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Esporte

"Zagueiro-atacante" brasileiro busca sucesso na frieza alemã

Edu Gonçalves, defensor no Brasil e centroavante na Alemanha, quer o Bochum como trampolim para um "time de ponta". Em entrevista à DW-WORLD, ele conta como tem conseguido superar obstáculos dentro e fora de campo.

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Edu: 'Quero jogar e ser reconhecido por um clube grande'

Na zaga, na ala, no meio-campo e no ataque. Edu Gonçalves, brasileiro de 23 anos, só não atuou como goleiro nos gramados da Alemanha, onde vive e defende o Bochum há duas temporadas na Bundesliga.

O jogador polivalente nasceu em Diadema, no ABC paulista, e passou pelo Guarani (SP), Náutico (GO) e CRAC (GO), antes de desembarcar na Europa. Aqui, sofreu com o idioma alemão, para ele até então desconhecido, freqüentou escolas, ganhou um "banho de cultura" e virou adulto. Mais. De defensor virou centroavante. E dos que marcam gols.

Amigo pessoal do ex-santista Elano ( outro curinga), hoje no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, Edu só fica triste quando lembra que os companheiros estão distantes. Ele é o único brasileiro no elenco do Bochum. "Isso é que é chato", diz.

O jogador conta com a companhia da esposa, e apesar do contrato longo com a equipe alemã, já sonha alto. Hoje ele luta para ajudar a sua equipe a fugir do rebaixamento à Segunda Divisão da Bundesliga. "Quero jogar, aparecer e ir para um time competitivo".

O vínculo, assinado de maneira surpreendente, tem validade até 2008. Edu foi reticente quando recebeu o primeiro convite dos alemães: passagens aéreas e hospedagens pagas para um período de uma semana de testes. Pensou durante alguns dias, foi influenciado por seus empresários e aceitou o desafio.

Os sete dias de treinos e avaliações se transformaram no início de uma vida na Alemanha. Vida difícil, cheia de obstáculos, de privações e incertezas, como ele conta em entrevista exclusiva à DW-WORLD.

DW-WORLD – A vitória sobre o Kaiserslautern chegou a ser uma surpresa para você?

Edu Gonçalves – Não, não. Nós já tínhamos em mente que iríamos vencer este jogo. Não só porque precisávamos, mas porque o Bochum nunca perdeu para o Kaiserslautern.

Fußball Edu aus Brasilien

Edu e o técnico Peter Neururer tentam livrar o Bochum do rebaixamento

[O Bochum é o antepenúltimo colocado na tabela da Bundesliga, com 29 pontos. A equipe derrotou o Kaiserslautern por 2 a 1 na 29ª rodada.]

Como o time está lidando com a luta contra o rebaixamento?

Agora estamos melhor. Começamos a jogar de uma outra maneira nos últimos jogos. Há algumas rodadas estávamos praticamente sem chances de permanecer na Primeira Divisão, mas hoje estamos vivos. Todos estão mais animados, treinam com mais vontade e o grupo quer brigar para sair desta situação.

Mesmo assim, o que você projetaria para o Bochum? Acha que é possível fugir do rebaixamento restando quatro, cinco jogos?

Acho que dá para livrar o clube dessa, sim. A nossa situação é melhor do que a dos nossos adversários diretos, que têm jogos mais complicados neste finalzinho de campeonato.

Para você, pessoalmente, seria muito ruim jogar a Segunda Divisão aqui na Alemanha?

Eu tenho em mente que eu quero jogar, seja na Primeira ou na Segunda Divisão. Ainda mais agora que eu estou sendo mais aproveitado, atuando mais e até como titular. Mas é claro que a Primeira Divisão é mais importante e me daria mais destaque.

Você não sente muita diferença em fazer parte de um grupo que na temporada passada disputou a Copa da Uefa e que agora luta contra o rebaixamento na Bundesliga?

Não, porque naquele tempo eu nem jogava direito. Entrava para atuar durante 15 ou 20 minutos e aquilo não era tão importante para mim. Eu não sinto essa diferença.

Você chegou aqui na Alemanha em 2003 para atuar como zagueiro e no final do ano passado passou a jogar como atacante, exclusivamente. Como isso aconteceu?

Foi realmente estranho. Eu vim como zagueiro canhoto, o que chamamos de quarto zagueiro no Brasil. Cheguei em setembro de 2003 e em janeiro de 2004, durante uma pré-temporada, o treinador precisava de um lateral-esquerdo. Eu fui improvisando, fui bem e o técnico me manteve na posição, apesar de eu jogar apenas por 15 minutos nos jogos. Eles têm um time de aspirantes aqui e, para não ficar parado, fui jogar duas vezes por mês com eles. O treinador deles precisou um dia de um centroavante, me chamou e eu fui bem de novo. Aí, o técnico de cima viu, gostou e definiu essa como a minha posição aqui no time.

Fußball Edu aus Brasilien

Edu (d), de zagueiro no Brasil a goleador na Alemanha

E pelo time de cima, já em 2005, você marcou dois gols na goleada do Bochum por 5 a 1 sobre o Wolfsburg. Naquele dia você foi até escolhido como craque da rodada. Isso o surpreendeu?

Fiquei surpreso sim, claro. É uma coisa muito difícil de acontecer aqui na Alemanha, onde só os melhores ou os mais consagrados são escolhidos craques da rodada. Eu fiquei muito feliz, muito contente.

Você já havia jogado como atacante no Brasil?

No Brasil eu nunca joguei na frente. No máximo atuei como ala pela esquerda. Era defensor mesmo, lá eu nunca joguei como meia avançado ou centroavante, como aqui.

E como foi a sua carreira como jogador no Brasil?

Foi bem complicada, nada fácil. Eu comecei no Guarani, nas categorias de base, mas sofri uma lesão grave e fiquei dois meses parado, quando jogava o Campeonato Paulista de 1999. Depois fui emprestado para os juniores do Santos, e aí voltei como profissional ao Guarani. Mas nunca me firmei no Brasil.

Você era bem novo quando chegou à Alemanha. Tinha apenas 21 anos. Como foi a transação, como aconteceu isso?

Foi uma surpresa, algo inesperado. Eu estava disputando a Segunda Divisão do Campeonato Goiano por um time chamado CRAC, que era o clube do prefeito da cidade de Catalão. Reunimos uns jogadores do Guarani e alguns do Santos e conseguimos levar a equipe para a Primeira Divisão. Aí, no dia em que o meu contrato chegou ao fim, os meus empresários falaram sobre a possibilidade de jogar na Alemanha. Eu não queria, porque era pra fazer uns testes durante uma semana. Eu dizia que não queria testes, mas eles me convenceram. Eu vim e estou aqui até hoje.

E que tipo de dificuldades você encontrou aqui? E o que fez para superá-las?

No início foi a língua, o idioma. Eu não participava de quase nada no clube, ficava meio separado e as pessoas eram bem frias. Isso tudo foi muito complicado. Eu e a minha esposa entramos em uma escola e estudamos alemão três vezes por semana. E agora eu consigo viver a vida aqui.

Você é o único brasileiro no elenco do Bochum e, talvez, se fizesse parte de um grupo com mais latinos, por exemplo, não teria tido tantas dificuldades. O Bayern e o Schalke contam com vários...

É, eu acredito que sim. Demorei um ano para me adaptar ao país. Só após o primeiro ano é que consegui me sentir à vontade, tranqüilo.

Como tem sido a sua vida aqui na Alemanha durante estes quase dois anos? O que você faz quando tem um tempo livre?

Eu costumo sair com a minha esposa, moramos só nós dois aqui. Ainda não tenho filhos, e enquanto eu estou no clube ela vai à academia e também estuda inglês. Quando estamos juntos aproveitamos para sair e conhecer alguns restaurantes e até outras cidades.

Quais são os seus planos para o futuro, já que o contrato com o Bochum termina apenas em 2008?

O meu plano é jogar. Tenho um contrato longo, mas isso pode ser quebrado a qualquer hora. Quero crescer, atuar em um clube grande daqui e ficar mais uns três anos na Alemanha.

E no que essa experiência na Alemanha pode contribuir para a sua vida e para a sua carreira profissional?

É um modo de vida bastante diferente do que temos no Brasil. Acho que tenho muito a crescer com a educação das pessoas e no aspecto cultural também. E dentro do futebol acrescenta muito também, porque não são todos os brasileiros que têm a oportunidade de vir atuar na Alemanha, ou na Europa. Eu só quero é dar seqüência a isso.

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