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HRW denuncia perseguição a somalis e muçulmanos no Quénia

Andrew Wasike / Karina Gomes20 de julho de 2016

Relatório da organização de direitos humanos mostra que ações antiterrorismo contra milícia al-Shabaab estão a resultar em detenções ilegais, assassinatos e desaparecimentos. Principais vítimas são muçulmanos e somalis.

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Forças de segurança quenianas num treino de combate à milícia islâmica al-ShabaabFoto: Reuters

Um relatório da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW), divulgado esta quarta-feira (20.07), denuncia que forças de segurança do Quénia estão a praticar detenções ilegais, desaparecimentos e assassinatos contra quenianos muçulmanos e somalis, em operações abusivas de combate ao terrorismo no nordeste do país.

Apenas neste ano, 11 pessoas foram encontradas mortas poucos dias depois de serem detidas. Desde 2014, forças de segurança quenianas provocaram 34 desaparecimentos forçados, diz a HRW.

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Segundo o diretor-executivo da organização, Kenneth Roth, não apenas a unidade de polícia antiterror, mas também agências de inteligência e as forças armadas estão envolvidas nos alegados crimes.

"As vítimas são, sobretudo, somalis e quenianos muçulmanos. Geralmente, são levados para uma unidade de polícia, mesmo que não haja nenhuma denúncia. Dias depois, aparecem mortos ou nunca mais são encontrados", afirmou em entrevista à DW África.

A Human Rights Watch solicitou um posicionamento das Forças Armadas e dos ministérios da Defesa e do Interior do Quénia, mas não obteve respostas.

Combate ao terrorismo

Em 2015, terroristas somalis da milícia islâmica al-Shabaab mataram mais de 140 estudantes na Universidade de Garissa, o que gerou uma série de medidas de combate ao extremismo no Quénia.

Entretanto, a ameaça terrorista tem levado a uma série de execuções extrajudiciais e detenções arbitrárias. "O Quénia enfrenta uma séria ameaça à sua segurança, mas isso não justifica de forma alguma os desaparecimentos que denunciamos no relatório. Uma resposta séria ao terrorismo consiste em prender pessoas, acusá-las e levá-las a julgamento, não provocar seu desaparecimento. Isso cria um clima hostil nessas comunidades e é exatamente o que a al-Shabaab quer", argumenta Roth.

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Ataque que deixou 140 mortos na Universidade de Garissa intensificou ações de combate à milícia al-Shabaab no QuéniaFoto: picture-alliance/dpa/D.Irungu

A HRW instou os Estados Unidos e o Reino Unido, parceiros internacionais do Quénia no combate ao terrorismo, a não corroborar com as graves de violações de direitos humanos.

Otsieno Nyamwaya, investigador da organização, cita o caso do comerciante Noor Abdiwahab Diis, que foi detido por quatro militares das Forças Armadas no início deste ano. "O corpo dele foi encontrado em 27 de abril, cinco dias depois, a 50 quilómetros do local onde ele foi detido. Ele levou três tiros na cabeça e um em cada ombro."

O diretor-executivo da organização Muçulmanos por Direitos Humanos, Hassan Abdille, não consegue conter o choro ao conversar com os familiares das vítimas. "O Governo tem de garantir que as medidas tomadas sejam humanas e não degradantes. Eles precisam tratar nosso povo com dignidade."