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Eleição nos EUA, uma disputa de impopularidade

6 de maio de 2016

Se presidência dos EUA ficar entre Donald Trump e Hillary Clinton, quase metade dos eleitores dariam seu voto para impedir que o outro vença. Resultado mostra divisão ideológica profunda no país, diz especialista.

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Donald Trump e Hillary Clinton, os mais prováveis candidatos à presidência dos Estados Unidos
Foto: Getty Images/AFP/J. Samad/T.A. Clary

Quase metade dos americanos que apoiam a democrata Hillary Clinton ou o republicano Donald Trump na corrida pela presidência dos Estados Unidos diz querer, acima de tudo, impedir que o outro lado vença, afirmou uma pesquisa Reuters/Ipsos nesta quinta-feira (05/05).

Questionados sobre a principal motivação para apoiar Trump na eleição presidencial de 8 de novembro, cerca de 47% de seus eleitores disseram que votariam no magnata americano porque não querem que a ex-secretrária de Estado vença. Outros 43% afirmaram ter apreço por suas posições políticas, e 6% justificaram que ele os agrada como pessoa.

Respostas semelhantes prevaleceram entre os eleitores de Hillary. Cerca de 46% dos entrevistados disseram que votariam nela principalmente porque não querem Trump como presidente, outros 40% afirmaram concordar com suas plataformas políticas e 11% disseram que ela os agrada pessoalmente.

Segundo Larry Sabato, diretor do Centro de Políticas da Universidade de Virgínia, os resultados da pesquisa refletem uma divisão ideológica profunda nos EUA, onde a população teme cada vez mais o partido opositor. Esse sentimento se agrava com a provável disputa entre Trump e Hillary.

"Este fenômeno é chamado de partidarismo negativo", diz Sabato. "Se estivéssemos tentando maximizar o efeito, não poderíamos ter encontrado indicados melhores que Trump e Hillary."

Com sua fala grosseira e suas propostas linha-dura, Trump conquistou ao mesmo tempo apoiadores entusiasmados e críticos violentos. Entre as ideias de governo do magnata estão a renegociação de acordos comerciais internacionais, a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México e uma proibição temporária à entrada de muçulmanos no país.

Já o apelo de Hillary junto aos eleitores que querem a continuação das políticas do atual presidente americano, Barack Obama, lhe rendeu uma dianteira decisiva na corrida pela indicação de seu partido, mas ela perde força entre os que estão desiludidos com os dois mandatos democratas.

A pesquisa feita entre 29 de abril e 5 de maio entrevistou 469 eleitores em potencial de Trump e 599 eleitores em potencial de Hillary, e tem uma margem de erro de cinco pontos percentuais.

Infográfico mostra os resultados das primárias nos Estados Unidos

Primárias

Com a desistência recente dos dois últimos concorrentes de Trump, Ted Cruz e John Kasich, pela indicação do Partido Republicano, o magnata tem agora o caminho livre para disputar a presidência dos EUA pela legenda.

Com a vitória em Indiana na última terça-feira, Trump ficou a menos de 200 delegados de obter os 1.237 necessários para a nomeação, apesar de ainda não terem votado estados populosos, como Califórnia e Nova Jersey. Sua candidatura, em termos matemáticos, já era praticamente certa.

Entre os democratas, a vitória em Indiana foi do senador de Vermont Bernie Sanders. O resultado, porém, não tem grande influência sobre a atual situação, pois Hillary já tem 92% dos delegados que precisa para ser indicada como candidata do Partido Democrata à presidência.

EK/afp/rtr