Özil abala futebol alemão com acusações de racismo e saída da seleção da Alemanha | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 23.07.2018
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Internacional

Özil abala futebol alemão com acusações de racismo e saída da seleção da Alemanha

Com várias mensagens nas redes sociais, o internacional alemão Mesut Özil gerou um grande debate na Alemanha. Özil acusou o presidente da Federação de Futebol da Alemanha (DFB), Reinhard Grindel, de racismo.

Fußball WM 2014 Mesut Özil (picture-alliance/CITYPRESS24)

Mundial de 2014 no Brasil: campeão mundial, o ponto alto da carreira de Mesut Özil na seleção da Alemanha

Como começou o debate?

Na origem da discussão está uma foto que os dois internacionais da Alemanha, Mesut Özil e Ilkay Gündoğan, tiraram em Londres com o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan. Foi ainda antes do Mundial e durante a campanha das eleições na Turquia.

Desde então, as acusações de que os dois jogadores teriam apoiado o regime autoritário de Erdoğan na Turquia não pararam. É interessante notar que um terceiro internacional alemão de origem turca, Emre Can, não participou no evento com Erdoğan apesar de ter recebido um convite. 

Qual é a crítica em relação a Özil?

Mesut Özil in Sotschi 2018 (picture-alliance/augenklick/firo Sportphoto)

Mundial de 2018 na Rússia: a seleção alemã e Özil não convenceram

As fotos com Erdoğan causaram um onda de críticas e uma discussão pública na Alemanha. Basicamente há dois grupos de críticos:

Um grupo diz que as imagens dos jogadores que oferecem uma camisa ao Presidente turco Erdoğan em plena campanha eleitoral não combinam com valores da seleção alemã como o respeito pelos direitos humanos, pois Erdoğan colocou milhares de críticos e jornalistas independentes nas prisões turcas.

Outro grupo diz que a foto mostra que jogadores de origem turca como Özil não sabem de que lado estão. Muitas vezes com claras conotações racistas e xenófobas, questionam a integração destes jogadores na equipa alemã. Vários alemães também criticam o facto de que, ao contrário da maioria dos jogadores, Mesut Özil não costuma cantar o hino nacional da Alemanha antes do início das partidas.

A Federação de Futebol da Alemanha (DFB) tentou "abafar" a discussão ainda antes do Mundial, mas em vão. No amistoso contra a Arábia Saudita antes do Mundial, Ilkay Gündogan foi constantemente assobiado pelos próprios adeptos alemães (Özil não jogou por causa de uma lesão).

Depois do fracasso da equipa alemã, que pela primeira vez na história não passou da fase de grupos num Mundial, o debate sobre a foto de Özil e Gündoğan reacendeu. Representantes do futebol alemão, como o diretor desportivo Oliver Bierhoff, deixaram em declarações públicas a impressão de culpar Özil pelo desastre desportivo da "Mannschaft" na Rússia. 

Özil mostrou-se arrependido das fotos?

Neste domingo (22.07), Özil falou pela primeira vez depois da foto e diz que o presidente da Federação de Futebol da Alemanha, Reinhard Grindel, tentou impedir a sua participação no Mundial pela seleção alemã. Acusou Reinhard Grindel de racismo e questiona se o mesmo teria acontecido se ele não fosse muçulmano. Özil também criticou os meios de comunicação da Alemanha por não falarem o suficiente sobre as sua ações de caridade.

Mas Özil disse que faria tudo igual por respeito ao país dos seus pais, portanto, a Turquia. 

Nas três mensagens de Özil, que foram publicados em inglês e não em alemão, não há nenhuma crítica em relação ao regime de Recep Tayyip Erdoğan. 

O ministro de Desporto da Turquia, Mehdi Kasapoğlu, agradeceu e saudou no Twitter a "postura de honra do nosso irmão Mesut".

E como reagiu a Federação de Futebol da Alemanha?

Num comunicado emitido nesta segunda-feira (23.07), a Federação de Futebol da Alemanha (DFB) agradeceu pelos serviços de Özil e lembrou o seu papel decisivo na conquista do Mundial no Brasil, há quatro anos.

Mas a Federação recusou qualquer acusação de racismo por parte do seu presidente, Reinhard Grindel. Lembrou que é preciso respeitar valores como os direitos humanos se alguém quer jogar pela Alemanha. Entre linhas, pode ler-se uma crítica a Mesut Özil. 

Özil teve apoio na Alemanha a seguir às suas mensagens?

Ouvir o áudio 03:43

Conversa sobre a demissão de Mesut Özil da seleção da Alemanha

Houve muito mais críticas do que apoios. O Presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, foi muito brutal e disse que há muitos anos que Özil não joga bem e que está a esconder-se atrás do temas das fotos: "Há muitos anos que Özil não devia fazer parte da seleção por motivos desportivos", afirmou.

Frank Steffel, o porta-voz de desporto da CDU, partido da chanceler Angela Merkel, criticou em conversa com a DW a falta de comunicação entre todos e lamentou o dano profundo causado pela discussão ao futebol alemão: "Mas, em termos desportivos, Özil sempre fará parte da nossa seleção campeã de 2014."

Cem Özdemir, deputado dos Verdes e também alemão de origem turca, acha que Özil cometeu um erro grande com a foto com Erdoğan. Mas Özdemir também não poupa criticas em relação à atitude passiva com que a Federação de Futebol da Alemanha tentou lidar com a discussão ao longo dos últimos meses: "A Federação está a destruir a integração [de jogadores de origem estrangeira]! Querem que os jovens jogadores alemães-turcos comecem a jogar por Erdoğan? A Federação precisa de um reinício."

O debate sobre Özil é sinal dum racismo crescente na Alemanha?

Há muitas vozes que temem que este debate seja o reflexo do aumento de popularidade do partido de extrema direita, AfD (Alternativa para a Alemanha) e de xenofobia na Alemanha, após a chegada de muitos refugiados nos últimos anos.

A ministra de Justiça da Alemanha, Katarina Barley, do SPD (Partido Social Democrata da Alemanha), disse que é um sinal de alarme se um jogador grande como Özil já não se sente bem a jogar pelo seu país por causa de racismo.

Esta preocupação de Barley é partilhada por muitos alemães que apesar de não gostarem do apoio de Özil a Erdoğan não gostaram do tom racista que dominou parte do debate nas últimas semanas.

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