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Economia

Wolfsburg teme pelo futuro da Volkswagen

Na cidade-sede da maior montadora europeia, funcionários e prestadores de serviços temem pelos seus empregos. Renúncia de presidente do grupo elevou as incertezas.

O dia em Wolfsburg, na Alemanha, começou sombrio nesta quarta-feira (23/09). Nuvens escuras se movimentavam rapidamente no céu sobre a sede da montadora alemã Volkswagen, ao longo do rio Aller.

As nuvens eram apropriadas ao momento pelo qual a empresa passa, abalada pelo escândalo envolvendo a fraude nos testes de emissões de gases poluentes por veículos a diesel.

A pouco mais de dois quilômetros de distância da planta, em outro prédio da empresa, o então ainda presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, encarava uma reunião de emergência com o conselho de administração. Ele precisava explicar por que 11 milhões de carros haviam sido equipados com um software que ajuda a mascarar as verdadeiras taxas de emissão de gases.

No final da tarde, o céu estava mais claro, e Winterkorn anunciava a renúncia ao cargo, afirmando que sua desistência abriria "o caminho para um novo começo".

Novo começo num futuro incerto

Porém, para muitas pessoas que trabalham para a Volkswagen – seja na própria empresa, seja para os vários fornecedores e prestadoras de serviços – não está certo se haverá um novo começo. A renúncia de Winterkorn não trouxe o fim da crise, ao contrário, somente prolongou a incerteza que reina em Wolfsburg.

Em um bar popular entre os trabalhadores da Volkswagen, próximo à sede do grupo, trabalhadores analisavam as notícias sobre a saída de Winterkorn. "Isso significa que Ferdinand Piëch [ex-presidente do conselho de administração] ganhou", diz um dos funcionários. "Ele não gosta de perder e queria a saída de Winterkorn, e, agora, Winterkorn está fora. Mas ele era um bom líder. Eu aposto que Piëch sabia de tudo isso, e Winterkorn não."

VW - Tor Sandkamp

Jornalistas aguardam em frente ao portão principal da empresa em Wolfsburg

Vitória tardia de Piëch?

Ele se refere à luta de poder entre o ex-presidente do conselho de administração e, por um longo tempo, rosto do grupo Volkswagen, Ferdinand Piëch, e Winterkorn. Piëch tentara colocar Winterkorn para fora no início do ano, mas acabou tendo que renunciar em abril.

Teorias da conspiração como essa tendem a se proliferar nos próximos dias. Piëch culpara Winterkorn pelas fracas vendas da empresa no mercado dos EUA, e o escândalo de fraude atingiu primeiro justamente esse mercado, que Winterkorn havia declarado sua prioridade pessoal como presidente do grupo.

Vários trabalhadores comentam que isso não pode ser coincidência, mas poucos querem ver seus nomes em matérias jornalísticas sobre o assunto. Eles estão preocupados porque temem estar diante de um momento especialmente delicado, marcado por uma imagem arranhada, queda nas vendas e corte de empregos. Numa hora como essa, eles acreditam que não vale a pena se expor com seus empregadores – como falando com a imprensa.

"Todo mundo fala disso", afirma um operário que trabalha na planta da Volkswagen, que pediu que seu sobrenome não fosse publicado. "Estamos com medo que as vendas da VW caiam e que isso acabe custando nossos empregos. Ninguém sabia disso [a fraude], mas todos nós seremos afetados."

Outro trabalhador, Frank Wegener, que diz trabalhar na montagem do modelo Touran, conta que se sente impotente diante da situação, mas que tenta não se preocupar. "São decisões tomadas no topo da empresa, eu não tinha influência nenhuma sobre essas coisas", afirmou. "Temos que esperar para ver o que vai acontecer nos próximos dias. Além disso, se alguém tiver que ser demitido, os primeiros da fila serão os trabalhadores temporários."

Wolfsburg é Volkswagen, Volkswagen é Wolfsburg

Mas o destino da Volkswagen não afeta somente os 70 mil funcionários que trabalham em Wolfsburg. Muitos outros são empregados por prestadores de serviços, que dependem dos negócios com a Volkswagen. Alguns deles pensam que serão os primeiros na fila das demissões.

"É necessário entender que Wolfsburg é Volkswagen. Se a empresa não vai bem, a cidade não vai bem", afirma Ingo, que trabalha em uma das prestadoras de serviço. "Nós temos a expectativa de sermos demitidos, e não vamos achar mais nada para fazer em Wolfsburg."

Na manhã desta quinta-feira, Wolfsburg acordou com uma Volkswagen sem Winterkorn, e os funcionários podem analisar eles mesmo o que isso significará para o futuro. O sucessor deverá ser conhecido nesta sexta.

Há rumores que o executivo Matthias Müller, presidente da Porsche, seja o principal candidato. Mas, para muitas pessoas que trabalham para e na Volkswagen, a principal questão não é se Müller vai trocar de emprego, mas se elas conseguirão manter os seus.

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