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Esporte

Zé Roberto: "Não foi por causa do Bayern que deixei a seleção"

Meia garante que decisão de não defender mais o Brasil foi tomada antes das negociações com o clube alemão, diz que gostaria de encerrar sua carreira na Alemanha e faz duras críticas ao técnico Felix Magath.

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Jogador afirma que convocação para disputar a Copa América foi uma surpresa

O meia Zé Roberto negou que tenha deixado a seleção brasileira a pedido do Bayern de Munique, seu novo clube. "Essa decisão eu já havia tomado há mais tempo", afirmou.

Em entrevista à DW-WORLD, o jogador fez também críticas ao ex-técnico do Bayern, Felix Magath. Zé Roberto atribuiu a sua saída do clube, há cerca de um ano, à falta de diálogo com o então treinador da equipe.

Segundo declaração do brasileiro, Magath não confiava nele e não o deixava jogar. "Ele me roubou a alegria de jogar futebol", disse. O meia está de volta ao Bayern de Munique, hoje comandado por Ottmar Hitzfeld, depois de uma bem-sucedida passagem pelo Santos.

Zé Roberto também voltou a desmentir matérias publicadas na imprensa alemã, segundo as quais estaria deixando o Brasil por causa da violência. "Volto a Munique porque é bom para a minha carreira profissional e não por medo."

O brasileiro é um dos reforços anunciados para o "supertime" do Bayern de Munique, que conta ainda com o italiano Luca Toni, o francês Franck Ribéry e o alemão Miroslav Klose.

DW-WORLD: Por que você decidiu retornar ao Bayern de Munique depois de um ano de sucesso no Brasil com o Santos?

Zé Roberto: O Bayern é um clube que eu conheço muito bem e que é muito conhecido internacionalmente. Em Munique formaram um grupo importante para a próxima temporada, com as novas contratações, e com certeza terei de novo muito sucesso no clube. Além disso, nos anos em que joguei no Bayern vivi e aprendi muitas coisas positivas, entre elas a lição mais importante da minha carreira profissional: sempre ter uma mentalidade vencedora.

Comenta-se que a sua amizade com o técnico Ottmar Hitzfeld foi o fator mais importante para seu regresso à Alemanha. É verdade?

Hitzfeld foi certamente um fator decisivo para aceitar a oferta do Bayern. Eu me alegro muito de poder voltar a trabalhar com ele, nós confiamos um no outro, eu tenho muito respeito por ele como treinador e o considero uma grande pessoa.

A oferta do Bayern não foi a única da Europa. Que outros clubes pretendiam contratá-lo?

Recebi dois convites muito atraentes da Itália, um do Milan e outro da Roma. Tive que pensar muito para decidir o que era o melhor para mim e para a minha família e ao final optei por Munique, pois com a contratação de Klose, Ribéry, Luca Toni e dos outros novos jogadores o Bayern está construindo uma equipe para voltar a dominar e ganhar títulos no futebol europeu.

Não o preocupa o fato de que, na próxima temporada, a única competição internacional que você disputará será a Copa da Uefa?

Não. Quando tomei a decisão de retornar ao Bayern já sabia que não jogaríamos a Liga dos Campeões. Por essa perspectiva, as outras ofertas eram mais interessantes, mas para mim o importante é fazer parte de um processo cujo objetivo é devolver a glória do passado ao clube. Não tenho dúvidas de que tanto na Copa da Uefa como na Bundesliga poderemos ser campeões.

Li que uma das razões para você deixar o Brasil foi a falta de segurança. Era muito perigoso continuar no país?

Não, não há nada de correto nisso! Na mídia alemã foram difundidas declarações nesse sentido que eram supostamente minhas, mas na verdade nunca disse isso a nenhum jornalista. Eu estaria mentindo se não reconhecesse que o Brasil, como toda a América Latina, tem problemas sociais muito graves, mas inseguro ou em perigo eu nunca me senti, nem eu nem a minha família. Esse último ano na minha pátria foi muito bonito e eu voltarei ao Brasil, onde estão as pessoas de quem eu gosto, meus amigos e o meu coração. Volto a Munique porque é bom para a minha carreira profissional, não por medo.

Por que considera essa decisão de regressar ao Bayern como boa para a sua carreira?

Sejamos sinceros: na minha idade, com 32 anos, poucos jogadores têm a oportunidade de regressar a um grande clube europeu para participar da construção de um projeto futebolístico novo como o que o Bayern está iniciando. Além disso, seria lindo terminar minha carreira profissional na Europa.

Em Munique?

Fußball: Bayern-Mittelfeldspieler Ze Roberto

Zé Roberto com o uniforme do Bayern de Munique

Provavelmente. Firmei um contrato de dois anos com o Bayern. Quando ele estiver cumprido, terei 35 anos e, se tudo correr bem, não haverá nada que o impeça de ser renovado. Meu projeto para a Europa é a longo prazo, pois é também uma decisão que envolve a minha família e os meus filhos. Eles estão na escola e eu não posso sacrificá-los a cada ano submetendo-os a uma mudança de um país para o outro. Além disso, eles nasceram na Alemanha e, como eu, estão voltando para casa.

Teve de convencer a sua família a voltar a Munique?

Não, eles estavam desde o princípio de acordo e estão todos muito felizes por voltar para a Alemanha. A minha esposa, por exemplo, tem um grande círculo de amizades em Munique e está feliz por se reencontrar com eles e poderem fazer coisas juntos. A Itália foi, até o último momento, uma tentação, mas quando avaliamos a Alemanha chegamos todos à conclusão de que Munique é a nossa casa e contra esse sentimento nem o Milan nem a Roma puderam competir.

Seu retorno à Munique é pela porta da frente, mas há cerca de um ano você deixou o clube pela porta dos fundos.

Não vejo dessa maneira nem compartilho dessa opinião de que saí pela porta de trás. Naquele momento, eu poderia renovar meu contrato, mas não quis fazê-lo porque não queria continuar em Munique sob as ordens do técnico Felix Magath.

Você teve problemas com Magath?

Eu com ele, não, mas ele comigo. Nunca conseguimos nos entender, ele não confiava em mim e não me deixava jogar. Nessas condições, o melhor era deixar a equipe. Foi o que fiz.

Ou seja, você deixou a Europa por causa do Magath?

Sim, foi isso, Felix Magath me roubou a alegria de jogar futebol. O tempo que eu joguei sob o seu comando foi um dos mais tristes e difíceis de minha longa carreira. Já estive sob o comando de vários dos mais importantes e bem-sucedidos treinadores do mundo e eles sempre conversaram comigo a respeito das coisas que estão bem ou mal. Felix Magath jamais quis falar comigo, nunca me procurou e recusou minhas tentativas de aproximação, simplesmente me ignorou. Eu era muito infeliz naquela época.

Como superou essa crise?

Voltei a acreditar no futebol com a seleção do meu país durante a Copa do Mundo da Alemanha. Como conjunto, não fomos muito bem, mas para mim foi importante. Depois veio a excelente campanha com o Santos e pude superar essa má experiência.

A seleção brasileira o ajudou a sair da crise, mas há algumas semanas você deu as costas para ela e renunciou à sua vaga para cumprir com as exigências do Bayern de Munique. Por quê?

Não renunciei à seleção porque o Bayern pediu, não é assim. Eu já havia tomado essa decisão há muito tempo, quando o Dunga assumiu a direção técnica, depois do Mundial, e anunciou uma renovação do plantel. Ele não havia me convocado antes e o convite para fazer parte da equipe que disputaria a Copa América me surpreendeu, pois de acordo com a nova filosofia do Dunga eu não estarei, por causa da idade, no próximo Mundial. Assim, simplesmente refleti e preferir abrir espaço para outros jogadores mais jovens.

O que mais lhe alegra no retorno a Munique?

Voltar a ver o Lúcio, meu amigo, compatriota e companheiro de muitas experiências com a seleção e na Alemanha. Também de me reencontrar com a torcida do Bayern, que pode esperar muitas coisas boas da equipe para a próxima temporada. A alegria voltará ao Allianz Arena.

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