100 dias de Biden: África em foco no combate ao terrorismo global? | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 29.04.2021

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

100 dias de Biden: África em foco no combate ao terrorismo global?

Após ignorância de Trump sobre África, especialistas veem sinais de mudança na política dos EUA a favor do combate ao terrorismo no discurso de Biden sobre saída do Afeganistão e na abordagem ao extremismo em Moçambique.

Muitos em África viveram a era Trump como um ponto baixo nas já ambivalentes relações entre Estados Unidos e África. "Donald Trump não estava, de modo algum, interessado em África. De facto, considerava África como um fardo. Pode até ter mostrado algum interesse, mas apenas em termos da chamada luta global contra o terrorismo islâmico", afirma o camaronês Achille Mbembe, um dos mais renomados intelectuais pan-africanos.

Olhando para os primeiros meses da administração de Joe Biden como Presidente dos Estados Unidos, alguns observadores também apontam a luta contra o terrorismo como um aspecto presente na agenda do Governo.

Em meados de abril, Biden reafirmou a decisão de Trump de se retirar do Afeganistão , ao mesmo tempo que apontava também para os perigos do terrorismo global. "Sob a minha liderança, aperfeiçoaremos a estratégia nacional para monitorizar e interromper as ameaças terroristas significativas. Não só no Afeganistão, mas em qualquer lugar onde possam surgir. E estão em África, na Europa, no Médio Oriente, e noutros lugares", disse Biden.

Alguns analistas defendem que a segurança tem sido uma constante na política dos EUA em África ao longo das últimas décadas – independentemente de quem está no poder. E, apesar de uma possível mudança na força das tropas norte-americanas, elas devem permanecer.

Terrorismo em Moçambique

"Presumo que as principais características do programa em África se manterão. Ou seja, o destacamento dos chamados conselheiros militares, além das missões de formação para apoiar e capacitar os exércitos africanos. Vemos isso agora mesmo em Moçambique, onde estão conselheiros militares para apoiar e treinar o exército", explica Christian von Soest, investigador do Instituto GIGA, com sede na Alemanha.

A especialista em segurança Vanda Felbab-Brown vê sinais de uma mudança na política dos EUA a favor do combate ao terrorismo em África no discurso de Biden sobre a saída do Afeganistão e na sua abordagem a Moçambique.

Mosambik Militär Training US Navy

Militares dos EUA treinam fuzileiros moçambicanos

"É de facto significativo que ao anunciar a saída do Afeganistão, a sua retirada militar, se tenha enfatizado repetida e veementemente que as questões da luta contra o terrorismo em África eram de maior significado, e maior ameaça para os Estados Unidos, do que o terrorismo que emana do Afeganistão", observa.

A especialista aponta ainda a nova designação dos grupos terroristas: "Apenas algumas semanas atrás, em meados de março, a administração Biden designou dois novos grupos como terroristas globais: o chamado grupo Al-Shabaab em Moçambique e também um grupo na RDC."

E além da segurança?

Felbab-Brown espera, contudo, que a política dos EUA não apenas enfatize a luta contra o terrorismo. Mas inclua, por exemplo, o desenvolvimento mais amplo em países africanos.

"É preciso evitarmos ver tudo através a parrtir das lentes do combate ao terrorismo. E, com isso, negligenciar, ou subestimar, o papel da boa governação em África. Há governos altamente corruptos, e, com frequência, muito susceptíveis a máfias de interesses privados, de onde se obtém recursos e privilégios num instante", sublinha.

Para outros, Joe Biden ainda tem de provar o seu valor. Gnaka Lagoke, professor marfinense da Universidade de Lincoln, na Filadélfia, expressou à DW África grande cepticismo sobre a tomada de posse de Joe Biden como Presidente dos Estados Unidos, em janeiro.

"Por tudo aquilo de que Donald Trump pode ser acusado, ele não prosseguiu as políticas imperialistas dos EUA em África. Nem travou guerras em África, ao contrário de Barack Obama, cujo vice-presidente foi Joe Biden. Assim, com Biden, poderíamos regressar à normalidade - uma América imperialista capaz de iniciar guerras para defender os seus interesses, assim como foi o caso na Líbia", destaca.

Assistir ao vídeo 03:57

Relações UE vs EUA: Que futuro após as presidenciais nos EUA?

Leia mais