Zeitgeist: A complexa equação chamada Coreia do Norte | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 13.04.2017
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Zeitgeist: A complexa equação chamada Coreia do Norte

Pequeno país comunista é um Estadão-tampão para a China e incômodo constante para os Estados Unidos. Entenda os interesses em jogo nessa complicada equação geopolítica.

Kim Jong-Un ao lado de militares

Ditador Kim Jong-un inspeciona armas nucleares em Pyongyang

O acirramento das tensões entre Estados Unidos e Coreia do Norte tem complicado ainda mais aquela que já é uma das equações mais complexas e perigosas dos tempos atuais: a divisão da Península Coreana em dois estados satélites, um ligado aos EUA e o outro à China.

Zeitgeist: Por que a China precisa da Coreia do Norte

O presidente americano, Donald Trump, foi claro em recentes entrevistas e tweets: se a China não ajudar a resolver o problema da Coreia do Norte, os Estados Unidos o farão sozinhos. Poucos dias depois, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Carl Vinson à região, uma decisão que foi duramente criticada pelo regime em Pyongyang.

Há sinais de que a China quer colaborar com os EUA. "Acho que ele quer nos ajudar com a Coreia do Norte", afirmou Trump sobre o presidente chinês, Xi Jinping, nesta quarta-feira (12/04), na Casa Branca. Em troca, os chineses teriam obtido vantagens comerciais.

Num gesto surpreendente, Trump disse esta semana que não vai declarar a China uma manipuladora cambial, uma ação que resultaria em tarifas de importação mais elevadas para os produtos chineses. A decisão bate de frente com o discurso usual de Trump de que empregos estão sendo perdidos nos EUA por causa da competitividade internacional da economia chinesa.

O que os EUA não querem de jeito nenhum é que a Coreia do Norte desenvolva um míssil nuclear de longo alcance, que poderia atingir o território americano.

Já a China precisa da Coreia do Norte como um Estado-tampão, que impeça que tropas militares americanas estejam estacionadas na sua fronteira. Há cerca de 28 mil soldados americanos na Coreia do Sul. Mas a China também não quer uma briga com os EUA, seu maior parceiro comercial, por causa da Coreia do Norte. E os chineses também não têm interesse em que a Coreia do Norte tenha armas nucleares.

Já o regime que comanda a Coreia do Norte quer sobretudo sobreviver e sabe que, para isso, necessita de armas nucleares. Essa lição foi aprendida com as invasões americanas, como a do Iraque. Pela ótica norte-coreana, a bomba nuclear é uma força de dissuasão capaz de impedir que o mesmo aconteça à Coreia do Norte.

Para a maioria dos analistas, a via militar não é de fato uma opção para Trump. Ela seria por demais arriscada, pois obrigaria a China a intervir, dando origem a um conflito de consequências imprevisíveis. Buscar a ajuda da China é muito mais sensato.

Além disso, um ataque à Coreia do Norte seria imediatamente respondido por Pyongyang com um ataque à Coreia do Sul – Seul já está ao alcance das armas norte-coreanas. Isso para não falar do Japão e de suas usinas nucleares.

Esta semana, Xi Jinping reiterou a Trump o que os chineses já disseram várias vezes: os EUA devem buscar o diálogo com a Coreia do Norte para alcançar o objetivo de uma Península Coreana livre de armas nucleares. Pela proposta chinesa, Pyongyang deveria primeiro acabar com seu programa nuclear e, em seguida, EUA e Coreia do Sul deveriam encerrar suas manobras militares conjuntas.

Ao mesmo tempo, os chineses mandaram um novo recado ao regime sul-coreano. "Tão logo a Coreia do Norte se atenha ao conselho da China e encerre sua atividades nucleares, a China vai trabalhar ativamente para garantir a segurança de uma nação norte-coreana desnuclearizada e do seu regime", afirmou o jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista, em editorial.

Em artigo no New York Times, o especialista Roderick MacFarquhar vai além e sugere que Estados Unidos e China poderiam trabalhar juntos para solucionar a questão norte-coreana de outra maneira: se livrando do regime hoje comandado por Kim Jong-un. MacFarquhar argumenta que os dois lados teriam bons motivos para isso.

Primeiro, nenhum deles quer uma guerra na Pensínsula Coreana. Sem Kim Jong-un, a China estaria livre de um ditador que ameaça constantemente incendiar toda a região. Segundo, a China poderia conseguir algumas concessões dos EUA, como a remoção do sistema antimísseis conhecido como Thaad, que os americanos começaram a deslocar para a Coreia do Sul, uma notícia que causou irritação em Pequim.

A China também poderia pedir que as tropas americanas deixassem a Península Coreana, que poderia até mesmo ser reunificada, argumenta o especialista. Nesse cenário, uma Coreia reunificada seria um Estado permanentemente neutro. Porém, vantagens à parte, MacFarquhar ressalva que o mais difícil seria alcançar um elevado nível de confiança entre os dois rivais.

A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.

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