Zeitgeist: Encontros entre presidentes dos EUA e papas têm tradição | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 25.05.2017
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Zeitgeist: Encontros entre presidentes dos EUA e papas têm tradição

Desde John F. Kennedy, todos os presidentes americanos se encontraram com o líder católico. Algumas duplas ficaram famosas pelas suas boas relações, como Ronald Reagan e João Paulo 2º ou Barack Obama e Francisco.

Obama e papa Francisco no Vaticano, em 2014

Dois que se davam bem: Obama e o papa Francisco

As relações entre os Estados Unidos e o Vaticano remontam aos tempos de George Washington. Elas foram formalmente interrompidas em 1867, em meio a fortes sentimentos anticatólicos nos Estados Unidos. Relações diplomáticas plenas só foram retomadas em 1984. Antes disso, e a partir dos tempos de Franklin D. Roosevelt, os presidentes mantiveram representantes pessoais no Vaticano.

Mas o primeiro presidente a visitar o Vaticano foi Woodrow Wilson, em 1919. Em janeiro daquele ano, ele estava em meio a uma visita de seis meses à Europa, então recém-saída da Primeira Guerra Mundial. Apesar de não haver a intenção inicial de visitar o então papa Bento 15, Wilson acabou se encontrando com o pontífice por sugestão de um cardeal americano. O gesto, afinal, era importante para agradar o crescente eleitorado católico nos EUA. A visita resultou no primeiro momento constrangedor entre um papa e um presidente americano, quando Wilson, que era presbiteriano, recusou-se a se ajoelhar na hora da benção final.

Passaram-se 40 anos até um papa e um presidente americano voltarem a se encontrar. Em 1959, João 23 recebeu Dwight D. Eisenhower no Vaticano. A demora se explica pelos problemas causados pela Grande Depressão, pela Segunda Guerra Mundial e também por uma certa má-vontade com o catolicismo em amplos setores da sociedade dos Estados Unidos. Porém, a Guerra Fria e um inimigo em comum – a União Soviética comunista – aproximaram os dois lados.

João Paulo 2º ao lado de Jimmy Carter

João Paulo 2º foi o primeiro a visitar a Casa Branca, sendo recebido por Jimmy Carter

Em 1963, também no Vaticano, aconteceu aquele que é, até hoje, o único encontro entre um presidente católico dos Estados Unidos e um papa, quando Paulo 6º, empossado havia apenas duas semanas, recebeu John F. Kennedy (também o único presidente católico dos EUA). Kennedy cumprimentou o papa, mas não beijou sua mão. O gesto foi entendido como um sinal de distância, pois os sentimentos anticatólicos nos EUA haviam feito Kennedy declarar, ainda durante a campanha eleitoral, que "nenhum prelado católico vai dizer para o presidente, se ele for católico, como agir".

Paulo 6º também se tornou o primeiro papa a visitar os Estados Unidos, onde se encontrou, em Nova York, com o presidente Lyndon Johnson. Desde então, todos os presidentes americanos se encontraram com o líder católico, mas só em 1979 um papa visitou a Casa Branca, quando João Paulo 2º foi recebido por Jimmy Carter. Cinco anos depois, os dois estados retomaram as plenas relações diplomáticas, interrompidas desde 1867.

João Paulo 2º foi também o papa que manteve a relação mais próxima com um presidente dos EUA, no caso Ronald Reagan. O pano de fundo era, ainda, a Guerra Fria, e ambos eram ferrenhos adversários do comunismo. João Paulo 2º, como lembrou Reagan num encontro com ele em 1987, viveu sob o nazismo e o comunismo na Polônia.

George W. Bush ao lado do papa João Paulo 2º

George W. Bush passou por um momento constrangedor ao lado do papa João Paulo 2º

João Paulo 2º, que teve um longo papado, encontrou-se ainda com George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush. Este também passou por uma situação constrangedora quando, em 2004, o papa, então já num estágio avançado do Mal de Parkinson, leu um discurso em inglês no qual, com a voz trêmula por causa da doença, condenava em termos duros a Guerra do Iraque.

Cordial foi a relação entre Barack Obama e Francisco, que tinham posições comuns em muitos temas. Obama não se cansava de elogiar o papa argentino, que chamou de exemplo moral. A boa relação trouxe também frutos políticos: a reaproximação entre os Estados Unidos e Cuba se deu em grande parte por intermédio do papa. Quando anunciaram o restabelecimento das relações diplomáticas, tanto Obama como o presidente cubano, Raúl Castro, agradeceram a mediação de Francisco.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.

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