27 de maio de 1977 visto por William Tonet | NOTÍCIAS | DW | 27.05.2011
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NOTÍCIAS

27 de maio de 1977 visto por William Tonet

Em entrevista, Tonet fala sobre o seu livro, sem data prevista para o lançamento, onde se relata como, há 34 anos atrás, houve uma chacina em Angola, em resposta a uma tentativa de golpe de Estado contra Agostinho Neto.

Na imagem, apoiantes do MPLA, mostrando a fotografia do primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto. O massacre de 27 de maio, que custou a vida a milhares de angolanos, está ligado a esta figura

Na imagem, apoiantes do MPLA, mostrando a fotografia do primeiro presidente de Angola, Agostinho Neto. O massacre de 27 de maio, que custou a vida a milhares de angolanos, está ligado a esta figura

DW: Que fatos retrata no seu livro?

William Tonet: É um livro que pretende retratar do 27 de maio, muito se tem falado sobre esta data tão importante pela negativa na vida dos angolanos ligados ao partido no poder. O 27 de maio está de fato ligado ao MPLA, Movimento Popular de Libertação de Angola, porque foi uma das maiores expurgas que Angola conheceu no interior de um movimento de libertação nacional. Mas muitos se têm debruçado sobre os efeitos.

Nós pretendemos agora falar um pouco sobre as causas: o 27[ de maio ] teve início na altura da fundação do MPLA, principalmente depois da chegada de Agostinho Neto. Quando este é convidado pelos reais percursores do MPLA, começa-se a esboçar a história das grandes contradições neste importante movimento de libertação. O livro pretende ousar fazer uma incursão neste passado e trazer-nos até 1977 e aos anos seguintes sobre os efeitos de uma das maiores chacinas políticas.

DW: O que o motivou a escrever sobre este facto?

William Tonet: Direta ou indiretamente a maior parte dos angolanos daquele tempo estão envolvidos no 27 de maio; eu estive envolvido, a minha família esteve envolvida; a partir do meu pai que esteve preso, dois tios meus estiveram presos e foram enterrados vivos sem qualquer tipo de julgamento. Matematicamente e juridicamente falando, eu ainda estou preso porque não temos formalizado sequer nenhum mandato de soltura, como não temos nenhuma acusação, mas sofremos sevícias sobre um crime que nos foi incultado e que não chegou a ser provado, e nunca se deu a oportunidade das pessoas que eram apontadas como querendo dar um golpe de Estado a Agostinho Neto sequer foram ouvidas - porque ele disse que não haveria julgamento e nem "perderiam tempo com julgamentos".

DW: Desde esse período que retrata no seu livro até hoje acha que o MPLA mudou na sua forma de atuação?

William Tonet: O MPLA mudou para muito pouco, o MPLA deveria ter ousado mudar muito mais, o MPLA tem responsabilidades acrescidas porque está no poder desde 1975. O MPLA tem uma história e deve tentar respeitá-la, assumir os seus erros e assumir o seu período de inquisição. Esta é uma das maiores páginas negras deste movimento de libertação. O MPLA devia se comprometer com este passado, devia fazer uma mea culpa, devia ouvir aqueles que ele considera serem os vencidos.

E, nesse aspecto, para muito ou pouco, a história vai sendo deturpada pela manutenção do poder. Agora é preciso contar um pouco da verdade histórica, não é que o livro e nós tenhamos a verdade da história, mas a contribuição de vários atores pode permitir que na junção se chegue a um denominador mais realista, mais imparcial daquilo que é a história dos angolanos.

Autor: Nádia Issufo/Renate Krieger
Revisão: Helena Ferro de Gouveia

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