkel garantiu todo o apoio aos afetados pelas intempéries que varreram o oeste da Alemanha: "Não vos vamos abandonar neste momento difícil e vamos apoiar na reconstrução."

As chuvas fortes de quarta e quinta-feira causaram pelo menos 80 mortos e dezenas de pessoas continuam desaparecidas, segundo as autoridades alemãs. O mau tempo sentido na Alemanha é já considerado uma das piores catástrofes naturais desde o pós-guerra.

Unwetter in Schuld I Rheinland-Pfalz

Mau tempo fez pelo menos 80 mortos no oeste da Alemanha

Luta conjunta contra ameaças

Depois de oferecer as suas condolências, o Presidente norte-americano elogiou o trabalho de Angela Merkel durante o seu mandato, que deverá terminar em setembro, quando a Alemanha eleger um novo chanceler.

"Apesar da despedida "de uma grande amiga pessoal e dos Estados Unidos", Joe Biden acredita que as relações entre as duas nações "vão continuar a fortalecer-se", destacando a união na luta contra as ameaças chinesa e russa.

Deutschland Anlandestation für Nord Stream 2

O controverso gasoduto Nordstream 2

"Vamos lutar pelos princípios democráticos e direitos universais quando vemos a China ou qualquer outro país a trabalhar para minar as sociedades livres. Concordamos na importância de continuar a integrar os Balcãs nas instituições europeias e no nosso apoio contínuo à soberania e integridade territorial da Ucrânia. Continuaremos juntos na defesa dos nossos aliados da Europa de leste na NATO contra a agressão russa", assegurou Biden.

Há, no entanto, uma questão delicada nesta região: o controverso gasoduto Nordstream 2, que liga a Rússia à Alemanha, e que vai transportar gás russo para a União Europeia (UE), contornando a Ucrânia.

Há várias semanas que Berlim e Washington mantêm conversações sobre a obra que está praticamente concluída e que ameaça privar a Ucrânia de uma parte das receitas arrecadadas com a passagem do gás, mas também de um meio de pressão sobre Moscovo. 

Merkel e Biden concordam em discordar

Sem grandes progressos, Merkel e Biden concordam em discordar. Mas o Presidente norte-americano deixou uma garantia: "Embora tenha reiterado a minha preocupação quanto ao Nordstream 2, eu e a chanceler Angela Merkel estamos absolutamente unidos na convicção de que não podemos permitir que a Rússia use a energia como uma arma para coagir ou ameaçar os seus vizinhos."

Angela Merkel tentou minimizar as divergências entre Washington e Berlim. "Temos diferentes opiniões sobre este projeto, mas quero frisar que a Ucrânia continua a ser um país de trânsito para o gás natural e tem o direito à soberania territorial como qualquer outro país. Vamos agir se a Rússia não der o direito à Ucrânia de ser um país de trânsito. O Nordstream é um projeto adicional, não um substituto da passagem do gás pela Ucrânia", frisou.

USA Besuch Angela Merkel | Treffen mit Joe Biden

Anglea Merkel foi recebida por Joe Biden na Casa Branca

Apesar das diferenças, continua a haver compromisso na área da energia: Biden e Merkel anunciaram uma parceria energética e climática entre os dois países para apoiar as economias emergentes, prometendo mobilizar investimentos para a Europa central e de leste.

Um sinal importante, segundo a chanceler alemã, que se mostrou satisfeita com o regresso dos Estados Unidos ao Acordo do Clima de Paris – no primeiro dia no cargo, Joe Biden reverteu a decisão de Donald Trump de retirar o país do acordo.

Relações com a China

Como se esperava, esta quinta-feira os dois líderes falaram ainda sobre a China: a Alemanha tem fortes relações económicas com Pequim, apesar das divergências crescentes no campo dos direitos humanos, sobretudo no que diz respeito à repressão em Hong Kong e às violações contra a minoria muçulmana uigur. E os Estados Unidos têm pressionado os parceiros europeus a fazer frente a Pequim.

Já Angela Merkel insiste na cooperação em questões como as alterações climáticas e a pandemia da Covid-19. Em Washington, esta quinta-feira, defendeu uma resposta coordenada do Ocidente nas relações com a China, em questões como os direitos laborais, o comércio e a cibersegurança, com uma ressalva. "Acredito que os fundamentos das nossas relações com a China devem basear-se nos valores comuns que distinguem os Estados Unidos e a Alemanha."

Houve tempo ainda para falar sobre os ataques no Sahel, um "grande desafio para a Europa” e para os países da região, segundo Angela Merkel, que agradeceu aos Estados Unidos pelo combate a estes avanços terroristas.

Merkel foi a primeira chefe de Governo da Europa a ser recebida por Biden na Casa Branca desde que tomou posse, a 20 de janeiro. A visita marca um novo começo nas relações entre os Estados Unidos e a Alemanha após a tumultuosa era Trump.

Assistir ao vídeo 04:33

Angela Merkel nos EUA: Nova fase das relações transatlânticas?