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Coluna

Zeitgeist: A fronteira das Irlandas e o futuro do Brexit

Como deixar o mercado comum europeu e a união aduaneira e ainda assim não reintroduzir controles na fronteira? Questão paradoxal expõe as contradições do Brexit.

Dois homens vestidos de guardas de fronteira protestam contra o Brexit diante do Parlamento do Irlanda do Norte

Dois homens vestidos de guardas de fronteira protestam contra o Brexit diante do Parlamento do Irlanda do Norte

A questão da fronteira entre as duas Irlandas mostrou ser uma das mais espinhosas no processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) por levar a uma situação paradoxal: deixar o mercado comum europeu e a união aduaneira sem fechar a fronteira.

A questão é também sintomática das dificuldades que o Brexit apresenta. Como em várias outras envolvendo a saída do Reino Unido da UE, trata-se de sair sem perder vantagens de estar dentro do bloco.

A Irlanda, que tem a União Europeia do seu lado, quer evitar a todo custo que volte a existir uma fronteira rígida, isto é, com controle aduaneiro. O país teme que isso possa minar a paz alcançada com o Acordo da Sexta-Feira Santa, que encerrou três décadas de violência sectária.

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Já o Reino Unido, do qual a Irlanda do Norte faz parte, quer deixar a UE e tudo o que ela representa, incluindo o mercado comum europeu, que prevê a livre circulação de mercadorias e trabalhadores entre todos os países europeus. Só que sair do mercado comum europeu e da união aduaneira significa que controles de alfândega precisam ser introduzidos na fronteira entre as duas Irlandas.

Como conciliar duas posições antagônicas? O governo da primeira-ministra Theresa May apresentou em Bruxelas, esta semana, uma proposta que incluía um chamado "alinhamento regulatório", ou seja, de que regras e padrões para o setor produtivo e industrial fossem "alinhados" dos dois lados da fronteira, minimizando a necessidade de controles.

Na prática, esse "alinhamento regulatório" significa que o Reino Unido – ou ao menos uma parte dele, no caso a Irlanda do Norte – adotaria regras e padrões da União Europeia, o que é justamente o contrário do que os defensores do Brexit exigem.

E, assim, não tardou para que May recebesse, em Bruxelas, um telefonema de Belfast. O partido pró-Brexit DUP, do qual o governo minoritário da premiê depende, disse que não aceita de jeito nenhum que a Irlanda do Norte deixe a União Europeia em condições diferentes das demais nações do Reino Unido.

May foi obrigada a recuar quando já estava negociando, o que, além de evidenciar as dificuldades do processo do Brexit, ainda expôs a fraqueza de uma primeira-ministra que teve de retirar o que acabara de apresentar por causa da oposição de um aliado menor.

O que o DUP defende pode acabar prejudicando duramente a Irlanda do Norte. Segundo levantamento do jornal Financial Times, uma fronteira com controle aduaneiro afetaria mais de 7.300 empresas que exportam para a Irlanda, ou cerca de 15% dos negócios na região.

A fronteira teria, ainda, impacto sobre cerca de 177 mil caminhões e 250 mil vans que a atravessam todos os meses em viagens comerciais. Principalmente as micro e pequenas empresas seriam afetadas com o fim da livre circulação de mercadorias.

A Irlanda é, de longe, com cerca de 30%, o principal destino das exportações da Irlanda do Norte. Além disso, muitos produtos são componentes ou ingredientes que atravessam a fronteira várias vezes até virarem um produto final.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que recebe no dia a dia.

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