África: O poder da música na política | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 14.09.2018
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Internacional

África: O poder da música na política

Bobi Wine é uma das principais vozes da oposição no Uganda e utiliza a música como "arma" privilegiada. Mas, dos tambores ao Afro-pop, a relação entre política e música em África é tão antiga quanto a própria música.

Conhecido como o "presidente do gueto", o ugandês Bobi Wine está a pressionar tanto o Governo do Uganda, a ponto desse precisar reagir com a força das armas. Este famoso músico de 36 anos foi eleito no ano passado para o Parlamento do país e diz querer dar voz à juventude - é considerado uma ameaça para o Presidente Museveni. O músico tem chamado atenção internacional pelo seu envolvimento com a política. Mas a relação entre a música e a política em África não é de agora, é tão antiga quanto a própria música... 

"Qual é o propósito da liberdade?..."

No videoclipe da música "Freedom", Bobi Wine aparece numa cela de prisão e usa uma faixa vermelha na cabeça, a cor da oposição. "Qual é o propósito da liberdade se não temos mudanças pacíficas de poder em nosso país? Qual é o propósito de uma Constituição, se o Governo simplesmente a ignora?” questiona o músico. Por trás dos seus sons alegres de "reggae", há uma crítica mordaz ao Governo do Presidente do Uganda, Yoweri Museveni. 

Youtube Screenshot - Bobi Wine Musikvideo zu Freedom (YouTube/Ugandan Music Videos)

Bobi Wine, 36 anos, transmite pela música as suas mensagens

"Não é apenas sobre o ‘Bobi Wine’ - eu sou um entre os 40 milhões de ugandeses que querem liberdade, justiça e dignidade. Estamos a falar da jovem que trabalha todos os dias para alimentar o filho pequeno, dos universitários desempregados, e também dos anciãos envergonhados com o que está a passar agora no Uganda ".

Em agosto de 2018, o deputado e músico Bobi Wine foi preso, espancado e torturado. Depois de ser libertado da prisão, Wine viajou para os Estados Unidos iniciando tratamento médico. Ugandeses na capital Kampala protestaram pedindo a sua libertação. E até mesmo músicos internacionalmente conhecidos, como Angelique Kidjo, Peter Gabriel e o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, assinaram uma petição em favor do músico. 

África: Sons dos instrumentos são parte da comunicação

Uganda «Präsident der Ghettos» Bobi Wine wegen Hochverrats angeklagt (picture-alliance/AP Photo/R. Kabuubi)

Muito popular junto do cidadão comum, Wine é considerado o "Presidente dos 'Ghettos'"

Mas a relação entre música e política é quase tão antiga quanto à própria música, especialmente em África. Em algumas regiões africanas, a música sempre foi considerada um meio de comunicação linguístico. Na língua Bantu da África Ocidental, por exemplo, comunica-se palavras através dos sons dos tambores. Nepomuk Riva é etnógrafo musical da Academia de Música, Teatro e Media da cidade alemão de Hanover, e sublinha que "nestas regiões, você jamais diria que está a tocar um tambor, mas que o tambor mesmo está cantando ou falando. Ou seja, os sons dos instrumentos são parte da própria comunicação."

Nos Camarões, a música dos tambores era usada para comunicar-se a longas distâncias. Os colonialistas alemães não compreendiam que mensagens eram transmitidas pelos tambores. Mais tarde, porém, começou-se a destruir esses instrumentos, diz o etnólogo musical: "Nessas músicas, é muito fácil perceber a crítica ao poder colonial. Às vezes,  passagens curtas expressavam desaprovação com a situação política".

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África: O poder da música na política

Também a música tradicional do Gana tem seu aspecto político, de acordo com o etnógrafo de música Eyram Fiagbedi, da Universidade de Cape Coast. As canções tradicionais ganesas falavam sobre os conflitos étnicos, e apenas durante os rituais de música os líderes podiam ser publicamente criticados.

"A música mobiliza as pessoas"

Já no século XX, o nigeriano Fela Kuti foi um dos primeiros músicos africanos comercialmente bem-sucedidos ao “misturar” música e política.  É considerado o pai do “Afro-beat”. Inovadoras, suas canções trazem sons africanos tradicionais junto do funk e jazz norte-americanos. Ele compôs sobretudo no período pós-independência da Nigéria, denunciando a opressão militar.

Na África do Sul a política e música estiveram juntas para criticar o Apartheid. Grandes nomes da música, como os sul-africanos Miriam Makeba e Hugh Masekela, tiveram de se exilar por causa do regime racista. 
Para o musicólogo Lee Watkins, da Universidade de Rhodes, na África do Sul, a interação entre música e política existe em todo o mundo: "A música mobiliza as pessoas, e as torna mais políticas". 

 

 

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